Segunda-feira, Julho 31, 2006

Bangladesh.

Hoje, o Concerto de Bangladesh comemora
35 anos. Bah! Parece que foi anteontem.

Joliessima.

Que tal ser genro de John Voight?

Neblina (radiografia de uma manhã).

Se for verdade que costumo praguejar contra o calor de 40 graus do verão, também é verdade que me regozijo com o outono e o inverno da Cidade Maravilhosa. Agora, por exemplo, 7 horas e a neblina anuncia uma manhã fria (13º), limpa e ensolarada.
Quer melhor? Providencie uma xícara de café fumegante e uma música suave pra tocar: When Joanna Loved Me, com Paul Desmond, por exemplo, pode ser terapêutico. Nada de cigarros, como manda o clichê – continuo fora da indústria.

Se houver tempo para ler um poema de inspiração matinal (antes da leitura do jornal), faça exatamente o contrário da simplicidade e puxe da prateleira o labirinto de Borges, o único poeta com moral pra rimar água com água e rio com rio:

Mirar o rio, que é de tempo e água,
E recordar que o tempo é outro rio,
Saber que nos perdemos como o rio
E que passam os rostos como a água

Às vezes, pelas tardes, uma face
Nos observa do fundo de um espelho;
A arte deve ser como esse espelho
Que nos revela nossa própria face

7 e 30 da matina. Do estúdio onde faço estas anotações posso enxergar no maciço da Tijuca, entre o denso nevoeiro, a majestosa colina conhecida como A Cara do Gigante, logo acima do Morro dos Prazeres. Levanto e vou até a janela: clic. À direita, como um espelho d´água, vejo nesgas da baía de Guanabara e da ponte Rio-Niterói. Ao fundo, quase no horizonte e aparentemente aos pés do Dedo de Deus, posso imaginar, mas não posso ver as labaredas da refinaria de Manguinhos, agora cobertas pelo nevoeiro.
Com o foco da violência desviado para São Paulo, esta imensidão de cidade que se espraia até a Baixada Fluminense vive raros dias de trégua e calmaria, se considerarmos roubos de carros e assaltos relâmpagos como crimes secundários. A tendência de um espírito construtivista como o meu, cansado de guerra, é congelar a imagem e eternizar o equilíbrio majestoso da natureza, a harmonia dos contrários.
É o que a Marta Medeiros chama de “momento zen”; deixar para sempre na memória a parte suave e “boa” da vida. Ou da narrativa. Então, com os olhos fechados para o sol e o peito aberto para o abismo, continuo meu obstinado propósito de tentar evaporar – para acordar dois minutos depois. Vamos nessa?

Toninho Vaz, de Santa Teresa

(Para Maria Clara, uma harmonia de 4 anos)
Solda — o monge do Bacacheri, no Cow Parade.
Breve, em toda a cidade.

Garçom, por favor!

Detalhe.

Calcinha? Ah! Project ISM.

Domingo, Julho 30, 2006

Umuarama, 1993.

Solda — o monge do Bacacheri.

Não está no mapa.

A cidade onde abunda a perereca.

Renascença.

Julia Roberts.

Rhodes 3rd International Cartoon Exhibition 2006 ‘ Quo Vadis Terra’

Alcy — do livro Vida de Artista.

Guimarães Rosa em Curitiba.

O projeto Paiol Literário trará a Curitiba o escritor Guimarães Rosa no mês de agosto. Através do pai-de-santo Chunda (dândi, é dândi que se recebis) Rosa baixará naquele espaço e ensinará aos cretinos escritores paranaenses como escrever certim. Uai!

Charge do dia/O Estado do Paraná — 4ª página.

Solda — o monge do Bacacheri.

Detalhe.

Oiés. Project ISM.

Replay.

Cerimônias de adeus.

Harpia, aranha/ sabedoria de rapina e de enredar, de enredar / Perua, piranha / Minha energia é que mantém você suspensa no ar / Pra rua!, se manda / Sai do meu sangue, sanguessuga, que só sabe sugar / Pirata, malandra / me deixa gozar, me deixa gozar (Não enche, de Caetano Veloso).
O circo não pode parar, nem mesmo perante a morte. Nos Estados Unidos surgiram recentemente várias empresas especializadas na produção de festas para velórios. A animada família enlutada procura a funerária da alegria e passa o perfil do falecido. Se o sujeito cultivava o prazer de reunir os amigos para jantar e degustar vinhos de boa cepa, muito fácil. Os produtores providenciam um amplo salão de festas com cozinha anexa, contratam um bom gourmet, um sommelier com sua bem provida carta de vinhos e está feito o féretro festivo. Com o corpo estendido na mesa principal.
Seria um pouco mais difícil para os amigos enlutados se o saudoso praticasse alpinismo e seu último desejo fosse ter suas cinzas lançadas do pico de uma montanha, com a presença todos amigos e parentes.
Almas sensíveis se sentem chocadas com a novidade mercadológica que muito tem prosperado no hemisfério norte, tantos são os foliões dispostos a não perder nenhuma chance de comemorar a vida, mesmo depois de mortos.
Nas cerimônias fúnebres das colônias imigrantes, um dia de velório é pouco, dois é bom, três é melhor ainda. Em muitas comunidades mais retiradas, as condolências duram três dias. Seja velório de alemão, espanhol, japonês ou italiano. Principalmente nos passamentos eslavos e italianos, três dias é o tempo justo para reunir um polaco de cada colônia. Quando parentes e amigos mais distantes estão chegando, os mais vizinhos já estão se despedindo. E a festa, digamos, a “chorradéirra” continua - com muito bolo de fubá e café com leite, canja de galinha na madrugada, maionese e frango assado com farofa durante o dia. Vinho e cerveja não podem faltar. E mais da conta.
Já presenciei um velório onde foi chamado às pressas um marceneiro para remendar o caixão, minutos antes da caleça fúnebre partir rumo ao cemitério no alto do morro. Um dos parentes passou na cozinha para abrir a garrafa de cerveja, e nada de achar o abridor. Foi então à sala de visitas, onde estava o venerado, firmou a tampa da garrafa na borda do caixão e - PLAFTT!!! - abriu a garrafa, mas a tampa de metal tirou uma lasca de mais de um palmo na madeira. Até a viúva escondeu uma risada com as mãos.
“Quando eu morrer” - canta o compositor popular - “não quero choro nem vela”.
No Brasil, já se adotou o hábito de puxar aplausos para defuntos famosos, quando o caixão é alçado à tumba. O que em muitos casos soa bem falso, principalmente na presença das câmeras de televisão.
De vaias e apupos com o corpo presente, ainda não se tem notícia. Deve ser pelo caráter cordial do brasileiro. Mesmo sendo um juramentado canalha, o defunto tem direito a um minuto de silêncio no campo de futebol.
De uma forma ou de outra, a cerimônia do adeus é um momento de contrição, quando o respeitoso silêncio reverencia os méritos daquele que parte. Uma reverência que só não pode ser dedicada à máfia de políticos sanguesssugas que se locupletaram de doentes e desvalidos à beira da morte.
Vamos guardar os nomes, anotar os endereços. A essa corja nossa brava gente deve dedicar, nas eleições de outubro, as cerimônias de adeus. Um carnaval profano na partida para o inferno, vinho e cerveja, ruidosas manifestações de júbilo nos proclamas de falecimento político. Foguetório, com o povo atrás do trio elétrico cantando com Caetano Veloso:
“Sai do meu sangue, sanguessuga, que só sabe sugar / Pirata, malandra / me deixa gozar, me deixa gozar”.
Dante Mendonça [30/07/2006] O Estado do Paraná

Sábado, Julho 29, 2006

Pauline.

Pauline Black, a voz. The Selecter. Oiés, ska!

Gráfica — Arte Internacional nº 57

Hermenegildo Sábat, uruguaio que adotou a Argentina para ensinar a arte do cartunismo. Margo Chase, americana que assina os álbuns de Prince e Madonna e faz história nos Estados Unidos.
Ikko Tanaka
, japonês e sofisticado em sua tipografia oriental que encanta o Ocidente. Eduardo Pappalardo, brasileiro de São Paulo que faz da fotografia uma janela para um olhar todo especial. Walter Mancini, brasileiro e cidadão do mundo com suas colagens, pacotes mágicos cheios de arte e elaboração com as letras do alfabeto.
Escala
, agência publicitária de Porto Alegre em nosso espaço especial na publicação. Como se vê, a Gráfica - Arte Internacional57 dispensa qualquer adjetivo. Só cabe mesmo dizer que é um prazer compartilhar esta edição com você.
Giem Guimarães — Diretor Geral/Gráfica Posigraf.

Aquele tem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Hoje passei a tarde ouvindo Madness. E já estou com os ouvidos preparados para escutar amanhã The Selecter, com a grande Pauline Black.

Umuarama, 1992.

What?

Solda — mil novecentos e rin-tin-tin
Solda — o monge do Bacacheri.

Rio Tibagi.

