Domingo, Novembro 15, 2009

Animus Jocandi

Foto de Orlando Pedrosus.

Sábado, Novembro 14, 2009

Vai lá!

Qui! Qui!

Foto sem crédito.

Madeira

Foto de Iara Teixeira.

Hoje!

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Marilia Giller & The Cereal Giller's Band, em algum lugar
do passado. Foto de Lina Faria.
Gazeta do Povo.
Dalton Trevisan, o Vampiro de Curitiba, vai às compras.
Foto de Alberto Melo Viana.

Sorry, periferia!

Gazeta do Povo.
Ambigrama Fraga: Uberti.

Publicada n' O Estado do Paraná.
Publicada n' O Estado do Paraná.
Gazeta do Povo.
Bairro dos Jardins. De infância. Foto de Lee Swain.

O vento elevou

Praia de Boa Viagem, Recife. Foto de Toninho Vaz.
Desenho de Tiago Recchia.

A ditadura da utilidade.

A burguesia criou um universo em que todo gesto tem que ser útil. Tudo tem que ter um para quê, desde que os mercadores, com a Revolução Mercantil, Francesa e Industrial, substituíram no poder aquela nobreza cultivadora de inúteis heráldicas, pompas não rentáveis e ostentosas cerimônias intransitivas. Parecia coisa de índio. Ou de negro. O pragmatismo de empresários, vendedores e compradores, mete preço em cima de tudo. Porque tudo tem que dar lucro. Há trezentos anos pelo menos, a ditadura da utilidade é unha e carne com o lucrocentrismo de toda essa nossa civilização. E o princípio da utilidade corrompe todos os setores da vida, nos fazendo crer que a própria vida tem que dar lucro.Vida é o dom dos deuses, para ser saboreada intensamente até que a Bomba de Neutrons ou o vazamento da usina nuclear nos separe deste pedaço de carne pulsante, único bem de que temos certeza.

Além da utilidade.

O amor. A amizade. O convívio. O júbilo do gol. A festa. A embriaguez. A poesia. A rebeldia. Os estados de graça. A possessão diabólica. A plenitude da carne. O orgasmo. Estas coisas não precisam de justificação nem de justificativa. Todos sabemos que elas são a própria finalidade da vida. As únicas coisas grandes e boas que podem nos dar esta passagem pela crosta deste terceiro planeta depois do Sol (alguém conhece coisa além? Cartas à redação). Fazemos coisas úteis para ter acesso a estes bens absolutos e finais.. A luta dos trabalhadores por melhores condições de vida é, no fundo, luta pelo acesso a esses bens, brilhando além dos horizontes estreitos do útil, do prático e do lucro.

Coisas inúteis (ou in-úteis) são a própria finalidade da vida. Vivemos num mundo contra a vida. A verdadeira vida, que é feita de júbilo, liberdade e fulgor animal. Cem mil anos-luz além da utilidade, que a mística imigrante do trabalho cultiva em nós, flores perversas no jardim do diabo, nome que damos a todas as forças que nos afastam da nossa felicidade, enquanto eu ou enquanto tribo. A poesia é o princípio do prazer no uso da linguagem. E os poderes deste mundo não suportam o prazer. A sociedade industrial centrada no trabalho servo-mecânico, dos EUA à URSS, compra por salário o potencial erótico das pessoas, em troca de performances produtivas, numericamente calculáveis.

A função da poesia é a função do prazer na vida humana. Quem quer que a poesia sirva para alguma coisa não ama a poesia. Ama outra coisa. Afinal a arte só tem alcance prático em suas manifestações inferiores, na diluição da informação original. Os que exigem conteúdo querem que a poesia produza um lucro ideológico. O lucro da poesia quando verdadeira é o surgimento de novos objetos no mundo. Objetos que signifiquem a capacidade da gente produzir mundos novos. Uma capacidade in-útil. Além da utilidade. Existe uma política na poesia que não se confunde com a política que vai na cabeça dos políticos. Uma política mais complexa, mais rarefeita, uma luz política ultravioleta ou infravermelha. Uma política profunda, que é crítica da própria política, enquanto modo limitado de ver a própria vida.

O indispensável in-útil.

As pessoas sem imaginação estão sempre querendo que a arte sirva para alguma coisa. Servir. Prestar. O serviço militar. Dar lucro. Não enxergam que a arte (a poesia é arte) é a única chance que o homem tem de vivenciar a experiência da liberdade, além da necessidade. As utopias, afinal de contas, são, sobretudo, obras de arte. E obras de arte são rebeldias. A rebeldia é um bem absoluto. Sua manifestação na linguagem chamamos poesia, inestimável inutensílio. As várias prosas do cotidiano e do(s) sistema(s) tentam domar a megera. Mas ela sempre volta a incomodar. Com o radical incômodo de uma coisa in-útil num mundo onde tudo tem que dar lucro e ter um por quê. Pra que por quê?

