Quinta-feira, Agosto 31, 2006

Glenn Ford 1916/2006
Gia Scala e Glenn Ford em cena de
"Don’t Go Near The Water" (1957)

Paraty — 2005

Foto de Júlio Covello.

Pryscila Vieira.

Faça Propaganda e Não Reclame.

1997 - Diana Spencer, princesa de Gales, morre em Paris em um acidente de automóvel, em que também morre seu acompanhante, o milionário egípcio Emad (Dodi) Al Fayed e o chofer.

Aniversário.

Roberto Prado: fazer aniversário todo
ano é de cansar qualquer um, principalmente
depois dos 40. Relaxe e goze!

Cadê a Mata Atlântica?

Desmatamento generalizado. Project ISM.

Ler Para Crer.

Amigos do Peito.

Project ISM. Sin palabras.

Solda vê TV.

Solda — o monge do Bacacheri.
Desenho de Miran — Um Rapaz de Fino Traço.

Quarta-feira, Agosto 30, 2006

Moças Finas.

Recordar é Viver!

Adão, Angeli, Laerte e Glauco. Bons tempos!

La Chica de Hoy.

Project ISM. Wow!

Amigos do Peito.

Project ISM.

O Avarento Esbanja Generosidade.

Quando uma montagem reúne tantas boas condições assim, é quase tentador cair no pessimismo de achar que não vai ser bom. Paulo Autran decidir fazer O Avarento de Molière é, por si só, um acontecimento: a inteligência e a limpeza técnica que o texto exige está à altura de poucos - como ele.
Convidou para isso Felipe Hirsch, que trouxe sua fiel parceira Daniela Thomas e um elenco no qual ninguém faz sombra nem escada para ninguém. E se a montagem dá certo, do jeito que deu, é porque estão todos aí elo amor ao jogo. Hirsch não tenta 'assinar o nome' com piadas grosseiras em cima de um clássico, como autodenominados encenadores geniais fazem sistematicamente.
Serve ao autor, procurando entender a mecânica de seu humor; serve ao elenco, deixando-os livres na sua inteligência fraterna. E o público ri de Molière, dos seus quiprocós, da rapidez de suas réplicas, com um frescor que a França já não pode ter mais: como se fosse na estréia. A ciência de Paulo Autran de rejuvenescer no palco com uma precisão de ilímetros, com uma sabedoria de criança que brinca com sua imagem, se multiplica quando bem acompanhada.
Karin Rodrigues lá está, fazendo dois personagens, desenvolta como nunca. Elias Andreato, como o criado Flecha, tem a ciência da commedia dell'arte na ponta da língua, na clareza da postura, na ingenuidade calculada da entonação, reiventando Arlequim com sotaque brasileiro. Tadeu di Pyetro domina o tom solene a ser desautorizado, tarefa mais difícil do que se pensa. Luciano Schwab, a caracterização do ambíguo criado Valério, não se deixa intimidar pelos veteranos, jogando de igual para igual.
E o elenco jovem faz uma façanha: com maturidade, sem acrescentar cacos, dão uma leitura irônica para os namorados sem a qual eles cederiam ao convencional. Cláudia Missura, enfim no papel de patroa, só de suspirar já põe o público no bolso. Igualmente impagável está Gustavo Machado, que inventa um modo de correr sem perder a pose, e Arieta Corrêa, que trocando a tragédia pela comédia não perde a delicadeza que exibia no CPT de Antunes. Um elenco que se olha nos olhos segurando o riso, no prazer de manter no ar a peteca de Molière, nobre e prazeirosa tarefa que já foi da trupe de Jean-Louis Barrault, e que não tem pátria a não ser o palco. Catalizador dessa química, Hirsch se diverte também com a relojoaria das marcas circulares, se limitando a contar bem a história e deixar os atores mostrar tudo o que sabem.
O distanciamento moderno fica por conta do cenário de Daniela Thomas, marcado com requinte pela luz de Beto Bruel: caixas de madeira contendo a mudança, compartimentando o desejo segundo as convenções, mesmo tendo ao fundo um céu aberto de possibilidades. Este Avarento tem a rara elegância de ser antológico sem chamar atenção para o fato. O público sai satisfeito com Molière, sai encantado com Paulo Autran, mesmo na rara circunstância de nunca ter ouvido antes esses nomes. Quando o teatro é vivo assim, não importam nomes, mas as presenças, o jogo vivo do palco. Ver O Avarento é lembrar porque teatro é bom.
Folha de São Paulo — Quatro estrelas

Charge do dia — O Estado do Paraná.

Desenho de Solda — o monge do Bacacheri.
Desenho de Miran — Um Rapaz de Fino Traço.

Tormenta Ernesto.

Tudo Verdade, Tudo Mentira.

Depois de 140 intermináveis minutos de debates entre os candidatos a governador, restaram no ar três importantes perguntas: quem faltou menos com a verdade; quem saiu vencedor; e será que não tinha coisa melhor a fazer naquela fria noite de segunda-feira?
Para responder às duas primeiras perguntas, antes é preciso responder à última: muito mais proveitoso que ouvir os oito candidatos presentes ao debate na televisão - Roberto Requião (PMDB), Rubens Bueno (PPS), Osmar Dias (PDT), Flávio Arns (PT), Mello Viana (PV), Adão Marques (PSDC), Luiz Felipe Bergmann (PSOL) e Antônio Forte (PSL) - seria ler as memórias da guerra civil espanhola do escritor George Orwell: Lutando na Espanha -Homenagem à Catalunha, Recordando a guerra civil espanhola e outros escritos (393 páginas, Editora Globo).
Eric Arthur Blair era o nome dele. Com o pseudônimo de George Orwell (1903-1950) o inglês nascido na Índia teve sua vida e obra agregadas à história da guerra civil espanhola (1936-1939). Uma bala lhe atravessou a garganta e o escritor retirou, da amarga experiência, o auto-esclarecimento acerca da extensão e da expansão do totalitarismo (com reflexões premonitórias dos rumos que o mundo tomou após a Segunda Guerra Mundial). Também analisou os problemas relativos à complexidade da verdade histórica, “sistematicamente fabricada e manipulada, em particular pela grande imprensa”. Veio dos tiroteios, em Barcelona, a munição que o conduziu a escrever suas obras ficcionais posteriores, notadamente o livro 1984.
Uma campanha eleitoral é, principalmente, uma guerra de informação de massa. E a primeira vítima é sempre a verdade. “Sem nunca ser capaz de fugir dos cheiros repugnantes de origem humana”, Orwell sentia de longe o que hoje ainda cheira mal: “No que diz respeito às massas, as extraordinárias mudanças de opinião que acontecem hoje em dia, as emoções que podem ser ligadas e desligadas como uma lâmpada, são os resultados da hipnose dos jornais e do rádio”.
George Orwell se referia à luta pelo poder como uma coisa triste, para acrescentar uma advertência que chega aos tempos da hipnose pela televisão: “Não acredite em nada, ou quase nada, do que você lê sobre os acontecimentos que dizem respeito aos bastidores do governo. É tudo, qualquer que seja a fonte, propaganda partidária - quer dizer, mentira”.
Na guerra civil espanhola, o escritor viu a história ser escrita não em termos do que aconteceu, mas do que deveria ter acontecido, segundo as diversas linhas partidárias: “Esse tipo de coisa é aterrorizante para mim, porque sempre me dá a sensação de que o próprio conceito de verdade objetiva está desaparecendo do mundo. Afinal, há possibilidades de que essas mentiras passem para a história. Como a história da guerra civil espanhola será escrita? Se Franco continuar no poder, pessoas nomeadas por ele escreverão os livros de história. Mas suponha que o fascismo seja mesmo derrotado e algum tipo de governo democrático se restabeleça na Espanha, como é que a história da guerra será contada?”.
Na guerra, as atrocidades sempre vencem e, vencedor ou derrotado, assim é se lhe parece: “Tenho poucas provas diretas de atrocidades na guerra civil espanhola. Sei que algumas foram cometidas por republicanos, e muito mais pelos fascistas. Mas o que me impressionou então, e tem me impressionado desde então, é que se crê ou se descrê das atrocidades somente com base na preferência política. Todo mundo crê nas atrocidades do inimigo e descrê das atrocidades daqueles que estão ao seu lado. E, o mais estranho ainda, a qualquer momento a situação pode se reverter e a história da atrocidade provada e comprovada de ontem pode se tornar uma mentira ridícula, simplesmente porque a paixão política mudou”.
Do debate entre candidatos, cada facção política teve o seu vencedor, suas próprias verdades. E nós outros, com certeza, tivemos coisas bem melhores a fazer naquela fria noite de segunda-feira.
Dante Mendonça [30/08/2006] O Estado do Paraná