Anda lavando a calçada com água? O carrinho com o precioso líquido? Toma banho de meia-hora? Pó pará! Pó pará! Do jeito que as coisas estão temos que economizar como puder a água que já está sendo racionada em muitos lugares. Sacou?

Ela.

Sandra Bullock. Precisa mais?

Psiu!

Umuarama, 1992.

Wow!

Depois de ter parado para tomar todas num bar clandestino, o motorista de um ônibus no Zimbabwe percebeu que os 20 doentes mentais que deveria levar para um asilo em Bulawayo, fugiram.
Tentando esconder sua negligência, foi até uma parada de ônibus e ofereceu transporte de graça para as pessoas que estavam esperando no ponto.
A seguir, foi até o asilo e entregou os passageiros, dizendo que eram muito perigosos e inventavam historias incríveis para tentar fugir. O engano só foi descoberto vários dias depois.

Pentelhando, sempre.

Américo Vermelho também preserva
a Mata Atlântica.

Charge do dia/O Estado do Paraná.

Solda — o monge do Bacacheri.

Rhodes 3rd International Cartoon Exhibition 2006 ‘ Quo Vadis Terra’

Sexta-feira, Julho 28, 2006

Detalhes.

Project ISM.

Tóquio by Schpatoff.

Qual a sua tribo ? Hip-hop, hard-core, punk-rock ? Você vai encontrar algo que lhe agrade no Tokyo Band Summit 2006, festival de bandas "amadoras" do Japão, cujos vencedores serão os astros de amanhã aqui na Ásia !
Alcy, do livro "Vida de Artista", Devir Livraria.

Apparício Torelly.

Teresina.

Em novembro, lá no Piauí. Oiés!
em verdade vos digo:
nada tenho
contra meu umbigo
solda
(para clarah averbuck)

Umuarama, 1992.

Solda — o monge do Bacacheri.

Mata Atlântica.

Like the good old times.
Punk Reggae Party.

Charge do dia/O Estado do Paraná.


Solda — o monge do Bacacheri.

Quinta-feira, Julho 27, 2006

Imperdível!

A última entrevista com Jamil Snege,
na revista Idéias,48, da Travessa dos Editores.
Nas melhores bancas e livrarias.

Estalagem das almas.

Do livro " Estalagem das almas", texto
de Karen Debértolis, fotos de Fernanda Magalhães.

War!

Desenho para revista Where Curitiba.

Solda — o monge do Bacacheri.
Walter Vasconcelos.

Charge do dia/O Estado do Paraná.

Dante Mendonça, homenageando Jô Oliveira.

O que é que os outros vão dizer?

Cresci à sombra dessa frase-ameaça, símbolo / síntese/ totem da nossa (curitibana) pudicícia, timidez, excesso de respeito pela opinião alheia.
Os outros são uma loucura.
Tem um que. Tem um outro. Tem um que outro. E tem cada outro que vou te contar.
Outro é o tipo de negócio que nunca falta. Para cada um que sim, tem um outro que não. E talvez um outro.
A opinião dos outros já me tirou o apetite. Um outro não me deixou dormir. Teve certas camisas que nunca usei por causa dos outros.
Outro caso são as outras. A outra. Eu sou a outra na vida dele. O fato é que não se pode viver sem essa estranha companhia: os outros. Quem são os outros? Metafísica pergunta que Universidade alguma responde.
Não é qualquer um que é o outro. Basta um pouco de intimidade, ela se vai o outro, transformado em íntimo, a pior modalidade de outro que se pode imaginar.
Nos anos 60, a intelectualidade curitibana era toda sartreana. Até os marxistas eram, secretamente, acendendo, em público, uma vela a Marx e, em casa, no recesso do lar, um círio (Jamil Snege acendia um sírio) ao casal Sartre- Simone.
O que mais fazer numa cidade sem portas, nem janelas?
Extrapolo.
Tudo o que eu queria dizer é que, com Sartre, aprendemos a escrever outro com maiúscula. O Outro. Aí o caso é mais sério.
O outro, virando o Outro, transformava-se numa espécie de monstro da família de Drácula, Nosferatu, Frankenstein, Monstro da lagoa negra, Fuscão Preto, INPS, Abominável Homem das neves.
Aprendemos, ainda, a outridade, o outrimento, tudo modalidades de manifestações desse prestigioso portento.
Alguns exageraram nessa paixão pelo outro.
Um dia, acordaram, foram ao espelho. E lá estava o Outro refletido no reflexivo vidro do banheiro. E fizeram a barba do Outro mesmo.
Hoje os tempos são outros. Outros os hábitos, outras as preocupações. Mas, vez por outra, ainda me lembro daquele monstro com o carinho com que lembramos das visagens e assombrações da infância.

E só.
Hoje, pra mim, o outro entra por um ouvido.
E sai por outro.
Paulo Leminski.
Fim de Semana – suplemento de O Estado do Paraná – edição de 12 de novembro de 1982.

Rhodes 3rd International Cartoon Exhibition 2006 ‘ Quo Vadis Terra’

Detalhe.

Project ISM.

O Sol (nas bancas de revistas).


Martha Alencar: cuidando da memória nacional
Na terça, fui encontrar alguns amigos no Cine Santa Teresa, na pré-estréia do documentário “O Sol, caminhando contra o vento”, que já tinha visto no Festival de Cinema, em abril. A diretora Tetê Moraes foi a grande ausência da noite, pois estava em Curitiba fazendo o lançamento do filme quando perdeu o avião. Minha amiga Martha Alencar, coo-roteirista da história do jornal que foi atração em 68, seria ovacionada ao término da sessão pelo distinto público que lotava (40 lugares) a pequena sala de projeção. Depois manteve um bate-papo com a platéia, onde os mais jovens (a maioria favelados) eram os mais animados.
Meu interesse era rever uma foto rara do Solar da Fossa, tema do meu próximo livro, que aparece rapidamente no filme.
O Sol, na verdade, era um encarte do Jornal dos Sports, páginas cor-de-rosa e um elenco de primeira: Reinaldo Jardim, Zuenir, Henfil, Cony, Luis Carlos Sá (o mesmo que faz música com Rodrix e Guarabira), Ana Arruda, Luis Carlos Maciel, Gil, etc.
A Martha, que já ostentou o título de única mulher na redação do Pasquim (a Dona Nelma não vale, era secretária administrativa), estava animada também com o final das filmagens de “Casa da Mãe Joana”, que o maridão Carvana já está montando.
Foi uma noite agradável, quando o poeta Jorge, fazendo representar a verve dos Salomão (ele é irmão do Wally) saudava em altos brados a iniciativa de se resgatar a memória nacional do limbo do esquecimento.

Toninho Vaz, de Santa Teresa

Quarta-feira, Julho 26, 2006

Porto Seguro/carnaval 1993.

Bah!

Desenho de FontanarrosaEl Negro.

Porto Seguro/Carnaval 1993.

Solda — o monge do Bacacheri.

O preço da paisagem.

Miguel Bakun
“Cada vez que me falam de cultura, puxo logo o talão de cheques.” A frase famosa é do milionário Nelson Rockefeller. No Brasil, quando se fala em cultura, alguma autoridade puxa de uma nova lei. Em Curitiba, certos artistas plásticos vendem suas obras por metro linear. Agora, elas valem também por metro quadrado.
As artes plásticas de Curitiba, pelo ponto de vista do vereador Stephanes Júnior, são uma natureza morta carregada nas tintas da boa vontade: é de sua autoria uma lei municipal já em vigor que prevê incentivos fiscais para construções que incorporarem obras de artistas plásticos curitibanos em saguões, salas de entrada, jardins ou acessos de prédios.
Em contrapartida, edificações novas ou reformadas da cidade poderão aumentar o potencial construtivo em até 2% se aderirem à benesse idealizada pelo vereador. A nova lei de mecenato atinge projetos de reforma ou construções novas. O projeto artístico deve passar pela análise e aprovação de uma comissão especial. O pagamento do artista não é proporcional ao benefício recebido pela construtora; a cor do dinheiro será estipulada livremente entre as partes.
Numa pincelada rápida, um edifício projetado para 50 andares, digamos, pode ganhar um andar a mais se a construtora contratar um artista plástico para pintar uma natureza morta numa parede interna ou externa. “51... é uma idéia!” - diria o empreendedor. De fato, é uma boa idéia: os empreendimentos imobiliários de Curitiba ganham 2% em novos negócios e os artistas plásticos, mil novos pontos de exposição - que é o número médio de edificações por ano em Curitiba.
Tudo muito bonito, muito chique, muito bom. Os artistas plásticos parecem estar bem contentes com a aprovação da lei e a suposta generosidade dos contribuintes municipais. Entretanto, à sombra do concreto se esconde não uma questão técnica, mas uma questão de ética.
Uma cidade tem seus regulamentos para tornar confortável o convívio urbano, parâmetros para ordenar o seu crescimento e leis para conter a voracidade da construção civil. O “potencial construtivo” é uma exceção à lei, moeda de troca para proteger o patrimônio histórico e agora investido na função de criar mercado para essa nossa gente que, acredita-se, sempre foi engajada na luta pela qualidade de vida da população, no futuro, no sonho e na utopia.
Essa nova benesse é a “lei dos 2%” - percentagem da compra e venda de corações e mentes.
É justo que os artistas tenham incentivos para ocupar espaços em novas e velhas edificações. Só não é justo comprometer o futuro de uma cidade em causa própria. Não é ético, mesmo que sejam apenas modestos 2% de um puxadinho. Quando o artista se presta a vender 2% do potencial construtivo de sua paisagem urbana, está vendendo também 2% do potencial de sua alma criativa. Faz de sua obra mercadoria imobiliária, objeto de beleza em meio ao caos.
Currículo de Miguel Bakun, num hipotético tempo futuro.
Nascido em Marechal Mallet, PR, com quinze anos foi aprendiz de alfaiate e depois ingressou na Escola de Aprendizes da Marinha em Paranaguá. Transferiu-se para o Rio de Janeiro e na Marinha de Guerra, conheceu José Pancetti, ainda no início da carreira de pintor. Um encontro decisivo para Bakun. Em 1930, uma queda sofrida no navio o impossibilitou de continuar a carreira naval. Transferiu-se então para Curitiba, onde passou a dedicar-se exclusivamente à pintura.
Algumas mostras de sua obra foram realizadas postumamente na capital paranaense. Participou diversas vezes do Salão Paranaense de Belas Artes (prêmio de aquisição em 1947, menção honrosa em 1948, medalha de bronze em 1949, medalha de prata em 1950, novamente prêmio de aquisição, 1951 e 1962, e sala especial em 1963).
Atormentado, pobre, viveu muitas privações. Foi ao suicídio, ao tomar conhecimento de que suas obras foram trocadas por 10 mil metros quadrados da paisagem de Curitiba.
Dante Mendonça [26/07/2006] O Estado do Paraná