O Estado do Paraná.

Gazeta do Povo.
O Estado do Paraná.

Vai lá!

Foto sem crédito. Foi?
Foto de Edu Simões.
Lee Swain é publicitário, cineasta, cartunista e cozinheiro dos amigos. Veio da geração de ouro da publicidade paranaense: Jamil Snege, Sérgio Mercer, Miran, Ernani Buchmann, Eloi Zanetti, Paulo Leminski, Solda, Paulo Vítola, Desiderio Pansera e outros. Curitibano do Hugo Lange, nos anos 80 botou o pé na estrada para fazer sucesso em São Paulo na direção de comerciais. Em seguida, foi estudar cinema na Itália com Tonino Guerra, roteirista de Fellini. Depois de cinco anos em Roma como diretor de arte, voltou a São Paulo para fundar a “Tônica de Comunicação”, agência multidisciplinar da qual é diretor criativo.

Sonho de outra profissão, o que seria: Chef de cozinha.
Dando a sexta-feira por finda, um fim de semana perfeito:
Reunir amigos à mesa na casa de Ibiúna.
Serra abaixo ou serra acima: Como tudo que sobe desce, abaixo na sexta, acima na segunda.
A mais bonita paisagem do Paraná: Estrada da Graciosa, disparado.
A mais bonita paisagem de
Curitiba: A que eu tenho na memória: o bosque onde morei em Santa Felicidade, perto do Restaurante Cascatinha.
Uma rua da cidade:
Todas as que dão no Largo da Ordem.
Um sábado de chuva:
Um filme de Fellini.
Um domingo de sol:
Jogar frescobol, suar bastante e dar um belo mergulho no mar.
O que você não dispensa no inverno:
Vinho.
O que você não dispensa em qualquer estação do ano:
Vinho.
O que é muito bom fazer sozinho:
Quer saber mesmo? Jogar paciência.
Uma música para ouvir hoje:
“Vire esta folha do livro”, com Nana Caymmi.
Outra para ouvir amanhã:
“Pérola Negra”, Luis Melodia.
Um instrumento musical para tocar numa balada de sábado:
Infelizmente, não toco nada. É uma frustração que eu tenho.
Um livro na estante:
“Grande Sertão: Veredas”, Guimarães Rosa.
Um livro na cabeceira:
O livro em que Truffaut entrevista Hitchcock. Uma aula de cinema.
Um filme de ontem:
“Paris Texas”, Wim Wenders.
Um filme de hoje:
Qualquer filme do Kar-Wai, chinês genial.
Um retrato na parede:
Minha família.
Um lugar para iniciar o fim de semana:
Estrada Raposo Tavares, que me leva a Ibiúna.
Um acepipe de boteco:
Bolinho de bacalhau bem crocante com chopinho gelado e bastante colarinho.
O jantar no sábado:
Uma comidinha japonesa acompanhada de saquê para relaxar.
O almoço de domingo:
Pastasciutta, qualquer uma.
Uma receita de estimação:
Moqueca de cação.
Nenhum, pouco ou bastante alho:
Muuuuiiiiiito alho. Hoje mesmo comi um hambúrguer com alho da Lanchonete da Cidade, que me deixou sequelas (leia-se bafo) a tarde toda.
Uma sobremesa:
Torta gelada de limão siciliano e amêndoas.
Um copo para o espírito:
Um bom champagne espumante.
Metade cheio, metade vazio:
Um copo. Para encher.
Saudades de um sábado qualquer:
O dia do meu último casamento (sou teimoso, casei três vezes com a mesma mulher).
Uma viagem:
Viagem para esquiar em Santo Stefano, norte da Itália.
Quem você convidaria para passar um fim de semana como deve ser:
A Madonna. Sem Jesus, pelo amor de Deus!
Noite de domingo, o que lhe parece:
Fim de festa.
Há a perspectiva de segunda-feira, o que lhe dá preguiça:
A segunda-feira. Dá pra começar pela terça?
O que assusta embaixo da cama:
Aranha.
Um passarinho (sonho) na mão:
Viver de arte.
Outro voando:
Viver bem de arte.
Uma frase sobre Curitiba: O patinho que se achava feio trocou de penas, bateu asas e alcançou sua autoestima.

Dante Mendonça (14/11/2009) O Estado do Paraná.

