Sábado, Junho 30, 2007
Leia-se!
de tanto que a pedra goza
quando a água nela roça
Pitangas, de Tatiana Fraga, apresentação de Toninho Vaz, com ilustrações de Gê Monteiro, Uiraí Fusccaldo e Willain Taciro, edição da autora. Na dedicatória ela escreveu: "Solda, minhas poesias de menina". Baita menina, diga-se de passagem. Sempre em frente Tatiana, beijos. Soruda-san
Últimas notícias
Um trem-bala ligará o Rio de Janeiro a São Paulo em 8 anos. Não é muito tempo? A pé, pode-se chegar muito mais rápido. Soruda-san. Rá!
A caça ao Turpente

O livro que eu gostaria de ter escrito. Excerto do momento que o Confeiteiro se explica para a tripulação formada por Campainha, Castor, Chapeleiro e outros (na tradução de Álvaro Antunes):Meus pais eram pobres, porém muito honestos...
“Pule isso!”, disse o do sino.
“Morto o sol no poente, ai, adeus Turpente!,
Cada segundo é vital, menino.”
“Pulo quarenta anos dos meus desenganos
E prossigo sem outro incidente
Até o dia em que me engajei no navio
Pra ajudá-los na caça ao Turpente
“Um caro meu tio (a quem devo meu nome),
Fui dizer-lhe adeus, me avisava...”
“Pule o caro teu tio!” e tome que tome,
O do sino com raiva blimblava.
(...)
Para quem não sabe, Turpente é uma mistura de Tubarão com Serpente (Snark, como diria o autor Lewis Carroll).
Toninho Vaz, de Santa Teresa
Ganço & Solda
Na exposição de Rogério Dias, Guilherme, o popular Ganço, e Solda, vulgo Soruda-san, fazendo biquinho.
Deu no Jornal - Fábio Campana
Recuo Dois passos à frente, quatro atrás. O Tribunal de Justiça do Paraná suspendeu a proibição de nepotismo nos municípios de Ivaté e Alto Paraíso, no norte do Paraná. A decisão garante a recontratação dos parentes dos prefeitos e secretários que haviam sido demitidos há poucas semanas. Fábio Campana (30/06/2007) O Estado do Paraná
Polaco da Barreirinha
Thadeu Wojciechowski, na exposição de Rogério Dias, faz cara de intelectual curitibano. Depois da foto, ele voltou ao normal. Rá!
Deu no jornal - Folha de Londrina
Células tronco Uma experiência médica inédita e que terá grande repercussão na área de saúde ocorreu no Paraná, nesta semana. Foi realizado no Hospital de Clínicas de Curitiba o primeiro transplante de células-tronco do País. É um avanço e tanto. O médico responsável é um dos maiores especialistas brasileiros na área, Danton Rocha Loures.
Na cardiologia Na semana que vem, Rocha Loures anuncia o transplante e inaugura o Centro de Células-tronco no Centro de Cardiologia do Hospital de Clínicas. Fora do Filo Ou o Paraná está falido mesmo ou o governo Roberto Requião perdeu toda e qualquer medida das coisas: recusar R$ 50 mil para a realização do Festival Internacional de Londrina, o Filo, é o fim do mundo! Só dá Niemeyer Uma verba destas, R$ 50 mil, é troco perto do que o governo destinou nas exposições do Museu Niemeyer, sob o comando de dona Maristela Requião. Todo o dinheiro da Copel, destinado para os patrocínios culturais, vai direto para o Niemeyer. E sem este aporte de recursos, dona Maristela sabe disso, o Niemeyer jamais apresentaria tão bons resultados em termos de eventos e exposições. Sem nada? Se o governo negou R$ 50 mil para um festival da tradição do Filo, com todo o espaço que conquistou no meio teatral no País e no mundo afora nestes últimos 30 anos, o que dá pra esperar na área cultural? Apresentações do Nelsinho Perereco e Neco Boiadeiro no Teatro Guaíra? Ruth Bolognese (30/06/2007) Folha de Londrina.