Charge do dia/O Estado do Paraná

Solda — o monge do Bacacheri.

Terça-feira, Julho 25, 2006

Putz! Na Jamaica ninguém usa capacete, tchê!

Wilson Bueno no Miami Herald.

Wilson Bueno 'Mar paraguayo':
un zoo de signos - Especial/El Nuevo Herald.

Entre el portugués, el español, el guaraní: ahí, como joycista pez en el agua, se mueve el brasileño Wilson Bueno (1949), quien nació en Jaguapitá, a 5 kilómetros de Londrina, en el río Paraná.
Wilson ha publicado varios textos, entre ellos: Bolero's Bar, con presentación de Paulo Leminski (el experimentalista de vanguardia, también paranaense); Manual de Zoofilia; Ojos de agua; y el texto que aquí presentamos, Mar paraguayo (novela, si no es que el lector --tomando la batuta del crítico-- deseara ubicarla dentro de otro género o, lo que quizás fuera mejor, pensara que era mejor dejarla fuera de toda clasificación), publicada en 1992, con lindo prólogo del argentino Néstor Perlongher, y que la argentina editorial tsé-tsé, ha reeditado (2005) en bonita edición.
Un mar paraguayo --o lo que sea-- entonces, como sabroso berenjenal bendito de amasijo de lenguas, es lo que trae el Wilson Bueno, y esto iniciándolo con estas iluminadas palabras aclarativas --¿aclarativas?-- de endemoniado texto novelesco: ``Un aviso: el guaraní es tan esencial en nesto relato quanto el vuelo del párraro, lo cisco en la ventana, los arrulhos del portugués o los derramados nerudas en cascata num solo só suicidio de palabras anchas. Una el error de la outra. Queriendo-me talvez acabe aspirando, en neste zoo de signos, a la urdidura essencial del afecto que se vá en la cola de escorpión. Isto: yo desearía alcanzar todo que vibre e tine abaixox de la línea del silencio. No hay idiomas aí. Solo la vertigen de la linguajem''.
Pero ¿cómo es esto? ¿Cómo aposentarnos en este entrevero delirante (pero, ¿qué no es delirante en esta simpática novela?), para poder orientarnos mejor? Recojamos puntos:
Primero el guaraní. Digamos que el guaraní es como catalizador para meterse por la selva del delirio, ya que el Wilson nos ofrece, al final de su novela, un elucidario espléndido, donde las palabras, por sí solas, nos familiarizan con el relato. Un guaraní, entonces, el traído por Wilson, donde a través del mito (el Suruvu), la palabra se convierte en pájaro. O donde, a través del vocablo tiní, o del vocablo chini, o del vocablo chororó, el agua original se nos concretiza como ruido de lo que hierve, o como barullo, o como lo semejante al ``sonido agudo o de pecho, de las vías respiratorias''.
O es un guaraní como una gnosis, mostrado por el vocablo achy como ``la naturaleza necesariamente mortal, finita y mala del mundo, antes de la Tierra Sin Mal''.
Pero, sobre todo, el guaraní ofrecido por Wilson Bueno, está iluminado por palabras como ''oguera-jera'', en donde el autor brasileño nos advierte sobre la irrupción de algo como esto: de ''algo así como desdoblarse a sí mismo en su propio desdoblamiento; el doble del doble del doble''. Así como, aunque no nos podamos extender en ello, no podemos dejar de señalar que el guaraní de esta novela tiene, en ciertas ocasiones, una alucinante relación con lo microscópico, lo diminuto: ``lo ínfimo --se nos dice--; superínfimo; cosa (casi) invisible''.
Y, ¿podemos aclararle más al Lector? Pues bien, sí, podemos terminar esta reseña, con lo que creo que pueda ser mejor para aclararle al Lector lo que pueda ser este mar paraguayo: transcribir algunas aclaraciones que, en una entrevista con Douglas Diegues (Diegues acaba de publicar unos sonetos salvajes), ofreció el brasileño Wilson: Marca del escritor --``Nunca me resignaré --dice Wilson en su entrevista-- a la narrativa propiamente dicha que siempre me sonó un poco falsa y bastante artificial. Consideré, desde temprano, la vieja ars literaria, como un ejercicio de lenguaje. Narrar, sí, pero a partir de que esto fuese atomizado por la poesía. Yo siempre busqué una prosa que no descalificase la cintilación de la poesía''.
Explicación del Mar paraguayo. ''Situé la novela en Guaratuba --aclara Wilson--, en el litoral del Paraná, no sólo porque allí se asilaba el presidente recién depuesto del Paraguay, el generalísimo Alfredo Stroessner, sino porque Guaratuba es efectivamente el ``mar de los paraguayos'', una de las estaciones de veraneo preferidas por la clase media paraguaya... Y también porque era fundamental para la propia concepción de la novela que ella apuntase hacia la desterritorialización, que es una de las grandes marcas del neobarroco. En consecuencia, esta ''geografía'' del todo inusitada con ''paraguayo'', evidenciando desde el título, una cosa que no existe ni nunca existió. Pero al juntar las ''geografías'' y dotar al Paraguay de un mar, yo hice como quien, digamos, se abraza: dame el susurro guaranítico de la palabra ''paraguay'' y te doy un mar...
Además, todo es mixtura e ''inversión'' en este libro, aparte de su inherente ''perversión'' en muchos sentidos, creo...... Pero lo mejor de Mar Paraguayo, para mí, es este borrar todas las fronteras, la indeterminación, como en la Teoría del Caos, generando leyes sutiles de inauditas indeterminaciones. La ley de esta novela es que la lengua no tenga ninguna ley, constituida invariablemente en devenir...''.
By Lorenzo Garcia Vega

Mijão.

Sísifo.

La Chica de Hoy.

Oh, guajira! Project ISM.

Crist na Grécia.

Dear Sir
We would like to congratulate you for having won an Honorary Mention for the Rhodes 3rd International Cartoon Exhibition 2006 ‘ Quo Vadis Terra’. We will cover your Hotel accommodation if you are able to be here for the award ceremony and opening of the Exhibition on 1st of September 2006.

Please let me know as soon as possible for Hotel reservations.

Sincerely
Iris Mavraki.

Segunda-feira, Julho 24, 2006

Restaurante zaponês.

Restaurante popular localizado em Harajuku, ao lado do parque YoYogi, cujo "Ramen" (sopa com macarão — de origem chinesa) é um dos melhores da cidade. Detalhe: no verão é servido gelado, com cubos de gelo. Na foto, o chefe manda uma saudação aos leitores do blog do Soruda-san!
George Schpatoff, de Tóquio.
Solda — o monge do Bacacheri.

La Chica de Hoy.

Bom dia. Project ISM.

Memória analógica.

Torres e seu bonezinho: descobrindo talentos.