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Alhures do Sul

Mara Manzan, São Paulo, 28 de maio de 1952 - Rio de Janeiro, 13 de novembro de 2009. Foto sem crédito.

Imperdível!

Sexta-feira, 13 e sábado, 14 de novembro, 2009, no Teatro
Paiol, 21:00. Duela a quién duela!

Tiago Recchia

Gazeta do Povo.

Anote na agenda

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Gazeta do Povo.
Foto sem crédito.
anteontem no ano passado
meu dedo estava amarelado
preciso de um vício novo
bombom, caracu com ovo
bingo, corrida de cachorro louco

ai que saudades da minha querida nicotina
e do meu velho e bom arcatrão
e da porvinha do paperzinho que fazia
catarrinho, cosquinha no meu purmão

Antonio Thadeu Wojciechowski,
José Alberto Trindade, Márcio Goedert
e Rodrigo Barros

Dibujo

Desenho de Orlando, el Pedroso.
Nadja Naira, Caetano, Sandra e Vera Solda, Mazzinha e Soruda san, em algum lugar do passado. Foto de Lina Faria.
Gazeta do Povo.

Rá!

Foto sem crédito.
Parede de marcenaria em Pinheiros. Foto de Lee Swain.

Hoje!

HQMIX Livraria. Rua Augusta, 331, Baixo Augusta, São Paulo, SP. Telefone 11 3258 7740. Todo mundo lá!

Antena da raça

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Foto de Toninho Vaz.

Hoje!

Foto sem crédito.

Fim de semana de pop e psycho no Jokers

Foto Divulgação.
Duas bandas da cena pop de Curitiba se apresentam na próxima sexta-feira, dia 13, no Jokers (R. São Francisco, 164 – Centro Histórico). A programação faz parte da nova edição do Acústico Mundo Livre que apresenta dois shows em formato acústico com as bandas Majordomus e Djoa. O projeto foi criado para gerar uma maior visibilidade aos artistas locais independentes com versões acústicas e exclusivas. No sábado, dia 14, é a vez da festa de 20 anos da Itiban Comic Shop com apresentação das bandas Los Diaños, Ovos Presley e Kanpai.

A programação começa na sexta-feira com a apresentação do Majordomus. Formada em 2006, a banda combina o melhor do rock/pop/alternativo num repertório amplo e de grande aceitação. Prestes a lançar seu primeiro CD de músicas próprias, o grupo agora conta com três novos integrantes que também já trabalham na noite curitibana com bandas de renome há tempos. Além de Alan Capdehourat (Moffo) e Vicente Vechi (Subsolo) integram a banda também Rena Cáceres(Lady Be), Fabiano Gomees e Eurídice Campos (Top 20).

Formado em Curitiba com sete anos de estrada, o Djoa tem dois Cds gravados e vários shows pelos porões alternativos. Suas influências são bandas que mesclam eletrônico, guitarras e melodias. Usando boas letras que retratam o cotidiano, fugindo da insanidade e muitas vezes próximo ao incerto, o djoa se diz estável e normal. Na apresentação o público vai conferir faixas do ultimo CD Na Pele que traz boas influências eletrônicas e o peso das guitarras, com o vocal muito bem colocado e a cozinha em cima.

Sábado

No dia seguinte é a vez da Festa de 20 anos da Itiban Comic Shop com apresentação das bandas Los Diaños, Ovos Presley e kanpai e apresentação dos DJs Akira, Hermes & Cláudio Yuge. No repertório das bandas o melhor da cena psychobilly de Curitiba.

Serviço: Projeto Acústico Mundo Livre – Apresentação das bandas Majordomus e Djoa. Sexta-feira, dia 13, às 22 horas, no Jokers (Rua São Francisco, 164 - Centro Histórico) Entrada livre até às 21 horas. Após R$10. Discotecagem DJ Ronypek. Reservas fones 41- 33 24 23 51 ou 30 13 51 64.

Festa de 20 anos da Itiban Comic Shop – Apresentação das bandas Los Diaños, Ovos Presley e kanpai e apresentação dos DJs Akira, Hermes & Cláudio Yuge. Sábado, dia 14, às 22 horas, no Jokers (Rua São Francisco, 164 - Centro Histórico) Ingresso masculino: Livre até 22h / após R$20 e Feminino: Livre até 24h / após R$20. No lounge discotecagem DJ Ronypek + Sonderam (residentes). Reservas fones 41 3324 2351 ou 41 3013 5164.