Terça-feira, Agosto 29, 2006

Um avião entra em pane e chama a torre de controle.
O controlador de vôo pergunta:
— Qual é a sua altura e posição?
— Um e setenta e estou sentado na cabine.

Furto famélico.

Roubado, na calada da noite, do blog de Roberto Prado, poema enviado por Dóris Teixeira, la arquiteta.

Musas.

Marlene Dietrich. Sin palabras.
Desenho para o cartaz do
24º Salão de Humor do Piauí.

Amigos do Peito.

Project ISM. Oiés.
Solda — o monge do Bacacheri.

Cristofer Gilbert.

Rumo ao Sem Rumo.

Lá é onde você quer chegar? Se desoriente, que não tem erro. A celeste abóboda, lá, é abobada – com o que assiste embaixo. E o horizonte local, para circundar a imensa confusão que abarca, gira em torno dos 720º. Nas circunstâncias mais propícias, chega a locupletar 1080º .
A topografia de lá há muito já se transfigurou e o que era interminável planura agora é chatice sem-fim. Sim, a paisagem se avista, desde que à vista. Quanto à localização – aqui você está eternamente no advérbio aqui – há placas indicativas. Em letras a vencer.
Lá os cruzamentos, se se cruzam, seguem de onde não vieram pra onde não irão, e em cada encruzilhada nenhum despacho se vê – ninguém despacha mais nada por lá. As vias são largas, e nessa largueza cabem a mão, a mão boba, a contramão e as contradições, que trafegam trêfegas.
Por via da certeza de impunidade, o fluxo da capital e o de capital dão preferência um ao outro, circulando à vontade entre circulares também lampeiras. Essa notável facilidade de locomoção deve-se à monumental falta de um eixo ético.
De qualquer modo ou moto, siga em frente, a cidade tem excelente plano diretor. Mas como lá cada diretor tem seus planos por debaixo dos planos, o que resulta é uma invisível planificação oculta. Numa escala de um a milhão, todos os escalões se escalam aos milhões.
Repare nas silhuetas e fachadas dos prédios: seus ângulos – retos, agudos, obtusos – são sempre parentes em primeiro grau da vertigem. Os fios de prumo se aprumam, todos, por referências diagonais. E a ausência das esquinas não significa que não existam esquinaços – antes de retornar à realidade, cada visitante recebe o dele.
Continue, confie nos seus sentidos, sobretudo se lá não fizerem sentido nenhum. Sente a falta de sinceridade no ar? É o monóxido de hipocrisia. Quanto mais irrespirável, mais perto do despudor do poder você está. Se aspirar fundo, ganha um cargo de confiança.
Ah, preste atenção nos sons de lá. Você perceberá, sob o matraquear das maracutaias, o rumor dos mármores sobre os espelhos dágua. Hein, mármores não rumorejam? Vai ver é o ronronar das ilicitações, esparramadas ao sol da liberdade.
Lá, ao redor dos interesses construídos e bem defendidos, há outras áreas ainda preservadas, descampados onde a ganância brota sem exigir regas e viceja em paz. Nesse território sem lei, vacas ficam mansamente à espera do brejo, que nunca demora ir até elas.
Nesses e em todos os espaços, imensos (como a esperança que não cabe lá, aliás,) você vai perder a direção incontáveis vezes. Épocas e nomes, lugares e fatos, eventos e memória, tudo se tumultua numa desordem imperativa de desmando e desfaçatez.
Lá é a zorra do zorrilho, bicho que o reino da Dinamarca jamais cheirou igual.
Siga adiante. Não tem como errar: lá ninguém acerta nada mesmo.
Lá é Brasília.

La Chica de Hoy.

Uebas! Project ISM.

Desenho de Miran — Um Rapaz de Fino Traço.
Redemption Song

Pajarito.

By Rogério Dias, el maestro.

Solda vê TV.

Solda — o monge do Bacacheri.

Segunda-feira, Agosto 28, 2006

Amigos do Peito.

Project ISM. Tanx!
Orlando Pedroso, by Adão.

Bastidores de O AVarento.

Beto Bruel, iluminador (eu e ele, Velhas Águias), Daniela Thomas, cenógrafa (filha de Ziraldo, responsável pela existência do cartunista que vos digita) e Felipe Hirsch, meu amigo de infância há uns três anos.

33º Salão de Humor de Piracicaba.

Alcy, o arquiteto/cartunista mais tranqüilo que
eu já vi em minha vida. Foto de Orlando, El Pedroso.

Cristofer Gilbert.

God Save The Queen!

O Rio de Piracicaba.

By Orlando, El Pedroso.

33º Salão de Humor de Piracicaba.

Da esquerda para a direita: Edra, Manga, Luis Humberto (Porto Cartum), Orlando (mais folgado que luva de maquinista), Gual, Alcy e Dacosta.

24º Salão de Humor do Piauí.

Atenção, cartunistas: o tema do Salão de Humor do Piauí deste ano é bicicleta. Pedala, moçada! Pedala! Foto de Marcelo Dallegrave.

Detalhe.

Project ISM. Sin palabras.
A famosa Gruta da Barreira.
Hoje é aniversário de Itararé, SP, minha cidade natal. Só não canto Parabéns porque esqueci a letra.

Paraty — 2005

Américo Vermelho, eu, Vera e João Urban
jogando conversa fora. Foto de Júlio Covello.
Solda — o monge do Bacacheri.

La Chica de Hoy.

Project ISM. Naturally.
O galo abandonou a galinha escandalosa.
Onde ela chegava, fazia questão de chocar.
(Bione) — ilustração de Nani


Ilustração de Miran — Um Rapaz de Fino Traço.

Solda vê TV.

Domingo, Agosto 27, 2006

Felipe, The Hirsch, em Full Metal Jacket
Nascido Para Matar — de Stanley Kubrick.
Foto de Beto, El Bruel.

Tudo Sobre o Salão de Humor de Piracicaba.

Desenho de TurciosEspanha. Mais informações: http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/index.html

La Otra Chica de Hoy.

