Domingo, Abril 30, 2006
40 anos de Beto Bruel.
Pra comemorar idade nova, Beto Bruel nos reuniu em uma churrasqueira do Círculo Militar . O que atrapalhou a nossa festa foi David Byrne que gritava no show do Palácio de Cristal. Da esquerda para a direita: eu, Mara Moron, Milzi Digiovanni, Osmil, Mozart de Oliveira e Edson Bueno. E o Beto entrou para a idade dos " enta". Isso há muito anos.Sábado, Abril 29, 2006
Alien.
Um dos monstros assassinos de Alien? Necas de pitibiriba. É apenas o que restou dos pulmões de um fumante contumaz.A banda polaca.
Luz não é pecado
Desgostoso com a sua vida sexual, Stacho (Stanislaw) foi consultar o médico.
— Doutor, Maruska e iéu não estamos mais assim como antigamente. De tempo para cá estamos desinteressados. Ali pelas sete da noite a gente já terminou de jantar, lava os pé, reza, veste o pijama e já pra cama. Deita no colchão de palha, se cobre com a coberta de pena, assopra o lampião, fica no escuro e entón tenta fazer o que podemos.
O médico foi bem franco:
— Trinta anos desse jeito, não há interesse sexual que agüente. Faz o seguinte: primeiro de tudo, deixa a luz acesa.
— Mas, doutor... luz acesa nie sendo pecado?
— Antigamente era. Agora não é mais. Pode deixar a luz acesa.
— E daí, o que é que iéu fazendo?
— E daí você começa a tirar a roupa de Maruska devagarinho, bem devagarinho. Tira pedaço por pedaço. Acaricia o corpo da Maruska, Maruska retribui, e vocês vão indo, vão indo, vão indo e tudo vai ficar melhor.
— Estar bem bom, doutor. Iéu indo combinar com Maruska.
Daí uma semana, o médico cruzou com o Stacho na Rua Carneiro Lobo (Assim se diz: Rua "bicho bom, bicho ruim").
— Stacho, fez o que eu mandei?
— Iéu fiz, doutor. Fiz, fiz....
— Então, foi bom?
Stacho tirou o chapéu, coçou a cabeça e concordou:
— Bom foi... mas a criançada quase se arebentou de dar risada!
Na cidade grande
Anuska veio para Curitiba de ônibus e na volta foi contar para a amiga Veruska como foi a sua experiência na cidade grande.
— Que coisa sendo rodoviária?
— Rodoviária sendo lugar grande, onde parar muito ônibus. Lugar bonito. Daí eu saindo do rodoviária e indo de pé na Rua “sandalha” Marinho (Saldanha Marinho) . Daí parar senhór de Galaxie perto de iéu e falar com iéu.
— Mas que coisa sendo, Galaxie?
— Galaxie sendo que nem carro, só que grande, bem bonito. Daí senhór de Galaxie convidar iéu para ir no quitineta dele.
— Mas que coisa sendo quitineta?
— Quitineta sendo que nem casa, quem nem apartamento, só que sendo bem menor. Daí senhór de Galaxie tirar pênis pra fora.
— Mas que coisa sendo pênis?
Construindo uma mansão.
No Tamanduá, década de 70, eu (de boné) e Beto Bruel, abanando o chapéu, tentamos construir a tão sonhada casa de campo dele. Pedreiros amadores, fizemos o que pudemos. E hoje lá, no local, restam destroços de uma fabulosa casa, com adega e tudo. Sob o patrocínio de uma famosa caninha nacional.SoldaPica-paus & Maragatos.
Sexta-feira, Abril 28, 2006
Quinta-feira, Abril 27, 2006
Imperdível!
Em 1979, quando conheci o artista plástico Boi -José Carlos Ferreira -, ele me apresentou a uma de suas muitas habilidades: a criação e compilação de palíndromos, também conhecidos por anacíclicos.