RB Escritório de Comunicação
Rodrigo Browne: 41 91457027
Bárbara Magalhães:41 33637759

Gazeta do Povo.
O Estado do Paraná.
O apagão de Itaipu pode trazer alguma vantagem extra para Foz do Iguaçu. Para o gáudio do segundo destino turístico do Brasil - só perde para a Cidade Maravilhosa -, quem sabe aqueles que ainda não conhecem o gigantismo de nossas águas agora se animem a ver de perto a parede onde o Brasil está ligado na tomada.

Até o apagão desta semana, se pensava que apenas “São Paulo não podia parar”. Se a locomotiva andasse, os vagões vinham atrás. Ledo (Ivo) engano: A Usina de Itaipu é que não pode parar. “Oh, raios! Então não foi São Pedro que nos deixou comendo pizza à luz de velas? “, se perguntam agora os senhores da Avenida Paulista. Especialmente aqueles infelizes que ficaram horas trancados no elevador.

Precisou de um breu quase do tamanho do Brasil para ficar claro que a luz da sala não nasce apenas no poste da esquina. Também nasce da magia de Itaipu, cantava o poeta Mário Quintana.

***

Como um riso trancado / o rio explode numa gargalhada / e luz, calor, energia! / Parece até mágica / do homem da Usina / (E, se duvidares, muito daqui a pouco sairão voando / todas as gravatas borboletas...)

***

A magia de Itaipu, que serviu de inspiração ao poema, também levou luz à ópera.

Nos anos 1980, acompanhado do diretor Gerald Thomas e da cenógrafa Daniela Thomas (filha de Ziraldo), o músico Philip Glass foi a Foz do Iguaçu e ficou pasmo com aquele ruído ao longe. Glass apurou os ouvidos, fechou os olhos por um instante e foi conhecer aquela sinfonia do Rio Paraná.

Eram quase 18h quando a trupe entrou na usina, vindos diretamente de Miami para conhecer Itaipu. Pelo olhar, testemunharam os anfitriões, os três artistas (apesar de já terem aterrissado há um bom tempo em Foz) ainda estavam viajando... e viajando...

Depois de ver e ouvir a parte “viva” da usina, as proporções fascinaram os visitantes, que definiram o cenário como “jamesbondiano”, um local próprio para encenar uma história de amor.

***

Um mês depois, a Folha de S. Paulo publicou em letras gordas que Philip Glass preparava ópera sobre uma história de amor na Usina de Itaipu.

“O CD com a ópera de Itaipu foi lançado em 1980, com a Atlanta Simphony Oschestra and Chorus e regência de Robert Shaw, pelo selo Classical da gravadora Sony. No encarte do CD, escrito em inglês, alemão, francês e italiano, a visita a Itaipu é documentada. O folheto lembra que, ao percorrer os imensos dutos a conhecer as gigantescas turbinas, Glass ficou atônito diante daquela demonstração da engenhosidade humana e sua capacidade de transformar a natureza, comparando o empreendimento, em audácia e inventividade, à construção das pirâmides do Egito. Ele soube imediatamente que a ópera seria inspirada na barragem de Itaipu: “Eu olhei e disse: já sei como será o trecho (da Ópera)’”. O texto prossegue, afirmando que, com a música montada na cabeça, Glass começou a procurar por um texto. “Seu amigo Marcelo Tassara trouxe aquilo que ele considerou a solução perfeita, uma criação mitológica dos índios guarani, para quem o Rio Paraná é o lugar onde a música nasceu”.

***

Hoje com 71 anos, Philip Glass só não sabia de uma outra história de amor de Itaipu. Na construção da usina, com exceção feita às famílias já constituídas de engenheiros e técnicos que residiam nas vilas, a Binacional não permitia o namoro entre seus funcionários na obra. Foi quando um jovem engenheiro apaixonou-se por uma das bibliotecárias. Com a paixão correspondida, foram vistos pelo canteiro de mãos dadas. Foi um escândalo. O assunto chegou à diretoria, que decidiu pela demissão do rapaz. O encarregado de pessoal simplesmente pegou uma tesoura e cortou a ponta do seu crachá. Era o ritual que o desligava de Itaipu.

***

Poucos sabem, esse talvez tenha sido o primeiro apagão de Itaipu.

Dante Mendonça (13/11/2009) O Estado do Paraná.

O Estado do Paraná.

Vai lá!

4 a 29 de novembro, quarta a sábado, às 20h, e domingos, às 19h. Teatro José Maria Santos (Rua Treze de Maio, 655). Informações: 41 3322 7150. Com: Regina Bastos, Guilherme Fernandes, Marcelo Rodrigues, Diego Marchioro e Martina Gallarza. Adaptação e direção de Edson Bueno. Fotos de Chico Nogueira.