Project ISM. Oiés.

Steve Ray Vaughan.

Um domingo para celebrar a memória de Steve Ray Vaughan, que há 16 anos, a bordo de um helicóptero noturno, foi tocar em outros sítios. Era músico (mais do que isso, guitarrista e blues man) da cabeça aos pés. Como dizem os paulistanos, recomeindo Pride and Joy e o DVD “tribute” com Bud Guy, B.B. King, Clapton, Robert Cray e Dr. John, todos interpretando clássicos de SRV.
“She´s my sweet little baby
She´s my pride and joy…”
Toninho Vaz, de Santa Tereza.

Pelas Ruas de Paraty.

Júlio Covello — 2005

Detalhe.

Project ISM.

La Chica Enigmática de Hoy.

Ela! Oiés.

Charge do dia — O Estado do Paraná — 4ª página.


Solda — o monge do Bacacheri.

Artistas da Sala ao Lado.

E não é que Luiz Inácio Lula da Silva está coberto de razão? Ao visitar Foz do Iguaçu nesta última quinta-feira, o presidente recorreu a uma imagem dos pampas para estancar a goteira do telhado de vidro palaciano: “Muitas vezes você está na cozinha de sua casa, tomando chimarrão, e não sabe o que seu filho está fazendo na sala ao lado”.
A cena aconteceu no Rio de Janeiro, no início da semana, durante uma engajada tertúlia artística reunida em torno do presidente da República.
Lula estava na cozinha tomando um chimarrão, com seus correligionários da classe artística carioca, e não sabia o que estavam dizendo na sala ao lado. Só veio saber pela imprensa, como sempre. Se isso é ainda possível, até os mais sinceros eleitores de Lula ficaram encabulados com o que se viu e ouviu no recinto ao lado.
A atriz Cacilda Becker sempre exibia, na bilheteria do teatro onde atuava, um cartaz com esta frase: “Não me peça de graça a única coisa que tenho para vender”.
Na sala ao lado, atores, produtores, cineastas e músicos deram de graça a única coisa que não podiam vender: a vergonha na cara. Foram além, produziram para o presidente uma tragédia intitulada “Os fins justificam os meios”.
Na encenação carioca, o ator José de Abreu fez o papel de sabujo - servil, bajulador, capacho - e convocou a platéia para um brinde aos denunciados pelo procurador-geral da República como integrantes de “organização criminosa”.
Quando chegou a sua vez de entrar em cena, o ator (?) Paulo Betti interpretou um magarefe, aquele que mata e esfola reses nos matadouros; açougueiro, carniceiro, carneador, que vive com as mãos sujas de sangue. Betti mordeu na jugular: “Política só se faz com mãos sujas”.
A trilha sonora ficou por conta do músico Wagner Tiso. O parceiro de Milton Nascimento encantou os ouvintes no recital de loas ao presidente: “Não estou preocupado com a ética do PT ou com qualquer tipo de ética”, declamou o compositor, que agora se integrou ao clube da esquina sombria.
A atriz Elke Maravilha não estava na sala ao lado. Nascida em Leningrado, Elke Giorgierena Grunnupp Evremides é a mais brasileira de todas as russas há mais de quarenta anos. Perdeu a cidadania brasileira em 1971, quando foi enquadrada na lei de Segurança Nacional, acusada de subversão. Mesmo sem título eleitoral, ficou “passada” com as declarações dos artistas da sala ao lado: “Meu Deus, que horror! Eu tenho 61 anos, mas sou romântica, quero consertar o mundo. Levei um susto, conheço o Betti e ele fala uma coisa dessas. E o Wagner Tiso? Gente jovem ser burra tudo bem, mas velho ficar burro?”.
O cineasta Luiz Carlos Barreto, o rei do Rio, sempre foi freqüentador celebrado em todos os salões do poder. Desde os tempos da Embrafilme, tinha uma sala reservada para o tráfico de salamaleques dentro de empresas estatais que financiavam cinema neste asilo muito louco chamado Brasil.
No dia seguinte, foi a hora e a vez do Barretão prestar uma lição de amor ao jeitinho brasileiro de fazer política: “Se o fim é nobre, os fins justificam os meios. Inaceitável é roubar. Mensalão não é roubo, é jogo político”. A dama do lotação não seria mais despudorada.
Muitas vezes você está na cozinha de sua casa, tomando chimarrão, e não sabe o que seu filho está fazendo na sala ao lado. O presidente sabe do que está falando. Mesmo com o Fernando Henrique Cardoso se dizendo preocupado com a consolidação da derrota - “Estou vendo tudo com uma certa preocupação. Lula está muito consolidado” -, deve ser por isso que os tucanos se mostram tão confiantes e serenos.
O impávido Alckmin aguarda que os artistas da sala ao lado façam o serviço por ele.
Dante Mendonça [27/08/2006] O Estado do Paraná

Chove na Mata Atlântica.

Oiéssss!

Dia de Feirinha.

O flagrante registra uma roda de conversa na feirinha do Largo da Ordem, em Curitiba, 2004. Foi num domingo pela manhã, é claro. O cronista que vos fala aparece abraçado ao casal Solda enquanto a caravana passa. Ninguém ladra. Não conheço todos, mas identifico o Honório (de chapéu), Mazé Mendes, um Vaz (primo), o Mazzinha e a Marise Manoel. Foi em frente à barraca do Zé Oliva, que distribui caixinhas de surpresa. Não apareceram na foto, mas estavam presentes, a Adélia (foto) e o Poião. Vãobora?

Toninho Vaz, de Santa Teresa

Charge do dia — O Estado do Paraná — capa

Dante Mendonça — neotrentino

Lady Morrison e o Quati.