Tenho poucas e boas histórias com Antonio Torres, meu vizinho nos tempos de Ipanema. Ele morava na Souza Lima e eu na Antonio Parreiras: quatro quarteirões nos separavam, mas o bar Jangadeiros, na Praça General Osório, nos aproximava. Certo dia, tipo 1992, entre um chope e outro, o autor de “Um Táxi para Viena d´Áustria” desafiou: “Você tem alguma novidade, coisa realmente interessante para meus leitores?” (Ele escrevia uma coluna aos sábados no Jornal do Brasil). Eu não pensei muito:
“Olha, esta semana fui conhecer a produção poética da Dóris Giesse, minha colega na televisão, que armazena uma impressionante safra de poemas inéditos escritos desde os 18 anos. Separei uns 40 para formatar um livro de estréia da loura. Estão numa pasta na minha casa.” O Torres, aparentemente, duvidou de alguma coisa:
“Mas, bons mesmo? Pode me mostrar algum?”

Eu tinha memorizado apenas dois ou três, aqueles que me pareceram mais impressionantes, e mandei um deles:

Fêmea? Sei é que sou tão macho
que sorvo o pênis mais próximo
Melhor ainda se for amado
só para ter de volta
o que por uma ira genética
me fora mutilado


O meu recital improvisado provocou um visível impacto no Torres, que ficou olhando para o ar imaginando o rosto andrógino da moça. E quis saber:
“Os outros são da mesma qualidade?”
“Melhores”, respondi. “Quer ver?”
E mandei dois não-eróticos que provocaram o
mesmo efeito – pelo repertório e agilidade. O Torres ainda murmurou: “Que coisa impressionante”. No final de semana o assunto estava nas páginas do JB com o título: “Dóris para leitores”, onde ele informava que a descoberta literária deveria ser transformada em livro, etc. Dias depois, quando nos reencontramos na mesa do Jangadeiros, ele estava visivelmente acabrunhado pelo excesso de críticas e “quase-ofensas” que recebera dos leitores (amigos) por dar crédito a uma, digamos, vedete. Era esse o tratamento que a Dóris mereceu: vedete.
Agora, 14 anos depois, nos encontramos no Café Antonio Torres, no mezanino da livraria Letras & Expressões, no Leblon, para falar de amenidades e tomar cerveja. O café, como já deu pra perceber, é uma homenagem da livraria ao meu amigo, recentemente consagrado na França, onde suas obras ganharam tradução e grande espaço na mídia. No bate-papo, lembramos do assunto Dóris e, numa conferência rápida, pudemos avaliar que, passados tantos anos, ambos mantivemos os valores daquela descoberta. E, como num lance de dados, o dado mais impressionante foi a constatação de que – por motivos intangíveis e/ou preconceituosos – o livro da Dóris continua inédito.

Toninho Vaz, de Santa Teresa
Desenho para a revista Where Curitiba.

Domingo, Julho 23, 2006

Desenho de FontanarrosaEl Negro.

Mr. Shit.

Solda — o monge do Bacacheri.

Mata Atlântica.

Há anos a moda era outra. Pentelhando, sempre.

Gianfrancesco Guarnieri — 1934/2006.

"A questão da transformação, eu acho que continua. Não escrevo nada que não vá transformar. Agora, ao mesmo tempo, não posso me esquecer daquela tendência à ingenuidade na nossa juventude. De achar que vai dar tudo certo, é assim mesmo, ah, não tem galho, porque a gente sempre termina ganhando.
Depois, percebemos que não era nada disso. O que realmente não admito é deixar a bola cair. Há momentos em que cai; puxa, tudo é uma bosta. Mas isso é um momento e, depois, deixa de frescura, bicho, vai em frente".

Vale a pena ver de novo.

Mulheres bonitas — Marisa Monte.

Divisões mal divididas.

Alguém já dividiu a humanidade ao meio: entre aqueles que dividem a humanidade em dois grupos e os que não. Subdividir o dividido tem sido um prazer que divide as pessoas. Na divisa entre uns e outros, a tentação é encontrar divisores não tão previsíveis, ou pelo menos mais inesperados. Como nada na vida é indivisível – a não ser a desgraça alheia – aqui vão algumas divisões cujo quociente é, como tudo na vida, inexato.
A humanidade se divide entre os que acham que o pão cai sempre com a manteiga virada pra baixo e os que não sabem o que é manteiga.
A humanidade se divide entre os que pulam a cerca e os que passam por baixo dos alambrados moralistas.
A humanidade se divide entre xiitas da mesma tribo e xiitas de outras tribos.
A humanidade se divide entre os formados que conseguiram vaga no mercado e os formados conformados.
A humanidade se divide entre os que batem na madeira por superstição e os que fazem toc-toc na fórmica por deboche ecológico.
A humanidade se divide entre os que aspiram por enxaquecas menosdolorosas e os que aspiram por aspirinas mais eficazes.
A humanidade se divide entre os manipulados pela mídia e os manipulados pela desinformação.
A humanidade se divide em doidos varridos e doidos com vassouras.
Etc.
Solda — o monge do Bacacheri.

La Chica de Hoy.

Wow! Project ISM.

Um verso prodígio.


Alfred Kinsey (1894-1956), célebre pioneiro da sexologia, responsável pelo não menos célebre Relatório Kinsey, que mapeou, ao final dos anos 40, o comportamento sexual dos americanos - para escândalo, na época, de puritanos e novos puritanos -, foi um ser humano de rara precocidade. Mas precoces somos muitos.
E em diversas escalas. Eu mesmo fui menino prodígio em Curitiba, assinando, profissionalmente, crônica semanal, na Gazeta do Povo, com menos de 15 anos. E nem por isto tocou-me a genialidade, mais que lírica, de Alfred Kinsey, por exemplo. Vocacionado desde cedo à Ciência, aos 12 anos escreveu uma pequena obra-prima, incomum sobretudo pelo título: O que fazem os pássaros quando chove?
Há versos prodígio que nos ficam na memória feito uma “música incessante”, para lembrar a quase sempre esquecida Cecília Meireles, a mais musical de quantas poetas musicais nos foi dada a língua portuguesa. Reouça o leitor de apurado ouvido: O que fazem os pássaros quando chove?...
Não bastassem as palavras a soarem pura música, há por trás da, digamos, “dicção” do título - luminoso verso de onze sílabas a ecoar em inglês com mesma intensidade poética -, o gozoso mistério que só as crianças, os santos e os loucos são capazes. Intrigante pergunta (O que fazem os pássaros quando chove?) a clamar por uma resposta que, de certo modo, não existirá jamais.
O que fazem, leitor, os pássaros, quando chove? Migram pressurosos aos ninhos? Buscam o abrigo das grandes folhas? Tiritam de frio nos postes sozinhos? Guardam-se sob os beirais afortunados, ao risco e acaso do vôo? Afinal, o que fazem os pássaros quando chove?
Formulada por um menino de 12 anos, em 1908, há quase cem anos, portanto, a indagação-poema percute em nós feito uma canção antiga, sem que nada nem ninguém alcance demovê-la de seu inenarrável encanto. What do birds do when it rains? Isto é - O que fazem os pássaros quando chove?
Nem Shakespeare seria mais feliz neste “idioma condenado à poesia”, como costumava acentuar o cronista britânico Raphael Holinshede... Aliás, para os que não sabem, Holinshede (nascido em 1580) foi quem forneceu ao bardo de Stratford-upon-Avon os subsídios históricos para sua até hoje insuperada dramaturgia.
Mas também ele, Holinshede, expert em história inglesa, e igualmente poeta de mérito, não foi capaz de tocar o mistério profundo de um só verso prodígio: O que fazem os pássaros quando chove? Talvez Bashô e seus discípulos pudessem, quem sabe, chegar a um título desta natureza.
Mas como, na poesia oriental inexiste titulagem de poema, sendo o próprio poema, e a poesia em si, coisa bem diversa da que concebemos os ocidentais, não o fizeram nem nunca o farão. Melhor para o precoce Kinsey que, além de ter sido o primeiro sexólogo da História, marcou, de modo surpreendentemente distraído, a sua então findante infância, com, a meu ver, um dos mais puros e cristalinos versos da língua inglesa. Não é pouca coisa. What do birds do when it rains?
O que fazem, mesmo, leitor, os pássaros, quando chove?
Wilson Bueno [23/07/2006] O Estado do Paraná

Charge do dia/O Estado do Paraná — 4ª página.

Solda — o monge do Bacacheri.

Charge do dia/O Estado do Paraná — capa

Dante Mendonça — Neotrentino

O Zoológico de Catanduvas.