ERRO COMUM OCORRE
SOCORRAM-ME SUBI NO ÔNIBUS EM MARROCOS
ROMA ME TEM AMOR
Com alguns de seus exemplos clássicos, me encantei com esta mágica construção, que permite leitura também da direita para a esquerda, mas ao mesmo tempo me dei conta de que só certas pessoas possuíam o dom de encontrá-la. Feliz foi o dia em que percebi que conseguia fazer palíndromos numéricos acidentais quando pedia os pratos e acompanhamentos nos restaurantes. Como bálsamo pelo valor da conta, recebia um palíndromo de brinde. Apresento aqui 23 casos deste curioso fenômeno.
Guto Lacaz
Quarta-feira, Abril 26, 2006
Caixas 2/Fraga.
Entre a inata ingenuidade e a paranóica suspeição, há mais pano por cima das coisas do que os inocentes úteis e os conscientes inúteis conseguem contabilizar. Ao redor, basta arregalar a percepção, se ocultam incontáveis sumidouros de recursos, prazeres, informações, bens, energias. O imensurável caixa 2 da vida. Que se redistribui por instâncias, constâncias, distâncias e circunstâncias indefiníveis. Afinal, nem só de trampolinagens político-financeiras vive a espécie na qual estamos catalogados. Entre outros e tantos caixas, esses: O caixa 2 do universo é o buraco negro.Terça-feira, Abril 25, 2006
Funarte entrega prêmio a dramaturgo paranaense.
Segunda-feira, Abril 24, 2006
É isso aí, formiguinha!
Segunda-feira é dia de voltar ao trabalho com pelo menos uma boa história para contar. Se assim não for, caso não tenhamos piada nova, história curiosa ou notícia boa - coisa em falta para petistas e atleticanos -, vale a fábula que sirva alento para tocar a semana até a próxima segunda-feira, Dia do Trabalho. Assim sendo, e bem a propósito, tenho a recontar uma fábula deliciosa, exemplo bem acabado do que acontece nos mais variados ambientes de trabalho: nas empresas ditas “mudernas”, em repartições públicas lotadas pelas máquinas partidárias e - por que não? - podemos fazer até analogia com o que se passa atualmente no Clube Atlético Paranaense. Bem em tempo, é para imprimir, botar no mural da cantina e fazer bom proveito dessa fábula que é a seguinte: Todos os dias, a formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho. Era produtiva e feliz. O gerente marimbondo, tipo mais realista que o rei, estranhou a formiga trabalhar sem supervisão. Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada. Simples. E colocou a barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência como supervisora. A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da formiga. Logo, a barata precisou de secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou também a aranha para organizar os arquivos e controlar as ligações telefônicas.O marimbondo ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões. A barata, então, contratou a mosca, e comprou computador com impressora colorida. Logo, a formiga produtiva e feliz começou a se lamentar de toda aquela movimentação de papéis e reuniões! O marimbondo concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga produtiva e feliz trabalhava. O cargo foi dado a uma cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar cadeira especial. A nova gestora cigarra logo precisou de computador e de assistente (sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar o plano estratégico de melhorias e controle do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se tornava mais chateada. A cigarra, cheia de cantos e encantos, convenceu o gerente marimbondo que era preciso fazer o estudo de clima. Mas, o marimbondo, ao rever as cifras, se deu conta que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja, prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse o diagnóstico da situação. A sabichona coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu volumoso relatório, com capa colorida, papel de primeira e vários compêndios, tudo para chegar à brilhante conclusão:
Domingo, Abril 23, 2006
Sábado, Abril 22, 2006
Plá da Estrelinha.
O novo CD de Estrela Leminski e Téo Ruiz já está disponível na internet para degustação! Algumas músicas do CD Música de Ruiz podem ser apreciadas no site da Trama Virtual no link: http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=40724 Em junho no Teatro da Caixa em Curitiba, acontecerá o lançamento deste CD juntamente com o livro Contra-Indústria, uma pesquisa sobre Música Independente realizada pela dupla.Também, o novo CD do Casca de Nós se encontra em fase final de confecção, e será lançado em outubro deste ano. http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=3026 Muitas novidades a caminho, aguardem! Jamaica, campeã dos preconceitos.