A escritora Toni Morrison, com imponência afro digna de uma personagem de A Cor Púrpura do Cairo, o filme de Steven Spielberg, grande e negra, se equilibra nas ruas - e calçadas - de pedra (do século 17) das vielas de Paraty. Imagino como deve ser aquilo tudo em dias de chuva - as pedras molhadas, temerariamente escorregadias.
Em meio ao casario colonial e às ruas apinhadas, a autora, entre outros, do antológico Beloved (Amada), Nobel de Literatura 1993, acompanhada de um pequeno séquito, pára diante do pano estendido na calçada onde os índios guaranis (da reserva de Paraty Mirim) expõem suas bugigangas. Raros os índios que falam ou entendem português. Informam o preço do artesanato com os dedos da mão.
Ms. Morrison dispara um inglês incompreensível, novaiorquino demais ao momento e à ocasião. Para os índios, claro, tanto faz - português, ou inglês, é tudo um arrazoado extraterrestre...
De cócoras junto ao pano sujinho, na calçada, lembro a bisavó guarani - uma das mais remotas lembranças de minha vida -, caçada a laço no interior paulista. Levanto - do chão onde estão expostas as artesanias índias -, a pequenina escultura de um quati, feita a canivete, na corticeira, madeira muito própria para isso.
Não sei por que me vem à mente a imagem - jamais esquecida - do meu compadre Jamil Snege que, vez ou outra, aplacava neuras e ansiedades esculpindo coisinhas miúdas nos pedaços de corticeira que Aroldo Murá lhe trazia da chácara de São José dos Pinhais. Mas o Turco, claro, é só uma saudade.
Apresento o artesanato e explico a Ms. Morrison que aquele animalzinho ali é o quati, típico da fauna brasileira. “Coêití?” - se espanta a escritora, curiosa, menos pelo bicho em si do que pela estranheza com que a palavra a desafia. A indiazinha, vestido de chita, pés no chão, cabelo ao vento, ri escondendo a boca. Com as duas mãos.
Ms. Morrison não entende, e quer explicações, que eu também não sei dar, por que o rabo do quati é quase maior do que o corpo... “Brazilian animal” - desconverso, tentando sair pela tangente.
“Brazilian animal? Like the tiger?” (Animal brasileiro que nem o tigre?)
“Não, Ms. Morrison, o tigre não é um animal brasileiro. Aqui temos um similar - a onça-pintada.” “Once pintêda?” “Não, Ms. Morrison, não é “once’’ nem pintêda”...
A afetuosa Nobel de Literatura, de uma simplicidade sóbria, contida, tenta mais umas duas ou três vezes, a intervalos gargalhantes, pronunciar “onça-pintada”, sem conseguir dar à “onça” o nome que a onça merece.
Pago os 10 reais com que, as mãos espalmadas, a indiazinha me informa o preço do quati. Presenteio Ms. Morrison com o típico bichinho tupiniquim, sem deixar de lhe informar que, por sua docilidade, ele é quase sempre brinquedo e animal de estimação entre as crianças de muitas tribos brasileiras.
Encantada, e agradecida, enfia o quatizinho na bolsa, dá outro largo sorriso, e seguimos, na manhã luminosa de Paraty, nos equilibrando nas pedras centenárias das ruas - com cuidado, com muito cuidado; ela mais do que eu.
Wilson Bueno [27/08/2006] O Estado do Paraná

Sábado, Agosto 26, 2006

Claudia Schiffer.

Com Pelé, na última Copa e na capa de Id,
36 anos bem vividos.

Filme de Terror.

Autoria desconhecida.

Detalhe.

Project ISM. Oiés.

Quem é Quem.

Bel e Alcy. By Orlando Pedroso.

Saudade Não Tem Idade. Será?

Horário Eleitoral.

Quem tem mais de 40 anos, conhece.
Roubado do blog do Ota. Link ao lado.

Pelas Ruas de Paraty.

By Júio Covello — 2005

Psiu.

Wow!

Solda vê TV.

Perdeu as chaves do carro.

Salão de Humor do Piauí.

Em novembro, Pryscila!
Não esqueça. E dá-lhe cajuína!

Charge do dia/O Estado do Paraná.

Solda — o monge do Bacacheri.

Musas.

Ingrid Bergman.
em verdade vos digo:
nada tenho
contra meu umbigo
solda
(para clarah averbuck)

Sexta-feira, Agosto 25, 2006

O Avarento.

Clássico do teatro mundial, "O Avarento", de Molière, estreou dia 19, no teatro Cultura Artística em São Paulo. É a 90ª montagem teatral do ator carioca Paulo Autran, que completa 84 anos no próximo dia 7 de setembro.
Felipe Hirsch, nosso companheiro de tantas jornadas, assinou a tradução, adaptação e direção do espetáculo A cenografia é de Daniela Thomas, que adianta: “é uma peça para ressaltar as máscaras dos atores, a expressão facial". No gigantesco palco do teatro Cultura Artística (1.156 lugares), ela deslocou a cenografia praticamente para o proscênio, onde o público verá um Paulo Autran maquiado como as últimas gerações nunca viram.
Iluminação de Beto Bruel. Também o recurso da ribalta (fileira de refletores, antigamente velas, ao nível do palco, na dianteira), como nos tempos de Molière, no século 17, conforme releitura de Felipe Hirsch, reforça ainda mais a dramaticidade de Harpagon, o protagonista de
"O Avarento". (Texto copiado de Malocabilly, link ao lado)

Psiu.

Oiés. Sim ou não? Quem for contra,
levante o dedinho da mão esquerda.

Felipe Hirsch na Trip.

Um trecho da matéria da revista Trip sobre Curitiba.

Sou todo ouvidos.

Estou ouvindo a coleção Unsurpassed Masters (6 cds), dos Beatles. Raridades, tracks alternativos, versões diferentes, demos, o escambau. Depois eu conto mais. Tem ainda a coleção Documents, mais 6 cds, da gravadora Yellow Dog. Sentiram?

Para Nitis Jacon.

A Fundação Teatro Guaíra, gestão Dóris Teixeira, encomendou-me uma série de desenhos: teatro, dança, ópera e música. Isso no governo Jaime Lerner. Os desenhos permaneceram expostos no teatro até que, subitamente, um subordinado seu, uma mente brilhante, querendo mostrar serviço, retirou os desenhos da lateral do Guaíra e encheu o espaço com informações que duvido que alguém leia. Ou foi alguém do Governo Requião? Os artistas paranaenses não podem ser tratados dessa maneira. Ridendo Castigat Mores (você, que mandou retirar os meus desenhos, pode ir ao livro de latim para saber o que estou dizendo). Oiés. Todos querem meus desenhos de volta. Inclusive eu.
Solda
Solda — o monge do Bacacheri.

Pelas Ruas de Paraty.

By Júlio Covello2005

Detalhe.

Project ISM.
Miran — Um Rapaz de Fino Traço.

Solda vê TV.

Engraçadinha.

Isso é coisa de quem não tem o que fazer. Ou tem?

Mata Atlântica.


La Chica de Hoy.

Porque é sexta-feira. Project ISM.

Charge do Dia/O Estado do Paraná.

Solda — o monge do Bacacheri.

O Melhor de Curitiba (2).