No dia 12 de outubro do ano passado, esta coluna arriscou dizer que a transferência de Fernandinho Beira-Mar para Santa Catarina, naquela temporada, tinha uma justificativa: a celebridade desejava degustar o chope artesanal da Oktoberfest e conhecer os destinos turísticos dos vizinhos ao sul. Dizia então, “o Paraná que o aguarde!”.
Escrito está, os périplos de Fernandinho Beira-Mar fazem parte de um conluio entre o Ministério da Justiça e o Ministério do Turismo, com a intenção de mostrar o Brasil para os brasileiros. Poucos nativos conhecem os céus do Brasil como este turista acidental: preso na Colômbia, em março de 2000, sua vida foi viajar por este País. Apreciou a arquitetura de Oscar Niemeyer, em Brasília, passou o Carnaval no Rio de Janeiro e conheceu as riquezas do agronegócio no interior paulista.
O endereço onde Fernandinho ficou hospedado em Florianópolis é dos mais chiques da ilha e o nome tem tudo a ver: na Beira-Mar Norte, ao lado da residência oficial do governador. Com uma fantástica vista da baía, à esquerda uma bela avenida leva ao continente, à direita o caminho das praias, e diariamente encomendava frutos do mar do Box 32. De Florianópolis a Blumenau é um pulinho. Prosit, Fernandinho Beira-Mar!
Não foi por falta de aviso. Alertamos ao governador Roberto Requião para preparar o quarto de hóspedes da Ilha das Cobras ou uma suíte da Polícia Federal em Foz do Iguaçu. O Paraná não poderia deixar de receber com mordomias tão ilustre ave de arribação. Esta singular parceria entre o Ministério da Justiça e o Ministério do Turismo não iria deixar de oferecer as Cataratas do Iguaçu e as belezas naturais da Costa Oeste aos belos olhos de Fernandinho Beira-Mar.
Há dez meses, só não contávamos com a presteza com que o governo federal inaugurou o novo pólo turístico de Catanduvas. Um assombro, considerando-se que o Ministério dos Transportes levou mais de um ano para reconstruir a ponte arruinada do Capivari, uma lacuna rodoviária que atravancou a BR-116 e o progresso da nação.
Pontes terrestres não são o forte da burocracia estatal, os dirigentes têm especial predileção por pontes aéreas. Tal e qual esta que vai ligar Catanduvas à região metropolitana do inferno, operada pela PCCAir, e que vai levar à nossa Costa Oeste todas as celebridades do crime. João Arcanjo Ribeiro, conhecido como Comendador Arcanjo, chefe de uma organização criminosa de Mato Grosso e de profícuas relações com a fina flor da política tupiniquim, este deve viajar com uma comitiva de sanguessugas do alto bordo.
O insidioso intelectual Marcola tem passagem reservada na primeira classe, o que tem provocado certo júbilo nos meios letrados e manifestações de apoio nas catacumbas da internet:
“A importação de mentes brilhantes só tem a engrandecer a cultura paranaense: primeiro foi a migração para Curitiba do jornalista José Castelo, junto com o poeta Décio Pignatari, e agora o ideólogo do PCC Marcos Camacho, o Marcola, chega ao oeste.”
A região da Costa Oeste, principalmente o povo do sudoeste do Paraná, há décadas vem clamando pela reabertura da Estrada do Colono, caminho que atravessa o Parque Nacional do Iguaçu, ligando Serranópolis do Iguaçu (oeste) e Capanema (sudoeste). Em 1986, a Estrada do Colono foi interditada e até hoje milhares de pessoas são obrigadas a contornar o parque, num transtorno de 200 km, para se chegar ao mesmo destino que poderia ser alcançado através de apenas 17 km da velha picada aberta em 1924.
Com a criação do novo pólo turístico, roga-se que as autoridades tenham sensibilidade e reabram a Estrada do Colono. Tenham dó; até as pacas, quatis, antas e capivaras do Parque Nacional ensejam conhecer o moderno zoológico de Catanduvas.
Dante Mendonça [23/07/2006]O Estado do Paraná

Sábado, Julho 22, 2006

Tókio by Schpatoff.

Omotesando-dori (rua Omotesando) by night.
Um dos pontos mais quentes da cidade.
Muito perto da minha casa, umas 5 quadras.
Alguém está pensando em morar na China?

EU E O LÍBANO - Denúncia mínima de sentimentos máximos.

Agora chega. Tenho que vomitar alguma coisa que ingeri na leitura do noticiário sobre as atrocidades no Líbano. Vocês estão vendo isso, meninos? Minha psique, nas últimas 72 horas, tentava proteger-me de um estresse emocional fazendo com que eu não passasse das manchetes dos jornais, virando a página antes de conhecer os detalhes: ATAQUE DE ISRAEL MATA 27 CIVIS; BOMBARDEIOS DESTROEM CENTRO HISTÓRICO DE BEIRUTE; ISRAEL SE DECLARA EM GUERRA. E a minha paciência foi acompanhando as ondulações do meu estômago, antídoto contra a retenção das fezes: cagar algumas coisas e vomitar outras, eis a medicina.
Se ninguém fizer nada para interromper a violência no Oriente Médio, não me restará outra alternativa se não me matar em solidariedade. Vou me auto-imolar com gasolina e fósforo, deixando a dois metros da tocha humana a denúncia mínima dos meus sentimentos máximos. Pode não ser tão eficiente quanto me espatifar em chamas nas torres gêmeas, mas os elementos bizarros podem atrair o interesse internacional. Não digam que não avisei. Todos aqueles que hoje se calam haverão de se reconhecer covardes diante do impacto da minha sentença: uns com medo de ser expurgados das rodas financeiras e sociais (em SP este sentimento é forte), outros com medo de serem apontados como anti-semitas ou, no sentido contrário, nazistas da era moderna.
A grande maioria, entretanto, vai se calar por ignorância involuntária, pois não sabe que os judeus deixaram de ser vítimas para se transformar em algozes. É a barbárie branca que movimenta o capital financeiro, com a cumplicidade de Bush e da ONU, que procura evitar embaraços para seu anfitrião.
Qual o tamanho da dívida do Império Branco com suas colônias além-mar e minorias raciais e religiosas? Quem poderá esperar momentos de paz diante desta escalada de violência camuflada de autodefesa de Israel? A história explica, mas o Dr. Freud não quer pegar o serviço. A guerra do petróleo está deflagrada e aos deuses pagãos compete salvar as nossas crianças. As imagens da televisão, entretanto, mostram que as crianças do Líbano foram abandonadas: elas choram à noite durante os bombardeios e, segundo depoimento de uma vítima, ficam eletrizadas – de lábios trêmulos – quando descobrem que não é um sonho. Ou pesadelo.
A retirada de multidões de estrangeiros, incluindo cerca de 200 brasileiros que estão sendo embarcados em aviões da FAB, pode abrir caminho para um genocídio assustador. De onde estou, posso ver Bush segurando a mão do moribundo Sharon, com o polegar para baixo, imitando a sentença dos grandes imperadores romanos.
Como diz o porteiro Gabriel, o lúcido, do alto dos seus cabelos brancos, lembrando a invasão do Iraque:
“Não gosto deste Bush. Se o Brizola fosse vivo diria que ele é uma marmota em conservas querendo dominar o petróleo.”
Toninho Vaz, de Santa Teresa

Mega-província.

Afe! Esse projeto Paiol Literário está
cansando minha beleza. Vixi!
Chunda (dândi - é dândi que se recebis).

La Chica de Hoy.

Lagarto? Oh, não! Project ISM.

Charge do dia/O Estado do Paraná.

Solda — o monge do Bacacheri.

Teatro em casa.

Sexta-feira, Julho 21, 2006

No ganamos la Copa del Mundo pero si la
portada del Salon organizado por la FIFA,
el dibujo fue publicado antes en el blog de Solda.
(Crist)

Suzane e Cravinhos cumprirão pena em prisões no interior de SP.

Condenados na madrugada deste sábado pelo envolvimento no assassinato do casal Manfred e Marísia von Richthofen, em 2002, os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos e Suzane von Richthofen --filha das vítimas-- cumprirão a pena em unidades prisionais no interior de São Paulo.
Os três dormiram, ao longo da semana, em carceragens de delegacias na cidade de São Paulo devido ao julgamento do caso, realizado no fórum da Barra Funda (zona oeste). Com o término do júri, Suzane voltará para Rio Claro (175 km a noroeste de São Paulo), onde já estava presa. Os irmãos serão levados para a penitenciária de Tremembé (138 km a nordeste de São Paulo).
Os Cravinhos estavam no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros (zona oeste de São Paulo) desde 1º de junho, transferidos da penitenciária de Itirapina (231 km a noroeste de São Paulo). No dia 5 do mesmo mês, quando deveria ter ocorrido o julgamento, os advogados dos irmãos alegaram cerceamento de defesa e não compareceram ao fórum da Barra Funda, adiando a sessão. Suzane e o então namorado, Daniel, foram condenados na madrugada deste sábado a 39 anos de reclusão e seis meses de detenção pelo crime. Cristian pegou 38 anos de reclusão e seis meses de detenção. Eles não poderão recorrer em liberdade.
(Folha Online)

Lobby do atraso.