Sexta-feira, Junho 29, 2007
Orlando Pedroso, singular e plural
Há pessoas que desenham como se o nanquim – ou o guache ou a aquarela ou o pastel ou o acrílico – coagulassem em sua veia criativa antes de qualquer inspiração poder fluir sobre o papel. Tipo eu. E há pessoas com um sistema circulatório artístico completamente desobstruído, que favorece o jorro do talento com qualquer material. Tipo o Orlando Pedroso. Você olha um único desenho e não precisa ser especialista em arte pra diagnosticar: esse cara jamais teve ou terá qualquer bloqueio criativo. Pelo contrário: quando admiramos a fluidez do seu bico de pena (por exemplo, ao folhear seu livro Moças Finas) nossas artérias é que se aceleram, com o prazer visual. Esse sensual livrinho, aliás, nasceu dessa agilidade gráfica do Orlando Pedroso, a partir de uma seqüência de postagens no blog do Solda. Como se explica tamanha capacidade e qualidade? Coisas de DNA. E da experiência e da cultura, acumuladas: sua trajetória de ilustrador já tem 30 anos, mais de 20 na Folha de São Paulo. Por isso se dá ao luxo – ele pode se dar! – de manter na internet duas galerias da sua produção, uma de trabalhos publicados, uma outra de inéditos; imagine, um artista que dá a você a opção de onde babar. O tempo livre (!) Orlando Pedroso ocupa com exposições individuais e coletivas, como os salões de humor. E nesses últimos, o talento dele se vale (ainda!) de outra ferramenta, a câmera, para abastecer seu terceiro espaço eletrônico, o blog só desenhistas, que por si só é uma valiosa contribuição à memória nacional. Fraga (29/06//2007) Coletiva. netMomento Caras de Itararé
Foto de Lucila
Palito e Lucia no Cavern Club, Liverpool, dezembro/2006. Invernaço, mas uma Guiness (a melhor cerveja inglesa é irlandesa) esquenta qualquer esqueleto. Ouiés!
Eu vi

Os números do borderô não mentem jamais: 131 pessoas (oficialmente) assistiram ao show do Blindagem no Teatro Opinião, em Copacabana, na noite do dia 3 de fevereiro de 1979. Não foram contabilizados os fãs e amigos que chegaram de Curitiba acompanhando a banda, entre eles o Fernando Blim, Paulo Leminski e a nova namorada do Ivo, a menina Suca. Na verdade, o pequeno teatro de arena estava lotado – e reparem que o tempo estava chuvoso. Este seria o terceiro show da banda na curta temporada carioca, coberta de glórias e prestigio entre os malditos que apareceram “ligadões” na sessão de meia-noite.
Na platéia, destaque para Janis Joplin, uma gordinha que andava na noite carioca imitando a estrela do rock, com voz rouca e tudo, o mesmo cabelo e trejeitos. Ela dizia, estendendo a mão: "Prazer, Janis...".
Toninho Vaz, de Santa Teresa
Acho que é proibido fumar...
Em Praga, um aviso, que não sei o que realmente significa. Tcheco mão é o meu forte.
Deu no jornal - Folha de Londrina
Daltônicas
De estradas de rodagem. A velhinha desce a Serra do Mar dirigindo atenta e agarrada ao volante. Quando passa pela fila das imensas carretas de soja, que esperam pacientemente a vez de prosseguir até o Porto, suspira, aliviada: ‘‘Pra mim, caminhão bom é caminhão parado’’, sentencia.
Ruth Bolognese - Folha de Londrina(29/06/2007)
Flagrante
Vera Solda, disfarça e consome paçoquinha em público, na exposição de Iara Teixeira. Foi detida para averiguações. Rá!
Déficit de atenção
Foto de Andre Porto Qual a diferença entre a “Turma de baixo” e a “Turma de cima”? Em Curitiba, a polícia prendeu quatro elementos de uma gangue de jovens que aterrorizava a Vila das Torres. No Rio de Janeiro, uma empregada doméstica foi espancada e roubada por cinco jovens moradores de condomínios de classe alta na Barra da Tijuca.
No encalço de duas violentas gangues rivais, os policiais invadiram uma casa na Vila das Torres onde seria o “quartel-general” da gangue chamada “Turma de baixo”. No local, foram apreendidas uma espingarda calibre 12 milímetros e quatro munições. Pioto, de 19 anos, um dos capturados, tinha prisão preventiva decretada por assassinato. Os policiais não têm dúvidas de que Pioto é autor de outros crimes ocorridos na Vila das Torres, bairro miserável na porta de Curitiba. Na porta da cidade, a visão do bairro apavora quem pretende “relaxar e gozar” no aeroporto. Pioto é chefe da “Turma de baixo”, rival da “Turma de cima”. O confronto entre as duas gangues da Vila das Torres espelha esse Brasil varonil, com toda sua grandeza.