Enquanto circula a nova edição da Veja Curitiba com “o melhor da cidade”, continuam as observações em torno da lista de restaurantes, bares e comidinhas eleitos pelos trinta jurados da revista. A discussão procede: o segmento da economia gera números expressivos de emprego e renda nesta Curitiba que, na falta do mar, se refestela no bar. Foram muitas as objeções recebidas pela coluna. O principal reparo veio da rede de fast food Subway. A seguir, um pouco do que foi posto à mesa:
“Prezado Dante Mendonça, primeiramente gostaria de parabenizar pelo excelente texto da edição de hoje (quarta-feira) em sua coluna. Meu nome é Fernando Império e sou assessor de imprensa da rede de fast food Subway, a qual participou do prêmio “O Melhor da Cidade”. Houve alguns equívocos ao nosso ver sobre o evento (N.R. Em função do espaço, o comunicado foi editado pelo colunista) que pode contribuir para essa discussão”.
“A rede Subway, com 26.500 lojas em mais de 85 países e com 11 unidades em Curitiba, vem por intermédio deste documento, refutar o resultado do prêmio “O Melhor da Cidade 2006/2007”, concedido pela revista Veja. (...) O Subway concorreu na categoria “Melhor Sanduíche”. (...) A surpresa foi o empate dos candidatos com um ponto cada. No entanto, o Subway foi votado em três franquias diferentes. Portanto, com os três votos somados, o Subway seria eleito o melhor sanduíche da cidade.
O Subway é uma rede de franquias de fast food, com sede nos Estados Unidos. (...) Para que esse propósito seja levado à risca em todos os lugares que exista uma franquia Subway, é preciso que haja um padrão de qualidade. Isto significa dizer que todas as unidades utilizam os mesmos ingredientes, os mesmos equipamentos. Por isso, se três unidades ganharam o voto, o prêmio é da marca Subway.
Outro ponto relevante é a questão da conveniência. Se todas as unidades Subway possuem o mesmo padrão de qualidade, um dos critérios na avaliação do prêmio pode ter sido a comodidade. Julgar como melhor aquela unidade mais próxima onde se mora e trabalha é muito mais confortante do que se locomover para outro canto da cidade.
(...) Desta forma, o documento presente deixa claro que não questiona os critérios de avaliação na escolha do melhor sanduíche. O que mais espanta é a falha do julgamento do evento, realizado por uma revista tão séria e prestigiada como a Veja e por isso, exigir-se a reparação do erro. A negação do resultado deve-se à duvidosa metodologia de classificação dos candidatos: uns por unidades, outros pela marca. (Fernando Império)
ESTIMAÇÃO - “Na minha opinião, o júri deveria ter a seguinte orientação: esqueçam seus lugares estimação, os prediletos do dia a dia, e se orientem nos conceitos e categorias postos pela revista”. (M.D)
EMPATE - “Como exemplo, veja à página 154 em que a Padaria América e o Fabiano Marcolini têm dois votos e são considerados “o melhor pão”. Note bem, duas pessoas decidem o que é melhor na cidade. Ou, eu entendi mal”. (M.C.)
DIVERSIDADE - “Entendo que nem todos os escolhidos estão necessariamente ligados ao assunto e muitos vão de orelhada. Esse ano a escolha - de restaurantes, pelo menos - já foi mais centrada, sem grandes arroubos de criatividade. Mas no ano passado escolheram um árabe que já estava quase fechando, porque havia sido o melhor do ano anterior.
O contrário da revista Gula, que amplia cada vez mais as categorias - só de italianos tem três, trattoria, cantina e alta cozinha -, a Veja está restringindo cada vez mais. Não há mais chinês, japonês, tailandês, é tudo oriental. O que dá uma quebrada, pois as culinárias não são as mesmas. Não há mais português, alemão e tudo cai em uma categoria de “cozinha variada”, que não consegue agregar cada filão diferente”. (P.G.)
Dante Mendonça [25/08/2006]O Estado do Paraná

Quinta-feira, Agosto 24, 2006

O Bardo do Pilarzinho.

Project ISM.

O Bandido Que Sabia Latim.

Paulo Leminski Filho — 1944/1989
Hoje, 24 de agosto, Paulo Leminski
estaria fazendo 62 anos, se o ser humano
não tivesse essa estranha mania de
morrer no melhor festa.
Companheiros inseparáveis, de trabalho
e de mesa de bar, pintamos e bordamos.
Tínhamos o grupo vocal "Seqüelas do
Alcoolismo", trocávamos figurinhas o tempo
todo. Ele me ensinou a desenhar com cara de
poesia, eu o ensinei a fazer cartum com poemas.
Como ele sempre disse: "Ninguém precisa
de poetas. Mas a Humanidade não
vive sem eles". Deixou uma obra fantástica,
duas filhas fabulosas, Áurea e Estrela
Leminski e um filho que já faz parte do
eterno, Miguel Ângelo.
Estou escrevendo enquanto ouço
Old Friend, com Eric Clapton.
Oiés, um minuto de barulho, muito
barulho, pela morte do poeta.
Solda

Quarta-feira, Agosto 23, 2006

Horário Político Eleitoral.

Psit!

Wooooww!

Pelas Ruas de Paraty.

By Júlio Covello — 2005

Solda vê TV.

Em outubro, no Solar do Barão.

Nos Tempos d'O Pasquim.

Desenho de Ziraldo.

Mata Atlântica.

Project ISM.

Mata Atlântica.

Detalhe.

Project ISM.
Desenho de FontanarrosaEl Negro.
Miran — Um Rapaz de Fino Traço.

Charge do dia/O Estado do Paraná.

Solda — o monge do Bacacheri.

O Melhor da cidade.

Com um cardápio variado, a polêmica em torno dos eleitos tornou-se uma praxe da estação. O primeiro prato da discórdia, por ser o mais importante, veio do restaurante Boulevard, escoltado pelo chef Celso Freire - criador e criatura, por quatro anos seguidos, dos melhores da mesa curitibana. Já na semana passada, quando a Editora Abril laureou os vencedores num concorrido evento, alguns mais destemperados saíram do coquetel murmurando que tinha muita azeitona na mesma empadinha. A quantidade dos ingredientes é discutível. Indiscutível é a performance de Celso Freire, que fez do restaurante Boulevard uma referência da nossa cozinha. Construiu uma marca tão forte que até mesmo quem nunca provou de suas sofisticadas panelas refere-se ao campeão como o “crème de la crème”.
Grimpa Steak House (carne), Zea Maïs (contemporânea), 99 Brasserie Café (feijoada), Boulevard (francês e melhor carta de vinhos), Barolo Trattoria (italiano), Akira (oriental), Bar do Victor (pescado), Carolla Pizza D.O.C (pizzaria), Chalet Suisse (variado), Armazém Santo Antônio (regional) - foram estes os demais restaurantes eleitos, por especialidade.
Aos perdedores, as batatas sauté. Com os nossos respeitos, porque o cardápio de bons restaurantes de Curitiba torna qualquer lista dos melhores uma injustiça. Citando apenas um exemplo, e são tantos, lamentável a ausência do restaurante Baviera, de longevo cardápio para escolher com os olhos fechados, faça chuva ou faça sol.
“Ninguém realmente entende a verdadeira natureza do bar antes dos quarenta anos”, diz o professor José Monir Nasser. Na mesa ao lado, o arquiteto e gourmet Edson Klotz discorda: “Não acredito que alguém com menos de 30 anos possa fazer julgamento de um boteco”.
No quesito melhores bares a discussão é animada - “comme il faut”. Foram eleitos o Tabboo Lounge bar (ambiente), O Torto Bar (boteco), Sheridan’s Irish Pub (chope), Babilônia Gastronomia & Cia (Fim de noite), Beto Batata (happy hour), Crossroads e Era só o que faltava (música ao vivo), Vibe Red Concept (para dançar), Café Mafalda (para ir a dois), Taj (para paquerar) e Jacobina (para petiscar).
Desses, o campeão da controvérsia está sendo o Babilônia. Ou seja, onde enquadrar aquele sofisticado conglomerado onde - aberto 24 horas - serve-se do chope ali, senta-se acolá e serve-se de uma tábua de frios numa panificadora alhures. Tudo sob o mesmo teto da dúvida: seria um bar ou uma praça de alimentação? Há quem proponha então, sem prejuízo aos bares tradicionais, que se crie a categoria “praça de alimentação”. Os mais irônicos sugerem que se enquadre no quesito inclusive a Rodoferroviária: serviço 24 horas, com um fim de noite dos mais animados.
Em suma, a turma do boteco reclama da falta de critérios. Um dos jurados dos bares, sem qualquer critério, indicou para “ir a dois” o restaurante Zea Maïs, o melhor restaurante contemporâneo.
Já o melhor chope da cidade foi atribuído ao Sheridan’s Irish Pub, uma estupenda casa que serve cerveja em barril, “draft bier”. Quem é do ramo sabe o que bebe: a cerveja é pasteurizada, com até seis meses de validade; chope é cru, com até dez dias de validade. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, diria o cervejeiro Horácio Braun, do alto de sua sapiência etílica.
No mais, uma unanimidade: se já existe o quesito de melhor “cachorro-quente”, este sanduba alienígena, por que não acrescentar o item de melhor “carne de onça”? Curitiba agradeceria uma reverência ao seu tradicional acepipe.
Dante Mendonça [23/08/2006]O Estado do Paraná

Old Friends 2

Terça-feira, Agosto 22, 2006

Old Friends.