Bob Marley deve estar de bruços no seu túmulo. Toda a luta desenvolvida contra o preconceito racial foi por água abaixo. Agora os rastafaris mostram a verdadeira cara, além da adoração a Selassié, o malandro. Buju Banton (foto), um dos mais populares artistas do país, que já esteve envolvido em casos de agressão a homossexuais, compõe músicas em que afirma que gays devem ser queimados com ácido " como se faz com pneus velhos".Elephant Man, outro importante cantor de reggae, canta músicas contra sodomitas. Eu, como gosto da música jamaicana, sou branquelo e não sou chegado à ganja nem a dar a ré no quibe (como diz o Benett), acho que a temática de paz e amor de Marley anda meio fora de moda. Continuo gostando de reggae roots. E do velho ska dos anos 60. Jah encheu o saco! (fonte: revista Época) Solda
Estas palavras.
estas palavras sobre mim você pierre menard arnold schwarznegger fantasmas escombros betinho grandes sertões são petersburgo demi moore thelonius monk alan parker liberdade bhagavad-gita kundera privada sísifo bomba & brigite bardot estas palavras epitáfios poemas vida e morte al capone solidão sacco & vanzetti hiroshima & nagasaki nova iorque si is leider auch flagelo frieza vômito insinuações bilhetes rostos assombrações paulo leminski roma itararé boris karloff marcos prado versos páginasprosa & provérbios
estas palavras carregam a cólera a úlcera as vísceras a bosta o tempo o espaço a virtude bob marley a estética platão a natureza o espírito o fogo mishima a água o adjetivo a fuga o vassalo o súbito der geburstag stanislaw ponte preta artichewsky wojciechovski
o vazio & o saco cheio
estas palavras não pedem as palavras estúpidas traiçoeiras canto gregoriano mudas adágios parábolas fonemas signos cruzadas indiscretas vãs párias imundas promessas madonna definitivas pitorescas obscenas inconvenientes caladas verbais escritas
catatau & livro dos contrários
estas santas palavras pedem a palavra de hegel dos irmãos marx juan rulfo frank zappa ângela maria antonioni pablo neruda carlos estevão sadam husseim george bush capitão marvel penélope monteiro lobato bergson pelé mendigos punks padres arquitetos japoneses locutores paranistas aleijados jogadores de futebol mágicos amantes cozinheiros comunistas viados santos pitonisas cachorros
pássaros & vice-versa
estas palavras não dão a palavra têm a palavra palavrório palavroso palavreado palavrão tufado logomáquico expressão bagaçada conversa parlenda lábia loquaz papo opinião jorge amado pachouchada enfático empolada charada
grammatiké & gramatiquice
estas palavras são cópias de outras palavras de outras palavras
de corbiére e foram minhas últimas palavras
não necessariamente nesta ordem solda
Sexta-feira, Abril 21, 2006
Quem é Quem.
http://orla.fotoblog.uol.com.br/photo20041116110430.html
O Estado são eles.
Recebi do dr. Paulo Roberto de Andrade Mercer e passo adiante (uma parte), com esse bilhete: "Saiu no O Cruzeiro em setembro de 1959. Eu tinha quase oito anos e recordo que, em casa, meus pais liam religiosamente a coluna da Raquel de Queiroz. Era sempre comentada. Claro, eu gostava mesmo era dos desenhos do Péricles, o "Amigo da Onça". O texto tão atual, apesar de quase meio século, faz-nos refletir sobre a pobreza do ser humano, com relação à política no nosso meio. Grande Raquel de Queiroz!". No céu claro passaram roncando dois enormes aviões. Pelo feitio ou pela pintura os rapazes conheceram que era da FAB. E um deles, que ouvira o rádio do jipe, explicou: -É o marechal, que vai ao Cariri fazer propaganda eleitoral. Lembrou-me a minha velha mestra de música, Dona Elvira Pinho, abolicionista e republicana histórica, mulher de rígida virtude particular e cívica. Uma de suas alunas era filha do governador e vinha para as aulas no carro oficial. Quinta-feira, Abril 20, 2006
Gibiteca agradece socorro.