No Rio de Janeiro, a empregada doméstica Sirlei foi espancada e roubada pela “Turma de cima”, jovens moradores de condomínio da alta classe média da Barra da Tijuca. Sirlei estava em um ponto de ônibus quando cinco rapazes desceram de um Gol preto e começaram a chutá-la na cabeça e na barriga, como se fosse uma lata velha. A agressão da “Turma de cima” foi testemunhada por um taxista que passava pelo local.
Não são poucas as diferenças entre a “Turma de baixo” e a “Turma de cima”. Pioto, o líder da “Turma de baixo”, quando mata com uma espingarda 12 milímetros, não tem um pai que peça desculpas à família da vítima. Filhos de papai, a “Turma de cima” é gente fina. O pai de Rubens Arruda pediu desculpas à empregada: “Eu queria dizer para a sociedade que nós, pais, não temos culpa disso. Eles cometeram erro? Cometeram. Mas não vai ser justo manter crianças que estão na faculdade, que estão estudando, trabalham, presas. Botar eles em uma Polinter? Desnecessário”.
Desnecessário seria dizer o destino dos dois jovens de 19 anos. Da “Turma de baixo”, dentro de 30 anos Pioto não será mais gente. Sem choro nem vela, sem sepultura, será um número estatístico.
Da “Turma de cima”, dentro de 30 anos Rubens Arruda será gente importante, as possibilidades são grandes. Livre da prisão, por desnecessário, quem viver ainda verá sua excelência se defendendo de falcatruas no exercício da vida pública. O presidente vai pedir cautela, a ministra dirá que o senador é inocente. Na “Turma de cima”, a impunidade vem do berço esplêndido.
Da “Turma de cima”, Paris Hilton está em liberdade. Em entrevista a Larry King, da CNN, contou que nunca usou drogas, nunca bebeu muito. Repetiu o que já dizia o cantor Tim Maia: “Não fumo, não bebo e não cheiro. Só minto um pouco”. Paris disse também que mal perdeu peso na prisão e comentou que as únicas medicações que toma são para o problema de “déficit de atenção”, que foi diagnosticado quando tinha 12 anos.
“Déficit de atenção” é a doença da “Turma de cima”. A “Turma de baixo” sofre da mesma moléstia. Foi preciso Paris Hilton sair da cadeia para descobrirmos o problema que aflige a Vila das Torres.
Dante Mendonça [29/06/2007]O Estado do Paraná
Quinta-feira, Junho 28, 2007
Socialite em liberdade
Paris Hilton deixou a prisão de Lynwood, na Califórnia, depois de ficar 23 dias confinada.
Deu no jornal - Reynaldo Bessa
Beto Bruel - Foto de Solda Arrival. Os iluminadores paranaenses Beto Bruel e Nádia Moroz Luciani desembarcaram nesta quarta-feira em Curitiba, depois de alguns dias em Praga, na República Tcheca, onde foram participar do Congresso da Organização Internacional de Cenógrafos, Técnicos e Arquitetos de Teatro. A dupla integrou a comitiva brasileira de profissionais de teatro que luta para criar uma sede da entidade – ligada à Unesco – no Brasil.
Horóscopo
Para todas as pessoas nascidas hoje: um mar de felicidades em meio a um deserto de dificuldades. Prof. Thimpor.
Fotos Históricas
"El coronel asesinó al preso; yo asesiné al coronel con mi cámara". Eddie Adams, fotógrafo de guerra, fue el autor de esta instantánea que muestra el asesinato, el 1 de febrero de 1968, por parte del jefe de policía de Saigon, a sangre fría, de un guerrillero del Vietcong,que tenía las manos atadas a la espalda, justo en el mismo instante en que le dispara a quemarropa. Adams, que había sido corresponsal en 13 guerras, obtuvo por esta fotografía un premio Pulitzer, pero le afectó tanto emocionalmente que se reconvirtió en fotógrafo del mundo rosa.