Fraga, vai daqui um forte abraço!

Psiu.

Que Droga!

Flagrantes da Vida Real.

La Chica de Hoy.

Project ISM.

Ostras Parábolas.

O Avarento.

Capa do programa de O Avarento,
desenho de Ricardo Cammarota.

Mata Atlântica, né?

Psiu.

Solda — o monge do Bacacheri.

Miran — Um Rapaz de Fino Traço.

Nos Tempos d'O Pasquim.

Desenho de Millôr Fernandes.

Credo!



Eu e Deus temos um convênio: nenhum se mete com o outro.
Creio, porém, num bocado de outras coisas: um bocado de feijão novo com arroz feito na hora, um bocado de pudim de laranja, um bocado de sombra e água fresca tanto quanto um bocado de lenha aquecendo a noite, um bocado de esforço pra conseguir o básico, um bocado de sono após um dia proveitoso, um bocado de sentimentos compartilhados, um bocado de boa vontade com a vida, um bocado de humor com quem não se opõe a rir.
E descreio de um monte de convenções coletivas e desconversações grupais, como partidos, seitas, times, associações, consórcios, condomínios. Tudo que faz o consenso descer à medida que a multidão aumenta. Tudo que conclama, conlui, convence, confabula, conspira, conchava, condiciona, controla.
Mas creio também na utilidade da descrença como fonte inspiradora na busca de mais e melhores fontes inspiradoras. É a minha maneira de descrer no mais do mesmo.
E creio no recreio do livre arbítrio, assim como me determino a não descrer do acaso.
Creio em coisas positivas, inversamente às coisas impositivas. Creio em méritos mas não em medalhas; creio na ética, desde que sem patrocinador; creio em valores que não são cotados; e de qualquer modo ainda creio em bons modos.
Não creio em credos, muitíssimo menos em quaisquer crentes, imagine então em crendices. Creio no ceticismo e tudo que tem de não enganador, tal e qual o agnosticismo e o ateísmo me atraem por não exigirem que eu seja falso comigo mesmo nem com os outros.
Me permito até crer – não sistematicamente – no pessimismo, essa crença que funciona bem quando tudo vai mal e melhor ainda quando tudo vai bem.
Não há outro jeito de ser um humorista. Creiam.



Segunda-feira, Agosto 21, 2006

Mata Atlântica forever.

Bastidores d'O Avarento.

Beto Bruel, iluminador (eu e ele, Velhas Águias), Daniela Thomas, cenógrafa (filha do Ziraldo, responsável pela existência do cartunista que vos digita) e Felipe Hirsch, meu amigo de infância há uns três anos.

Chique no Úrtimo!

Traduzo: Para o Solda, com o abraço do Trimano
Rio de Janeiro/2006

Nos Tempos da Ditadura.

John Ford, by Luís Trimano.
Jornal Opinião/1973

La Chica de Hoy.

Project ISM.

Miran — Um Rapaz de Fino Traço.

Sábado, 19, almoço de aniversário do Millôr.

O riso e a graça em torno da mesa.
Ridendo castigat mores
(foto roubada do blog da Cora Rónai)

Psiu.

Ruas de Paraty.

By Júlio Covello — 2005
Solda — o monge do Bacacheri.

Inteligências Raras.

Encerrada a Copa do Mundo da Alemanha, a Fifa promoveu um teste de inteligência entre os principais atletas que participaram do torneio, para analisar o desenvolvimento mental dos atletas do futebol. O teste visou a mapear e identificar tendências para o futuro do futebol mundial, conforme o desempenho intelectual de cada representante das várias nações filiadas à Fifa.

Reunidos na Suíça, um craque de cada país se submeteu a um pré-teste. Por exclusão, se chegou a uma final mais apurada, confrontando os atletas mais inteligentes atuando no futebol mundial.

O teste final teve a seguinte questão: cada finalista recebeu dois palitos de fósforo. Com esses dois palitos, o craque teria que formar um número. Quem conseguisse formar com os dois palitos o número maior, seria considerado o jogador mais inteligente do mundo e o seu país, com mais chances de alcançar a próxima Copa na África do Sul. Um teste simples, porém exato, garantiam os cientistas da Fifa.

Após uma série de rodadas eliminatórias nos laboratórios suíços da Fifa, sobraram para o teste final os seguintes países, com seus respectivos craques: Ronaldo (Brasil), Tevez (Argentina), Figo (Portugal), Ballack (Alemanha), Materazzi (Itália) e Zidane (França).
1 - A concentração era total. Quando o presidente da Fifa deu o sinal de largada, o português Figo demonstrou uma incrível agilidade mental. Formou o número dois (2) com dois palitos. Um palito, mais um palito. Dois palitos.
2 - Logo em seguida, quem se manifestou foi o argentino Tevez. Em algarismo romano, formou com os palitos o número cinco (5). Figo, já derrotado, não escondeu sua decepção.
3 - Imediatamente o alemão Ballack se manifestou: com os dois palitinhos, exibiu o número dez (10), em algarismos romanos. Até aí o Fritz tinha liquidado a fatura.
4 - A alegria do alemão durou pouco. O italiano Materazzi, certo da vitória, comemorou com o hino italiano antes de apresentar o que tinha na mão: botou um palito ao lado do outro e formou com ele o número onze (11).
5 - Materazzi outra vez levou a pior com Zidane. O francês acabou com a festa, demonstrando que é um craque muito inteligente. Em algarismo romano, deu um cabeçada no italiano com o número cinqüenta (50). Um número imbatível, não fosse o craque Ronaldo.
6 - O brasileiro Ronaldo deu uma olhada em torno, coçou demoradamente a bolha no pé e se manifestou cheio de amor pra dar: “Senhores do júri, no meu Brasil brasileiro esse é o número 69”. Deu Brasil na cabeça.
Dante Mendonça [21/08/2006] Tribuna do Paraná


Domingo, Agosto 20, 2006

Realidade Nua e Crua.

O Globo - Mas... não haveria solução?
Marcola — Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”. Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco... na boa... na moral... Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês... não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: “Lasciate ogna speranza voi che entrate!” Percam todas as esperanças, Estamos todos no inferno.
(Roubado do blog da Estrela, link ao lado, vão lá, rápido!)

Mata Atlântica. Oiés!

Project ISM.

hackers

Debaixo d'água.

Ler para crer.

Charge do Dia/O Estado do Paraná/4ª página.

Solda — o monge do Bacacheri.
Desenho de Fontanarrosa.

Pelas Ruas de Paraty.