A Fundação Cultural de Curitiba informou na tarde desta quinta-feira, através do diretor Marcelo Cattani, que a Gibiteca de Curitiba não vai mais mudar de endereço. Continua no Solar do Barão. Melhor assim. Nossos agradecimentos ao presidente Paulino Viapiana. Dante Mendonça, Solda, Sampaio, Benett, Edu e mais de trocentos desenhistas de Curitiba.Chavenización...
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, recebe uma camisa da Seleção Brasileira com seu nome, antes de evento no Paraná, ao lado do governador Roberto Requião (PMDB); a Venezuela anunciou hoje que deixa a Comunidade Andina de Nações (CAN).
Um dos culpados por Lula ter chegado à presidência da República é Karl Marx. Por causa dele passou-se a ver no operário uma figura mítica. Lênin, já no poder, diante dos conflitos envolvendo bolcheviques e mencheviques. pensou que a solução seria trasladar um grupo de operários diretamente das linhas de produção para o parlamento (na Rússia, Dieta). Como se o "ser social" operário fosse uma garantia. Umberto Cerroni, num livro seu sobre partidos políticos, tão pequeno quanto denso, diz que partidos proletários na sua adolescência, espécie de necessidade de auto-afirmação, intitulavam-se de "partidos operários". PT "partido dos trabalhadores". "Como se os demais fossem vagabundos", reclamou "Bob Fields" (Roberto Campos). Aqui no Brasil o proletariado tinha seu partido político no PCB. O PCB tentou chegar ao poder na marra em 35 ("sin los campesinos"), se deu mal. Mas aprendeu com a experiência. E passou a "pensar" nisso. De 1958 (Declaração de março) pra cá o PCB passou a levar em consideração a democracia. O PT nasceu como um partido "off road". Seus "pais fundadores" foram sindicalistas das greves do ABC de 78 (Lula, etc.), intelectuais de esquerda (FHC inclusive) e esquerdistas derrotados na luta armada contra a os militares de 64. E, claro, a esquerda da Igreja.O PCB não era um monolito, havia luta interna. A facção que propunha a democracia como um caminho para o socialismo foi derrotada e expulsa do partido antes do advento de Gorbachev. O PT apostou, com diz Luiz Werneck Vianna, na "gramática do social". E, desprezando as teorias do PCB sobre democracia como "caminho" para o socialismo, e armado de um projeto de chegar ao poder a qualquer preço, chegou lá (Lula lá). O problema é que Lula usado como ícone pela esquerda armada derrotada não é um daqueles personagens que o marxismo produziu vários: Lula não é nenhum Gramsci, Agostinho Neto, Amilcar Cabral, ou seja não é um Estadista marxista clássico. É um operário esperto, só isso.
Ferdo (comentário extraído do blog)
Quarta-feira, Abril 19, 2006
Gibiteca pede socorro!