À socapa, quando todas as atenções estavam voltadas para a Copa do Mun­do, o Congresso Nacional apro­vou o projeto de lei complemen­tar n° 79/2004, que amplia a re­serva de mercado para jornalis­tas. Se for sancionado pelo presi­dente Luiz Inácio Lula da Silva, ate ilustradores e arquivistas te­rão de possuir habilitação supe­rior em jornalismo para atuar.
A norma é duplamente inopor­tuna. Ela chega sem discussão nenhuma e ocorre num momen­to em que o Supremo Tribunal Federal se prepara para julgar o mérito da necessidade do diplo­ma para o exercício da profissão, conforme estabelecido pelo de­creto-lei n° 972, baixado em 1969 pela Junta Militar com base no AI-5 e que contínua em vigor. A necessidade de habilitação específica para manifestar o que quer que seja em qualquer meio (TV, rádio, jornais, internet etc) viola a liberdade de expressão, garantida na Carta de 1988.
Os defensores da medida argu­mentam que a nova regulamen­tação pouco altera o "statu quo". Não seriam muitas, afinal, as inovações que o projeto traz em relação ao decreto-lei E verdade, mas isso porque esse estatuto é em muitos aspectos ignorado. Se fosse cumprido à risca, só pode­riam ser publicados num jornal textos — inclusive artigos de co­laboradores e cartas de leitores — de quem tivesse registro especial no Ministério do Trabalho.
A norma proposta pelo Con­gresso Nacional consagra essa sandice, contra a corrente mun­dial No resto do planeta, a dis­cussão se dá em torno das fron­teiras cada vez mais tênues entre a figura do jornalista e a do cida­dão, como o atesta, com vigor, o fenômeno dos "blogs".
Espera-se que o presidente te­nha o bom senso de vetar mais essa investida do lobby de sindi­catos de jornalistas e de escolas de comunicação contra as liber­dades democráticas.
Folha de São Paulo, 20/7/2006

WC zaponês.

Meu irmão George, que mora em Tóquio, mandou-me as fotos anexas. Sem controle remoto, você não consegue fazer nada no banheiro.

Teresina.

Novembro se aproxima a cada dia que passa.
42 graus à sombra, muito humor e água fresca.
em verdade vos digo:
nada tenho
contra meu umbigo
solda
(para clarah averbuck)

Aviso.

La foto del dia.

Project ISM. Oiés.

Sexo e eleição, irmão.

O governador Roberto Requião e o escritor Jamil Snege eram mais que amigos. Eram quase irmãos. Em 1982, com José Richa e Saul Raiz disputando o governo, Requião estreava nas urnas como candidato a deputado estadual, quando Snege escreveu uma crônica de consolo ao velho companheiro, publicada no suplemento de variedades Fim de Semanasexta-feira, 22 de outubro –, do qual eu era editor, ao lado de Maí Nascimento e Aramis Millarch.
Encartado neste O Estado do Paraná, o tablóide era um luxo. Toda semana vinha com uma longa e descontraída entrevista. Na edição daquele Fim de Semana, por exemplo, o entrevistado era o livreiro comunista Aristides Vinholes, o imaginário candidato a governador de Jamil Snege. Miran, Solda, Pancho e Swain assinavam os cartuns. Na contra-capa, Paulo Leminski se revezava com Snege.
Faziam companhia a Sérgio Mercer, o Barão de Tibagi da página de crítica gastronômica. Agora nos palanques da reeleição, Roberto Requião já não é mais – por supuesto - aquele fogoso quarentão que estreava nas urnas. Mas o texto de Jamil Snege, com o mesmo título acima, ainda continua jovem e viçoso.
- Me esqueci que existe sexo.
Quem me diz isso, a voz entrecortada de suspiros, é um amigo candidato cujo nome omito para não comprometer sua campanha.
Tranqüilizo-o:
- Bobagem, Roberto Requião, isso passa.
Ele continua, olhar de vaca vendo trem passar.
- Desde o dia da convenção não bato mais o ponto.
- Não faz tanto tempo assim – intervenho, na tentativa de consolá-lo.
- Tenho pena da Nega, coitadinha – ele retorna, um tremor afetuoso na voz.
- Ela compreenderá. A política tem dessas coisas.
- Mas aí é demais – ele se levanta e caminha em direção ao WC, pára, desiste e volta a sentar-se.
- Veja o Richa e o Saul – insisto, – você acha que eles estão comparecendo regularmente?
Seu olhar acende-se de repente, um lampejo de vida na testa vincada:
- Será?
- Claro. E o Ney Braga? E o Alvaro Dias? O Norton Macedo? O Alencar Furtado? Pode crer, furtaram-se todos.
- Você acha? – seus olhinhos brilham comovidos.
- Tenho informações seguras.
- Mas eu é desde a convenção, aquele domingo no Atlético...
- Eles também. Dizem que quem perde tempo com sexo depois da convenção não se elege.
- Quem falou isso? – ele volta a me encarar duro.
Procuro ganhar tempo para formular uma resposta convincente.
- Hã? Acho que foi o Lula. É – bato na testa, – foi o Lula, durante uma reunião de sindicato.
- Que sindicato?
- Sei lá, acho que o sindicato lá dos metalúrgicos.
Ele fica por um momento pensativo. Súbito, explode numa risada:
- Quer dizer que o Saul e o Richa só trepam em palanque?
- E olhe lá. Tem cara que nem no palanque trepa.
- E a mulherada em casa?
- É aquilo que você sabe. Mau humor, berros, beliscão nas crianças, bronca na empregada...
Ele volta a ficar pensativo:
- A Nega está assim (suspiro).
- Converse com ela. Explique que ninguém é bom de voto e de cama ao mesmo tempo.
- Ela concorda. Mas agora começou a ler Capricho.
- Você não leu as memórias de Jânio? Dona Eloá lia Grande Hotel.
- Qual é o pior?
- O quê?
- Grande Hotel ou Capricho?
- Acho que Grande Hotel. Capricho é mais politizada.
- E o Edésio Passos?
- O que tem o Edésio?
- Viu como ele está ficando barrigudo?
- Pois é. Retenção hormonal. O Vilela também. Até o Edson Sá está com uma barriguinha.
- Nessas alturas, o campeão deve ser o Anibal Curi.
- Tá eleito.
Ele volta a ficar pensativo, um vinco fundo na testa.
- E eu, será que estou eleito?
- Depende. Que dia foi a convenção?
- 18 de julho.
- 18 de julho para 15 de novembro são, deixa eu ver, 120 dias.
- Acha que é pouco?
- Não sei, não. Acho que você devia ter parado antes.
- A Nega me chutava.
- Chutava, mas você ganhava. Afinal, o que é melhor: o sexo ou o poder?
- O poder, claro – ele ri, sacudindo alegremente o pó dos comícios.
Concordamos: com o poder você pode f... o povo inteiro.
Dante Mendonça (21/7/2006/O Estado do Paraná.

Charge do dia/O Estado do Paraná.

Solda — o monge do Bacacheri.

Quinta-feira, Julho 20, 2006

Mata Atlântica.

Preservando sempre. E pentelhando, claro.

World Jumping Day.

Infelizmente, a gentil moçoila não
pôde participar do World Jumping Day,
por motivos óbvios.

Certinhas.

Carmem Veronica, da lista de "certinhas"
criada por Stanislaw Ponte Preta, o Lalau, em 1954.

Paulo Leminski, o Polaco.

vai
meu amigo
desta vez
eu não vou
contigo

a morte
é um vício
muito antigo
só que nunca
aconteceu
comigo

pode ir
que eu não ligo
eu fico por aqui
separando
o tijolo do trigo
solda


(7/6/89)

Dia do Amigo.

O amigo está mal, hein? Zuzo beim?

la Chica de Hoy.

Oiés. Project ISM.

Dalton.

Solda — o monge do Bacacheri.

Quarta-feira, Julho 19, 2006

A candidata do PSOL subiu nas pesquisas
e já está com 10 pontos.

O analfabeto político.

O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos
acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida, o preço
do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel,
do sapato e do remédio
dependem de decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que
se orgulha e estufa o peito dizendo que
odeia a política.

Não sabe o imbecil que, da sua ignorância nasce
a prostituta, o menor abandonado, o assaltante
e o pior dos bandidos que é o político vigarista, pilantra,
o corrupto e o lacaio dos exploradores do povo.
Bertolt Brecht

Quem é Quem.

Jô Oliveira, by Orlando Pedroso.

Em Brasília.

La Chica de Hoy.

Hummm...Project ISM.

Charge do dia/O Estado do Paraná.

Solda — o monge do Bacacheri.

Today.

Walter Vasconcelos.

Acredite se quiser.