A quarta edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), da qual tive a honra de participar como convidado oficial, confirmou o evento, sem erro nem exagero, como a mais importante celebração literária do planeta. E quem sustenta a qualificação não sou eu, mas a melhor imprensa de todo o mundo.
Se há aí alguém que ainda duvide, basta conferir do New York Times ao Le Monde, para ficar só nesse arco midiático, e verificar a cobertura dedicada à festa - de 9 a 13 deste (árido) agosto. Mais de 15 mil pessoas, de todos os cantos do Brasil e do exterior, transformaram a idílica Paraty em autêntica babel de línguas e culturas numa exaltação raras vezes experimentada pela velha ars litteraria.
Para um escritor como o locutor que vos fala não poderia haver oportunidade maior nem melhor para a experimentação - cotidiana - do poder da poesia em congregar povos, saberes, sentimentos. Interlocução a um tempo visceral e democrática em torno da palavra.
Sim, senhores, o pau comia solto nas esquinas, nos bares e restaurantes entulhados - em português, inglês, espanhol, francês ou nigeriano... Uma coisa mágica - sem metáfora nem figura de linguagem. De Christopher Hitchens, o notório conservador britânico, eleito um dos 5 mais importantes intelectuais do mundo, em sua defesa intransigente da intervenção americana no Iraque, à lendária Lillian Ross, 80 anos, editora da não menos lendária revista New Yorker, íntima de Truman Capote e Tenessee Williams.
Do jovem nigero-americano Uzodinma Iweala, 24 anos, e já autor de uma obra-prima, Feras de Lugar Nenhum (Beasts of No Nation), à veterana Toni Morrison, Nobel de 1993, autora do seminal Beloved (Amada), passando pelo rastafári jamaicano Benjamin Zephaniah, rapper e romancista, até nossa Adélia Prado, que emocionou mais de duas mil pessoas, em sua histórica e concorridíssima apresentação, a festa literária de Paraty mostrou decididamente a que veio.
Isto sem falar do comovente encontro cujo tema foi o exílio da poesia e a poesia do exílio, que reuniu no palco da confortável e sofisticada Tenda dos Autores (mais de 900 poltronas!) o poeta Ferreira Gullar, que melhora com o tempo como os vinhos raros, ao lado do meu já amigo, o palestino Mourid Barghouti. Para assisti-los, na Tenda da Matriz (só telão!) mais umas mil pessoas.
Com Barghouti e o paquistanês Tarik Ali tive a elevada honra de partilhar a redação do manifesto contra a carnificina no Oriente Médio. Subscrito por quase todos os escritores presentes, a open letter foi publicada pelos mais expressivos jornais de todo o mundo. Um libelo contra o horror.
Com a Flip/2006 o País se coloca, de modo irreversível, no mapa literário do planeta. Ponto para o Brasil. E sobretudo ponto para Liz Calder, a simpática editora britânica que à frente da ONG Onda Azul, e apaixonada de longa data pela paradisíaca Paraty, no litoral fluminense, “inventou”, com muito mais criatividade do que com dinheiro, a maior festa literária da Terra.
Nos próximos domingos prosseguiremos, se o leitor nos permtir, a dar conta das coisas e loisas das ruas de Paraty, nos cinco dias que fizeram ferver as Letras pátrias.
Wilson Bueno [20/08/2006] O Estado do Paraná — Foto de Júlio Covello.

Charge do Dia/O Estado do Paraná/Capa.

Dante Mendonça — neotrentino.

Nada de Novo no Front.


A jornalista Adélia Maria Lopes foi consultar publicitários, jornalistas, políticos e os caros telespectadores acerca do horário eleitoral gratuito nos meios de comunicação. Leia as opiniões.
“Continua aquele despreparo. Mas esgotamos nossa capacidade de ficar irritados diante de um espetáculo lamentável. Ninguém está dando a mínima para a campanha política. Há uma falta de interesse popular. Se pegar fogo, o que acho difícil, só mesmo no final.”
(Creso Moraes, relações-públicas e jornalista)
“Eu nem assisto. Vejo de relance e percebo o mesmo de sempre. Nem dá para ter opinião.”
(Rui Werneck de Capistrano, publicitário e escritor)
“O povo vai deixar de ser bobo. Pode ser que demore um pouco. Mas vai. É só ver a cara de quem aparece no vídeo.”
(Marlene de Fátima, secretária)
“Não assisto porque os programas eleitorais não me interessam. Alguns podem até ser bem feitos, mas é muito difícil continuar ouvindo promessas quando nem as da última eleição foram cumpridas.”
(Eloy Mezzadri, funcionário público)
“O horário do Tre dá bem a dimensão do que é o poder: falam os grandes e deixam os pequenos para dar apenas um “boa-noite”. O horário deveria ser democratizado.”
(Luiz Augusto Juck, relações-públicas e jornalista)
“Acho inútil e enfadonho. Mais inútil do que enfadonho.”
(Rosemary Tardivo, jornalista)
“O horário eleitoral gratuito cumpre a sua função de garantir que o poder dominante se reproduza com facilidade maior. São favorecidos os que têm a máquina na mão. O ideal é que se fizesse justiça, oferecendo espaços iguais para todos. Eu gostaria de saber o que faria o governo com apenas três minutos diários, como acontece com vários partidos da oposição.”
(Pedro Tonelli, deputado estadual pelo PT)
“Nem vejo. E nem tenho ouvido falar nada sobre o programa.”
(Lucimere Cristina Silva, auxiliar de escritório)
“Honestamente não vejo. Às vezes dou uma olhada e é aquela coisa de sempre: a oposição se agarrando como pode, tentando reverter algo que parece tranqüilo.”
(João Biss, advogado)
“Embora possa parecer um pouco cansativo, o horário gratuito cumpre seu papel, oferecendo-nos a oportunidade de conhecer um pouco mais os candidatos. Reconheço que a participação de alguns chega a ser ridícula, devido à exigüidade de tempo. Mas talvez isso pudesse ser resolvido concentrando-se o tempo em um número menor de apresentações.”
(Orlando Pessuti, deputado estadual pelo PMDB)
“A eleição anterior foi mais divertida, mais disputada. A eleição não chega a empolgar, ainda mais pela ausência de candidato novo e novas propostas. São figuras todas conhecidas. Na eleição passada havia mais interesse. Hoje há janelinhas, sem que nenhuma idéia seja desenvolvida, até em termos de qualidade está sem nada diferente. Agora há um dado interessante: o videocassete toma conta dos lares, o que não acontecia das vezes passadas, e o telespectador usa o horário dos candidatos para rever filmes. O índice de audiência devia estar pela casa dos 65 pontos, já que se trata de um programa em rede. Mas existe também um desencanto muito grande na política.”
(Jamil Snege, publicitário e escritor, ex-participante de campanha)
Parece que foi ontem. A jornalista Adélia Maria Lopes colheu os depoimentos acima nas eleições municipais de outubro de 1988, para a edição domingueira deste O Estado do Paraná, quando editava com sua reconhecida competência o caderno de variedades Almanaque. ”“Horário gratuito na TV? Nem de graça!, era o título da matéria de capa.
Quase dezoito anos depois, Adélia foi cuidar dos netos e, nas horas vagas, emprega seu talento na área editorial de moda. Daquela reportagem, nem mesmo as vírgulas merecem reparos.
Dante Mendonça [20/08/2006] O Estado do Paraná.

Sábado, Agosto 19, 2006

Mega-província — Paiór Literário.

Sorda — cartunizta inguinoranti,
mais grôço que papér de embruiá prégo. Êta!

Polêmicas Mulheres.

Dia Mundial da Fotografia Project ISM.

Dia Mundial da Fotografia.

Meu habitat — Foto de Eliana Borges.

Dia Mundial da Fotografia.

Autoria desconhecida.