A Gibiteca de Curitiba, primeira da América Latina e reconhecida como uma das importantes do mundo, mais uma vez, está mudando de endereço. Ela irá para a Praça Garibaldi, 7 (antiga sede da Fundação Cultural de Curitiba), a localização é ótima, mas o novo espaço é ainda inadequado e menor. O local anterior já era um desrespeito e um descalabro, confinada que estava a um porão úmido que vinha deteriorando o rico e raro acervo. A Gibiteca, de bela história, será resumida a uma sala para os cursos e uma outra para todo acervo, móveis e demais materiais. Ou seja, no local não cabe nem a metade do que já foi conquistado desde sua criação, em 1976, quando um grupo de desenhistas, liderado pelo arquiteto Key Imaguire, publicou o primeiro número do Gibitiba. A Gibiteca nasceu e cresceu no Solar do Barão e ali realizou grandes exposições, palestras e memoráveis cursos para jovens artistas. De suas amplas salas surgiram importantes profissionais do cartum e quadrinhos. A atual diretoria da Fundação Cultural de Curitiba tem as melhores intenções quanto ao futuro da Gibiteca. Porém, por falta de informações de assessores graduados, não está sendo devidamente informada de que esta mudança, nestas condições, significa que a Gibiteca terá que se desfazer de desenhos originais, cartazes, acervo de vídeo sobre HQ e materiais diversos.Lamentável. Em cada mudança, perde-se um pouco mais da Gibiteca. Na coluna deste domingo, no O Estado do Paraná, volto ao assunto. Dante Mendonça As estrelas do Purunã.
A "começão" julgadora, presidida pelo gourmet Ivo Arthur, foi soberana e, depois de muita confabulação e mastigação, foram anunciados os vencedores, que foram todos. E apenas três os promulgados: 1 - Equipe Westaflex de Pascal Lepoutre; 2 - Equipe de Ivo Garret e família; 3 - Equipe de Carlos Choma.
Siritango.
no me atendieron
o Sonrisal
irradiado por la Rádio Belgrano
fenomenal
sin bacalao y un pastel de carne
nel Oriental
comi um cachorro-quiente
mas mucho quiente
pele toda mi boca
quede piantao
sinuca
piruca
de porradas
sé que me quieres cubrir
só porque Ia otra noche
yo me fué
(aladonde?)
en el Bar Rei do Siri
(tchan-tchan)
Mercer, Solda, Ernani Buchmann
Vivos e Mortos nas manhãs de domingo.
Ontem não acordei com os sinos da igreja do Campo Comprido. Já estava em pé antes das badaladas, possuído pela síndrome domingueira madrugatória da qual sou vítima. Sou louco por manhãs de domingo. Descobri, graças à sensibilidade de meus largos orifícios nasais, que domingos costumam ter o mesmo cheiro em qualquer cidade do mundo ocidental. Isso já se deve – outra vez, graças – à antiga, hoje desarticulada, capacidade caminhante das minhas pernas.Sobre elas, pude estar inúmeros domingos a bisbilhotar hábitos de vivos e mortos. De San Francisco a Jesusalém, de Santiago a Estocolmo, de Edimburgo a Buenos Aires, lá estive eu a vasculhar as manhãs de domingo. Em Denver frestei um culto movido a gospel que parecia saída do paraíso. Talvez percam, aquelas pessoas com voz de Billie Holliday, talvez percam apenas para as católicas cubanas, regando com salsa a missa da catedral de Havana. Caí trocando as pernas no Hyde Park, em Londres, porque não serei jamais capaz de andar em linha reta e admirar um carvalho ao mesmo tempo – aos domingos pela manhã. Quebrei, na queda, a melhor máquina fotográfica da minha mulher – por acaso, fotógrafa – enquanto ela procurava o melhor ângulo para fotografar a velha árvore. No centro de Los Angeles, à falta de gente, considerei ser a única pessoa a por ali ter trafegado em dias de domingo. Quis distância, caminhei para longe daquele deserto, talvez encontrasse o túmulo de Charles Bukowski. Chamei por ele, usando minha variação rouca de voz. Quem sabe o Hank safado desse as caras. “Nem tente”, pareceu falar.No tempo em que minhas pernas tinham capacidade para me