A cúpula do PT criou uma cartilha para proteger Lula das gafes do Lula. Alguns conselhos básicos de comportamento que resguardem o patrimônio eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva. Se faz tarde a cartilha. Assim distante do eleitorado, grande parte dos eleitores podem identificar no presidente apenas uma caricatura do Lula de velhos tempos.
Conforme a cartilha, Lula seria carregado Brasil afora num andor, longe dos atos públicos, ao largo de palanques estremecidos por desavenças paroquiais. Está no decálogo de campanha, com todas as letras. Um, não expor o candidato a situações de risco. Dois, evitar viagens para estados com divergências entre aliados. Três, evitar entrevistas coletivas. Quatro, só falar com a imprensa quando tiver um tema específico e definido pela campanha. Cinco, não comentar o assunto quando essa função, de preferência, é para os ministros. Seis, falar sempre de temas positivos. Sete, não participar de debates. Oito, explorar mais a postura de presidente do que de candidato. Nove, evitar a presença física no comitê de campanha. Dez, esfriar a campanha, participando de poucos atos públicos, pois uma disputa acirrada e dinâmica só interessa aos adversários.
Convenhamos, é o próprio manual de instruções do prudente locatário de uma habitação com telhado de vidro. Ou, quem tem “orifício anular corrugado localizado na parte inferior lombar da região glútea”, tem medo!
Tão longe, assim distante, Luiz Inácio Lula da Silva corre o risco de não ser mais reconhecido. E, se por um acaso for encontrado no corpo a corpo das ruas, virá na lembrança do eleitor o personagem do saudoso Bussunda, não o presidente investido da esperança que venceu o medo.
O engenheiro Heraldo Ditzel é diretor comercial de uma grande empresa paranaense com atividades no interior de São Paulo. Por conveniência, passa os fins de semana em Curitiba com a família e, nos dias úteis, não lhe resta outro cardápio senão revisitar os restaurantes da região, na companhia dos companheiros de trabalho.
Estava dia desses o engenheiro eletrônico numa churrascaria de beira de estrada, numa mesa grande e animada, quando eis que adentra o recinto o inolvidável Paulo Maluf. Ele mesmo, o próprio, se anunciando naquele peculiar e estrondoso vozeirão.
Com seu jeito desinibido, expansivo, extrovertido de ser, o ex-governador paulista saiu apalpando mãos, braços e ombros dos comensais. Heraldo Ditzel foi o último a ser efusivamente cumprimentado e, para diversão dos presentes, retribuiu o abraço do urso com um pedido:
— Governador, gostaria que o senhor falasse com a minha esposa em Curitiba. Pode ser?
— O amigo é de Curitiba? Que maravilha! Sou muito grato com aquela progressista e ordeira capital, guardo lá importantes correligionários. Por favor, terei muito prazer em saudar sua esposa.
Heraldo discou e passou o telefone a Maluf.
— Minha senhora, muito prazer! Tenho a satisfação de estar aqui com o seu marido. E veja bem: sou testemunha de que ele está num ambiente familiar e muito bem comportado, por sinal. Fique descansada, o maridão está entre os amigos paulistas!
Dito isso, Paulo Maluf se calou por um breve instante e desligou o aparelho abruptamente. Em seguida, passou o aparelho às mãos do engenheiro e, com uma expressão um tanto desolada, murmurou como se para si mesmo:
—Ela pensou que estava falando com o Tom Cavalcante!
O decálogo da reeleição tem o pressuposto de evitar gafes comprometedoras. Porém, pode induzir o eleitor a confundir o personagem com a caricatura.
Repetindo a cena na campanha eleitoral, e num hipotético encontro de Heraldo Ditzel com Luiz Inácio Lula da Silva no interior de São Paulo, pelo telefone a senhora Ditzel deve reagir da mesma forma:
— Se Bussunda morto está... então é você de novo, Tom Cavalcante?
Dante Mendonça [19/07/2006]

Terça-feira, Julho 18, 2006

Elementar, meu caro Fraga.

David MacDonald.

Sandro del Prete.

Seu Editor:

Certo, MCE, como tantos
gênios, é incomparável.

Pero, seus influenciados -
quando capazes de proezas -
merecem, de direito, pelo
menos a citação nominal,
né?

Esse David MacDonald é brilhante
em ilusões de ótica, é sempre
referido em sites do gênero.
Aqui, ele até descreve como fez
a coisa.
http://illusionsetc.blogspot.com/2006/05/terrace-optical-illusion.html

Tem um italiano que pegou
o mesmo desafio e aplicou
ao xadrez. É uma imagem
muito procurada na All Posters
.

http://www.illuweb.it/artisti/delprete/delpgg07.htm

Aliás, essa ilusão dos planos
inconciliáveis, levou o fotógrafo
Tim Jensen a tentar o inacreditável.
E, como disse o poeta Jean Cocteau,
"não sabendo que era impossível,
ele foi lá e fez." Aqui, a prova:

http://www.dpchallenge.com/how.php?HOW_ID=27

Sei que nada disso pode
ser útil ou interessante
pro blog. Mas, hoje, era

o que a
Padaria Fraga
tinha a oferecer.

Sogra.

Desenho de César Marchesini.
Nesta data, em 1948, Juan Manuel Fangio
começa a correr.

Aviso.

La Chica de Hoy.

Oiés. Project ISM.

Uma charge antiga.

Solda — o monge do Bacacheri.

Branding.

Walter Vasconcelos.

Segunda-feira, Julho 17, 2006

Escher M.C. 1898-1972

O que Escher fazia na munheca, brincando com a
perspectiva, hoje é feito na máquina (Photoshop).
Vide post logo acima.

Os poderosos chargistas.

Chico "Corleone" Caruso e "Don" Angeli.
Fotos Dulla.

Entrada.

Foto de Karime Stavitzki.
Desenho de César Marchesini.

A Voz.

Nesta data, há anos, morria Billie Holliday.

Eu e as eleições (estratégia mínima)

Heloísa Helena - sem óculos mas com visão.
Comecei o texto com a frase “É com o dedo no nariz que entabulo estes pensamentos para adequar a minha ideologia ao caos político e às próximas eleições”. Depois fiz uma pausa, tomei uma limonada, abri a VEJA e, ao acaso, encontrei a mesma idéia na coluna do Diogo Mainardi, que com o dedo no nariz vai votar no Alckmin. Eu não. Com o dedo no nariz vou votar na Heloisa Helena, o fiel da balança, a candidata que pode crescer e tirar votos do Lula. Minha índole exige o 2º turno, mesmo porque, neste jogo de pangarés, ninguém merece vencer de goleada, muito menos o Lula, depois de tudo que aconteceu.
Resumindo minhas aspirações políticas: quero que o Lula e o Alckmin se lixem, mas também considero a Heloísa Helena, sem quadros para governar, longe do modelo que planejei para o meu país. Na minha expectativa de eleitor, não vou votar em branco e muito menos anular, vou adotar uma estratégia mínima, contra o absolutismo.
Quando as pesquisas apontarem o crescimento da HH, vão apontar necessariamente uma queda do Lula; os dois candidatos se reportam ao mesmo eleitorado.
Também não abro mão de acreditar no Imponderável de Almeida, para lembrar Nelson Rodrigues (o dele é o Sobrenatural de Almeida) e suas tiradas da realidade. Se houver 2º turno posso me considerar um vencedor.
Senti tonturas quando meus conterrâneos elegeram Fernando Collor de Mello e, pelas mesmas razões, sinto tontura quando vejo que o populismo do PT consegue o mesmo efeito.
Sendo assim, à moda do NYTimes, que anuncia com transparência seu candidato, fico com o mais autêntico: Heloísa Helena para Presidente.
Toninho Vaz, de Santa Teresa
Desenho de Fontanarrosa, El Negro.

Recomendo.

Que ninguém se assuste: não existe guerra tão divertida. Joel não se leva a sério. Não nos leva. Não leva nada. Melhor assim. É diversão garantida Você não vai conseguir parar de ler. Geneton Moraes Neto. Ilustração da capa do locutor que vos digita. Travessa dos Editores.

Vidão!

Começa hoje o Recesso Branco no Congresso.

Olhar fatal.

Angelina.

Mata Atlântica.

As always, pentelhando. Project ISM.

É hoje!

Escalada bélica.

Bom dia!

No milk today? Project ISM.

Domingo, Julho 16, 2006

Sell.

By Walter Vasconcelos.
1606/2006: 400 anos de nascimento.
By Newton Bento. Bah!
...E o Homem inventou a roda.

Charge do dia/O Estado do Paraná — 4ª página.

Solda — O monge do Bacacheri.

Mata Atlântica.

Pentelhando, sempre.

De onde vêm as palavras?