Uivando pra Lua.

Aproxima-se o Dia do Cachorro Louco (24), do homem sem psique, daquele que divertiu e se divertiu durante sua passagem pela vida, “que se dá num imenso, inenarrável e infinito presente”.
Na condição de biógrafo e admirador da obra do Paulo, anuncio orgulhosamente que O BANDIDO QUE SABIA LATIM (Record) está se encaminhando para a 3ª. Edição, agora inteiramente revisada e onde o único erro renitente é o crédito do fotógrafo “Nega” Miranda, que vocês conhecem muito bem.
Uma questão técnica não permitiu alterações no encarte de fotografias. De resto, pela experiência deflagrada com o livro e pelas andanças no interior do Brasil (aqui incorporadas a Torquato Neto, meu outro biografado) posso sentir na carne e na lata a força da poesia autêntica.

Toninho Vaz, de Santa Teresa

Em novembro, 42 graus à
sombra e água fresca!
em verdade vos digo:
nada tenho
contra meu umbigo
solda
(para clarah averbuck)

Ele.

No Dia Mundial da Fotografia,
Henri Cartier-Bresson.

Dia Mundial da Fotografia.

João Urban e Nego Miranda

O 19 de agosto seria um dia como outro qualquer, não fosse a data em que se comemora o Dia Mundial da Fotografia. Para muitos, apenas um sábado comum, mas quem entende do assunto sabe que o dia deve ser lembrado.
Para comemorar a data, a Livrarias Curitiba vai promover um bate-papo com dois conceituados profissionais: João Urban e Nego Miranda. O encontro será hoje, às 19h, na megastore do Shopping Estação, com entrada franca Durante o evento, eles vão falar sobre fotografia e seus livros mais recentes. João Urban e Nego Miranda trabalham juntos desde 1977 e já escreveram vários livros.
Para o início de 2007, já em fase adiantada de produção, Miranda vai apresentar o livro Morretes, meu pé de serra. A fotografia documental é um gênero que não levanta somente questões estéticas, mas conta grandes histórias e registra mundos diversos. Os trabalhos de Urban e Miranda mostram alguns desses mundos, como os trabalhadores da erva-mate, a vida dos bóias-frias e outras peculiaridades que boa parte dos moradores urbanos jamais conheceria em detalhes.
Destaque também para a maneira como eles mostram seus trabalhos no momento em que registram a arquitetura de madeira no Paraná ou as memórias da imigração polonesa.
Jornal O Estado do Paraná.

Polêmicas Mulheres — La Chica de Hoy.

Project ISM. Oiés!
Miran — Um Rapaz de Fino Traço.

Lalau.


Stanislaw Ponte Preta disse, há tempos, que em breve o terceiro sexo estaria em segundo. Pelo jeito, já está.

Clic.

Foto de João Urban — do livro Tu i Tam.
Desenho de FontanarrosaEl Negro.

Charge do dia/O Estado do Paraná.

Solda — o monge do Bacacheri.

Clic.

Foto de Karime Stavitzki.

Bolívia.

Eu prefiro as curvas da estrada de Santos.

Sexta-feira, Agosto 18, 2006

Pryscila Vieira — Exposição.

Pryscila Vieira mostra Amely, a mulher de verdade, no Hacienda, Rua Prudente de Moraes, 1283. O último a chegar é mulher do padre Marcelo Rossi.

Solda vê TV.

Nos tempos d'O Pasquim.

Desenho de Fortuna.

Planeta Água.

National Geographic.

Mata Atlântica — Detalhe.

Project ISM.

Mata Atlântica.

Charge do dia/O Estado do Paraná.

Solda — o monge do Bacacheri.

Não Vote Nulo, Vote Nulowski!

Por experiência própria, o cientista político aposentado Tadeusz Nulowski advoga a tese de que o voto nulo é um legítimo instrumento de protesto. Já foi candidato a deputado e não se deu bem: “Meus eleitores captaram a minha mensagem e sufragaram nulo!” - reconhece o ex-radialista e ex-funcionário da Sunab que posteriormente ingressou na vida acadêmica, vindo a formar-se em Ciências Políticas e Gestão Pública. Na foto de 1988, o candidato se apresentando no horário eleitoral gratuito.
Tato Nulowski, como é mais conhecido, nasceu no extinto bairro curitibano do Estribo Ahu. Começou a vida profissional carregando fios nas transmissões esportivas da rádio “Marumba Querida”, até galgar o alto posto de plantonista esportivo. Depois de dez anos na carreira radiofônica, Nulowski arrumou uma boquinha na extinta Sunab (Superintendência Nacional do Abastecimento). Naquele cabide de emprego, Tato ganhava pouco. Apenas o suficiente para manter os seus inúmeros vícios noturnos. Sinuca, principalmente.
Foi na Sunab que ex-radialista despertou realmente para a política, mais exatamente durante o Plano Cruzado, implantado em 1.º de março de 1986 por Dílson Funaro, ministro da Fazenda do governo de José Sarney. Nas intermináveis filas dos açougues, sentiu na carne - que era disputada a tapa - o prazer da popularidade e a doce picada da mosca azul. O Fiscal do Sarney chegava a ser aplaudido nos botecos da periferia, depois de ter autuado um português por falta de azeitona na empadinha. Declarou Tato Nulowski, na época: “Chega de botar azeitonas nas empadinhas dos outros. Vou tratar de botar dezenas, centenas, milhares de azeitonas nos meus próprios quitutes”.
Tadeusz Nulowski aderiu à Nova República na primeira hora e até hoje guarda na parede um retrato do ex-ministro da fazenda Dílson Funaro, de quem recebeu o diploma de Fiscal de Sarney. O Plano Cruzado não deu certo, mas candidatura Nulowski deu. Depois, é claro, de inúmeras negociações dentro e fora da base governista. 10% de um, 20% de outro, mais uma comissão aqui, outra lá para as despesas com santinhos, tudo em nome da moralização da vida pública.
O candidato Nulowski tinha sua plataforma política radicalmente estampada nas bandeiras populares: farta distribuição de cestas básicas e tudo pelo social. Era esta a plataforma de Nulowski, a nível de:
1 - A nível de transparência na administração pública, vidro fumê em todas as repartições. A nível de viabilização, perfeitamente factível.
2 - A nível de competência, o Estado precisa ser administrado como se fosse um Todo. Ou seja: Deus, o Todo Poderoso.
3- A nível de resgate precisamos resgatar os resgates culturais, históricos e, principalmente, hipotecário.
4 - A nível de saúde, saudações atleticanas, coxas e paranistas.
5 - A nível de educação, tradição, família (vai bem?) e propriedade.
6 - A nível de seriedade com a coisa pública, chega de piadas de papagaio e português. Precisamos urgentemente mudar o discurso e contar aquela da bicha grávida; ou a classe política corre o risco de cair no descrédito perante aos vários segmentos da sociedade organizada.
7 - A nível de avanços, a segurança no trânsito merece ser repensada: são muitos os companheiros avançando o sinal. Dez ou vinte por cento, seria razoável. Ocorre que os companheiros estão mordendo até a nível de porta de igreja quadrangular do segundo turno.
8 - A nível de conscientização política, a luta continua: não vote nulo, vote Nulowski.
Dante Mendonça [18/08/2006]O Estado do Paraná

Quinta-feira, Agosto 17, 2006

Detalhe.

Project ISM.