levar, andei por muitos cemitérios nas manhãs de domingo. Estive no de Chacarita, não para ver o túmulo de Perón, mas o de Carlos Gardel. Comprovei encostando o ouvido direito – o único que me permite ouvir – na laje escura: está cantando melhor que nunca. Passei pelo da Recoleta, esbarrando nas velhas de preto, flores e terços nas mãos, dignas em seu luto, prontas a curtir seus mortos. Evita, desculpem: evitei.Poty Lazzarotto um dia me disse estar indo a Praga. Havia lá uma escada, contou, que não levava a lugar nenhum. Anos depois, domingo cedo, procurei em vão por aquela escada. Estive na casa de Kafka, não vi mais do que um balcão de bugigangas turísticas lembrando o antigo morador. Minhas pernas tinham sido lentas demais, meu atraso podia ser medido em décadas. Não fui ao Pére Lachaise, em Paris, mas caminhei muito pelos seus domingos, até encontrar o mercado das pulgas – Le Puce - de Clignancourt. Num sebo, com livros expostos sobre um cobertor, no chão, dei com uma edição do Marco Antônio de Shakeaspeare traduzida por André Gide. Vim saboreando aquela raridade até ajeitar o livro entre outros clássicos, em minha casa, onde ele criou pernas. Sumiu, levado – tenho certeza, só pode ter sido – pelo Paulo Leminski, velho pirata livresco que não morreu domingo de manhã, dedicado a surrupiar exemplares de acervos diversos, da Biblioteca Pública à estante dos amigos.Ano passado, minha enteada pediu para conhecer um cemitério, curiosidade de adolescente. Aproveitei o domingo seguinte para levá-la ao Água Verde, saboreando os derradeiros movimentos coordenados das minhas pernas.Os sinos da paróquia badalavam enquanto eu mostrava a ela as ruas. Junto ao túmulo do poeta sacana, perguntei pelo Shakeapeare desaparecido. Mantiveram-se em silêncio, ambos os bardos. Passamos bom tempo admirando o mural em azulejos da família Lazzarotto, eu tratando de explicar ao membro mais famoso da família não ter encontrado a escada de Praga.A menina perguntou se era possível esperar resposta. Não agora, respondi. Se os sinos estavam tocando era sinal de meio-dia. Os mortos só falam nas manhãs de domingo. Ernani Buchmann
Bienvenido, Hugo!
Nesta quinta-feira Curitiba vai acolher o tenente-coronel Hugo Rafael Chávez Frías, presidente da República Bolivariana da Venezuela. Vem a convite do jornalista Roberto Requião de Mello e Silva, governador do Estado do Paraná. Bienvenido, esta capital de primeiro mundo tem muito o que mostrar ao líder do terceiro mundo. Nos finalmentes, desejando-lhe uma confortável e profícua estada, Curitiba ergue um brinde à América Latina e à Venezuela, com uma última recomendação: se os brindes forem além da conta, e alguém em torno chamar o "hugo", não é "usted", esse é um outro que brindou demais. Dante Mendonça, quarta-feira, 19 de abril, 2006 — jornal O Estado do Paraná.
Terça-feira, Abril 18, 2006
Segunda-feira, Abril 17, 2006
Secreções por atacado, excreções a varejo/Fraga.
Winston Churchill soube apelar. Nunca se saberá o que quanto de sangue, de suor e de lágrimas os ingleses derramaram, atendendo a um slogan. E tudo por esse princípio imperativo da eterna sobrevivência entre os povos – a guerra. A humanidade, porém, é capaz de fazer jorrar a seiva universal também por causas menores. E perfurado de poros e esfíncteres, o corpo vaza sua essência animal por todos os lados, em todasas etapas vitais. A cada fase da existência, corresponde um tipo de doação, voluntária ou in. Pela variedade glandular, continência ou descontrole, de qualquer jeito o nosso calendário secretor e excretor progride. Ou regride, sei lá. No modo arbitrário do Fraga, assim escorre a humanidade:




































































































































































