Não há surpresa, nem novidade. Assim é a vida. Começo, meio e fim; com bons, amenos e maus momentos, um tempero sem o qual ela perderia a graça. Esse adeus, paradoxalmente, não é propriamente o adeus da despedida final, mas o adeus de um jornal que foi por longos anos minha segunda casa, empresa à qual dediquei muito do meu sangue e, no jornalismo do passado, até algumas noites indormidas. Lembro-me agora que no momento em que passamos da rotativa convencional para o sistema “off-set”, que fui conhecer quando a convite do governo americano, tomei contato com os principais jornais dos Estados Unidos e, apropriadamente, com alguns de menor porte, como da cidade de Napa (conhecer o The New York Times, para jornalista provinciano, só assusta e causa inveja), mas os diários de outras cidades dos EUA são interessantes e ali pudemos aprender alguma coisa. O que estou, contudo, querendo dizer é que estou me despedindo de uma empresa que dividiu meu coração, que me ofereceu a oportunidade de ganhar algum respeito em nossa imprensa, depois de nela batalhar por algumas décadas, através da qual mantive uma ligação relevante com a sociedade e que me permitiu criar o jornal que sempre imaginei, um jornal para a cidade de Curitiba, para o qual, como disse na primeira reunião com os redatores, seria de maior importância um mendigo esfomeado na Praça Tiradentes do que um acidente de avião na Indonésia. E, lembro-me ainda que briguei pelo título. Ao tempo, o diretor-gerente, saudoso João Baptista Moraes, insistia que fosse Jornal do Dia, com a idéia de que o leitor indeciso pedisse na banca um jornal do dia. Talvez? Já o Josias Marquesi sugeriu Folha do Paraná e, se não me engano, o Humberto Saporiti preferia Diário de Curitiba. Boas idéias. Mas não sei impulsionado por qual sentimento, encasquetei com Tribuna do Paraná e, com o apoio de Fernando Affonso Alves de Camargo, sócio igualitário de Aristides Merhy, já então diretor de O Estado do Paraná, quando Fernando, não diretor apenas da editora, apanhou uma cadeira, sentou-se ao meu lado e como se falasse um segredo me cochichou: “Você, que é a melhor cabeça dessa redação, bole um jornal para vender 500 exemplares nas filas de ônibus, no fim da tarde”. Passados alguns dias, cobrou-me: Pronto? Ainda não. Como um jornalzinho para vender 500 no fim da tarde... Não, Fernando. Vamos criar um jornal para Curitiba. Como? Sim, um jornal para o qual será notícia de maior valor o fato sucedido localmente, de interesse direto dos curitibanos, com eles relacionados, onde ele saiba que poderá encontrar informação sobre seus amigos, vizinhos, parentes, enfim dos seus mais próximos, em lugar de saber se Brigite Bardot estava de namorado novo ou se Sofia Loren teria acertado um novo casamento. E o nome? O nome está aqui: Tribuna do Paraná. Tem certeza? Absoluta. Em pouco tempo, o leitor vai chegar na banca e dizer simplesmente: a Tribuna, por favor! Será? Espere e vamos conferir. Não precisou muito tempo. A sorte (que o céu me perdoe!?) foi que logo em seguida caiu um avião da Real, creio que o único acidente grave até hoje no Aeroporto Afonso Pena, no qual morreram o senador Nereu Ramos e o governador catarinense Jorge Lacerda. E a edição extra da Tribuna tomou conta da cidade. E a cidade nunca mais a abandonou. P.S. - Grato à sociedade curitibana, que jamais me incomodou por haver escrito algo malrecebido, único orgulho que alcancei, e até breve, numa esquina qualquer... João Feder [24/06/2007] O Estado do Paraná.Momento Caras de pau
Amely, a boneca inflável da Pryscila Vieira e alguns dos visitantes ilustres, ilustrados e ilustradores: Solda, cartunista mimado, Bibiana, Sampaio e Retta, el Rettamozo.
Los pajaritos
Foto de Ganço
Thadeu Wojciechowski pousa ao lado dos passarinhos de Rogério Dias, estupefacto. Poetas e pássaros são companheiros inseparáveis. Soruda-san
Meu pé esquerdo
Na exposição de Iara Teixeira no Guairão, o pé do Tito, filho de Nancy e Lobão, neto de Nireu Teixeira. Traquinagens! Traquinagens!
Raul Seixas
Hoje seria aniversário de Raul Seixas, se ele não tivesse bebibo todas ao mesmo tempo. Fosse ele americano, seria uma mito internacional. Ouiés!