O leitor poderá encontrar, em qualquer livraria que se preze, o produto final de sete anos do extraordinário trabalho de um jornalista que só não se tornou filólogo por acaso. Falo do carioca Márcio Bueno, que não é meu parente, mas autor do mais que delicioso A Origem Curiosa das Palavras (José Olympio, 264 págs, R$ 34,00, formato 16 x 23 cm). Extenso e acordado projeto. Barato garantido para quem nele viaje e em seus verbetes.
A palavra alameda, por exemplo, leitor, atualmente designa rua ou avenida tendo às margens qualquer tipo de árvore. No começo o nome era aplicado somente a vias sombreadas por “álamos”... Já alarme, nos ensina Márcio Bueno, procede da expressão all’arme, que significa, em bom italiano, “às armas”. O brado era usado para alertar a tropa ante a investida do inimigo.
Aos que se comprazem em chamar o Paulo Zulu, aquele homenzarrão, de “manequim”, não sabem da história nem o começo - o termo procede do neerlandês - manneken. E sabem o que significava antes que o Zulu virasse galã? “Homem insignificante”, “homenzinho”. Man - homem. Neken - diminuto.
Quando chamamos alpinista ao nosso herói Jorge Niclewicz, que já chegou ao topo do Aconcágua, só não erramos porque o uso sistemático da palavra acabou por incorporá-la ao idioma. “Alpinista”, na origem, era só para designar quem escalava os Alpes... Tanto assim que no espanhol de nuestra América, alpinista é “andinista”, uma clara referência aos Andes.
Biruta, esta uma descoberta exclusiva de Márcio Bueno, é, sabemos, um saco de lona cônico que, nos aeroportos, principalmente, é fixado no alto de um mastro para indicar a direção do vento. Em razão de seus movimentos descontrolados, o termo acabou por também designar “pessoa amalucada”. E não o contrário, como muita gente pensa.
E quem poderia supor que a palavra canalha tem a ver com “cachorro”? Pois tem, e muito, leitor. O termo deriva do italiano, de “canaglia” - cachorrada, cachorrice, cachorreira...dundum - aquela bala que quase matou o Ronald Reagan, e que explode no impacto, muitos aí podem estar pensando-a como um vocábulo onomatopaico, isto é, que imita o som que produz, como “xixi”, por exemplo. Quem assim pensou, errou - “dundum” vem do nome da localidade indiana Dum Dum, onde foi desenvolvido o projétil.
E xará, então, vejam que coisa curiosa - usado para designar “homônimo”, vem do tupi onde “xe’rerá” quer dizer “meu nome”. Tão curioso quanto a etimologia de xereta, que procede do verbo “cheirar” e designa o indivíduo que vive metendo o nariz onde não é chamado.
O que não é o caso do “xe’rerá” Bueno, autor do impagável A Origem Curiosa das Palavras, mas talvez, ao menos hoje, deste vosso Bueno que em vez de dissertar sobre fugacidades, seu legítimo ofício, mete-se a demarcar a origem das palavras... Mas tenho, fiquem sabendo, além da proteção e guarda de Mussa José Assis, a avalizadora leitura dominical do grande Célio Heitor Guimarães, estrela da página 3, também aos domingos, de nosso bravo rotativo.
Aliás, vocês sabiam que “rotativo” assinala uma curiosíssima origem? Mas esta eu vou deixar para quem se decida pelo livro propriamente dito.
Wilson Bueno [16/07/2006]

Wow!

Oiés. Project ISM.

Charge do dia/O Estado do Paraná — capa

Dante Mendonça — Neotrentino.

Impotência.

As Vivandeiras.

Ao tomar conhecimento de seu futuro endereço, o bandoleiro Marcola fez questão de saber do clima em Catanduvas: “Subtropical úmido, com verões quentes, geadas pouco freqüentes, chuvas nos meses de verão. No verão, temperatura sempre superior a 22ºC; no inverno, mínimas inferiores a 18ºC”, respondeu o carcereiro. Marcola então retrucou: “Quero saber o clima entre os catanduvenses, imbecil!”.
É de apreensão o clima em Catanduvas – município a 60 quilômetros de Cascavel, na Região Oeste do Paraná –, desde 23 de junho último, quando foi inaugurada a Penitenciária Federal que vai receber a lista dos bandidos mais perigosos do País.
Marcola é um marginal letrado. Da leitura pode saber que Catanduvas é ligada a São Paulo pelo fio da história. Uma terra de Deus ocupada desde os tempos da fundação da Colônia Militar de Foz do Iguaçu, em 1889. Foi povoada graças ao fluxo migratório sulista, gente à procura de terra boa. Barro Preto, foi o nome de batismo; depois Catanduvas, que tem origem na língua tupi: Kaa’t-duba, local de mato ralo, mirrado ou de cerrrado.
Era um fim de mundo que só entrou no mapa do inferno graças aos paulistas, bem como agora se pretende. Em julho de 1924, uma rebelião militar em São Paulo, comandada pelo general da reserva Isidoro Dias Lopes, detonou o “Levante tenentista”. Ontem, como hoje, São Paulo parou. O presidente Arthur Bernardes botou as tropas nas ruas e ordenou bombardear bairros operários. Após muitos saques, incêndios e leite derramado, os revolucionários tenentistas abandonaram a Paulicéia Desvairada. Escorraçados, sob o comando de Isidoro partiram para o Oeste.
Em setembro do mesmo ano, os tenentistas se aquartelaram em Catanduvas, ali cavaram trincheiras, deitaram tralhas e as “vivandeiras” armaram suas camas. Em abril de 1925, tropas legalistas comandadas pelo legendário Cândido Rondon venceram a batalha de Catanduvas. Em farrapos, os adeptos do “Levante tenentista” debandaram para Foz do Iguaçu e nas cataratas se uniram às tropas da Coluna Prestes, lideradas pelo capitão Luiz Carlos Prestes.
Mesmo inscrita na história da Coluna Prestes, Catanduvas não sente saudades do passado, não espera saudades do futuro. O tempo está cobrando pedágio.
250 agentes foram convocados para trabalhar na nova Penitenciária Federal e a lista de nomes dos chefões da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), a caminho de Catanduvas, é encabeçada por Marcola e seus homens de confiança, entre eles Orlando Mota, o Macarrão.
No rastro do bando, as vivandeiras.
Quem a vida quiser verdadeira / É fazer-se uma vez vivandeira / Só na guerra se matam saudades / Só na guerra se sente o viver

Só na guerra se acabam as vaidades / Só na guerra não custa morrer

Ai que vida, que vida / Ai que sorte tão bem escolhida

Ai que vida que passa na guerra / Quem pequena na guerra viveuQuem sozinha passando na terra / Nem o pai, nem a mãe conheceu

Quem a vida quiser verdadeira / É fazer-se uma vivandeira

Ai que vida é esta que eu passo / Com tão lindo gentil mocetão / Se eu depois da batalha o abraço / Ai que vida pro meu coração

Que ternura cantando ao tambor / Ai amor, ai amor, ai amor

Que harmonia tem a metralha / Derrubando fileiras sem fim / E depois, só depois da batalha / Vê-lo salvo, cantando-me assim

Tuas marchas te fazendo trigueira / Mais te amo gentil vivandeira

Não me assustem trabalhos da lida / Nem as balas me fazem chorar / Ai que vida, que vida, que vida / Esta vida passada a cantar

Que eu lá sinto no campo o tambor / A falar-me meiguices de amor

Mas deixemos os cantos sentidos / Estes cantos do meu coraçãoE prestemos atentos ouvidos / Rataplão, rataplão, rataplão

Rataplão, rataplão, que o tambor / Vai cadente falando de amor.

(Canção da Vivandeira, de autor anônimo)
Desde a Guerra do Paraguai, vivandeiras eram as mulheres que seguiam o rabo do Exército brasileiro. Na Coluna Prestes elas também tomaram suas posições na retaguarda. Mulheres velhas de guerra, muitas delas viúvas do Contestado. Acompanhavam a coluna, porém não eram reconhecidas pelo comando da tropa. Saias permitidas ao longe, o repouso dos guerreiros. Além das tarefas no leito, as vivandeiras serviam na cozinha e cuidavam dos feridos. No pleno combate, juntavam as crianças e se protegiam na brenha do mato.
Soldados em marcha, quando a tropa fazia prisioneiro eram as vivandeiras que faziam o serviço macabro, dar fim ao acorrentado. Em troca, tinham seus privilégios: antes da degola, essas donas, pobres donas, faziam um sorteio para saber quem seria a mulher a deitar com o inimigo para uma noite de sexo, o derradeiro suspiro de amor; e depois matá-lo a golpes de facão.
Dante Mendonça (16/07/2006) O Estado do Paraná.

Sábado, Julho 15, 2006

É de assustar criancinha!

"Se você não dormir eu chamo
o Lembo pra te pegar"

O que Lula anda dizendo.

Lula, sobre o veto ao reajuste de 16,7%
aos aposentados e pensionistas do INSS.
Revista Época.

Charge revisitada.

Wow!

SPFW — Foto de André Schiliró.

Frente e Verso.

Poema de Alice Ruiz.

Mulheres bonitas.

La dictadura.

Solda — O monge do Bacacheri.

Expressão

Foto de Karime Stavitzki.
Um beijo nas amígdalas!
"Cagar é muito perigoso". (Guimarães Solda)

Mata Atlântica.

Preservemos, moçada!

la Chica de hoy.

En blanco y negro. Oiés! Project ISM.

Fumando, espero.

Charge do dia/O Estado do Paraná.

Solda — O monge do Bacacheri.
A atriz Mônica Torres e o New York skyline.
Toninho Vaz

Como Um Gossip (Memórias de Um Repórter)

Foi um acontecimento festivo e majestoso (as always), o 4 de julho de 1997 em Nova York. Os americanos fazem a festa aproveitando a paixão pelos espetáculos pirotécnicos e mandam ver. Mas escolhi esta foto da Ana Beatriz Nogueira e Sonia Braga, feita no final da tarde (os fogos espocam assim que escurece) para dar uma idéia da festa que se desenrola. Estamos no roof da casa do maestro Thomas Cavacciali, no Brooklyn, onde era servido um coquetel informal (quer dizer, foi feita uma vaquinha) à base de cerveja, vinhos e pizzas. A Sonia é “madrinha” da orquestra de Thom