Deu no jornal - Folha de Londrina
Eleição para Papa
A jornalista Mariana Lima Czerwonka informa que a decisão de Bento XVI, tomada anteontem, na verdade não facilita (como foi interpretado por esta coluna), mas sim dificulta a eleição do novo Papa. Agora vai ter até segundo turno, para novas alianças.
Problema
Pelo jeito, o Último Rei do Paraná terá que batalhar bem mais para sair candidato a Papa. Talvez, depois desta nova interpretação, nem tente. E se tentar, pode até ganhar. Mas só por 10 mil votos.
De valores diferentes
Na aula politicamente correta, a professora ensina que todo material plástico polui a natureza porque leva centenas de anos para ser diluído. O que faz a menininha concluir: ''Então, plástico é muito bom mesmo!''
Ruth Bolognese - Folha de Londrina (28/06/2207)
Resistência ao ordinário
Nunca contei pra ninguém, mas em 2002 ganhei o prêmio de “livro do ano”, oferecido pelo jornal O Capital, de Aracajú, pela biografia Paulo Leminski (eles erram e colocam o y) O bandido que sabia latim. Como prêmio, fui convidado especial para uma temporada de três dias (com direito a acompanhante, é claro) num hotel 5 estrelas na magnífica orla da cidade. Fui recebido e paparicado pela diretora do jornal, Ilma Fontes, incansável batalhadora pela cultura brasileira, que me ofereceu também um criativo Certificado de Resistência ao Ordinário – prêmio que sempre me foi muito especial.Toninho Vaz, de Santa Teresa
Virgindade moderna
Foto sabe-se lá de quem Primeira noite dos recém-casados.Na cama, a moça diz ao rapaz:
— Sabe, amor, eu não disse a você, mas eu não sei fazer nada de nada...
— Não se preocupe, minha linda! Você tira a roupa e deita sobre a cama, e deixa que eu faço o resto! E ela, muito meigamente, responde:
— Não amor! Trepar, eu trepo pra caralho! O que eu não sei é lavar, passar, cozinhar...
Quarta-feira, Junho 27, 2007
Alice, essa maravilha
Foto de Dico Kremer/1980
Alice Ruiz, para quem não conhece as alices ruízes, é uma planta da família das violáceas, de estípolas foliáceas, sempre cercada de áureasalices e estrelas-da-manhã por todos os lados, cuja função é servir de alicerce para todos os aquis, deixando para cá os alis que agora gorjeiam e não gorjeiam como lá.
Há as alices ruízes que flutuam como as brumas de um letargo, que provocam os broquéis dos cruzesouzas e alimentam fonemas nos vocábulos, causando uma leve aliteração aos sábados, desde que simetricamente dispostos.
São seres alígeros, descritos em prosa e verso, na sua mais transparente tradução, aliformes, alindados e, por tudo isso, alimento dos deuses.
As alices ruízes, poiemas, que provocam as tempestades no deserto, transubstanciam-se em primavera em pleno outono, numa galactopoese silenciosa antes do pôr-do-sol, contrariando a teoria da versificação.
Outras, poietés, de imaginação inspirada, de três versos, dos quais dois são pentassílabos e um, o segundo, heptassílabo, são pequenas ilhas orientais que seduzem e deslumbram até prova em contrário.
Agrisalhadas, com o passar do tempo, são fontes de água lustral, a água sagrada dos antigos, preparada na pira dos sacrifícios, diferente das águalices comuns.
Líquidas e certas, na Grécia, eram cultivadas aos pares para exposição de idéias sob a forma imaginativa, em noites de lua cheia.
A especialidade das alices ruízes é a floração, desenvolvida com astúcia e elegância quando as palavras se encontram.
Há ainda os horóskopos, alices ruízes dedicadas às divindades, à religião, aos ritos e aos cultos, entre uma página e outra, pitonisas transparentes, cúmplices da situação dos astros.
Todas as alices ruízes unidas, uma por todas e todas por uma, sempre, são moças polidas, levando uma vida lascada.
E, no país das maravilhas, enquanto você faz poesia, elas, poetas no país dos espelhos, ouvem a cotovia.
Solda — não recordo a data
Fotos históricas
La famosa foto del Che Guevara -se llama formalmente Guerrillero heroico- en la que aparece su rostro con la boina negra mirando a lo lejos, fue tomada por Alberto Korda el 5 de marzo de 1960 -cuando Guevara tenía 31 años- en un entierro por la víctimas de la explosión de La Coubre, pero no fue publicada sino hasta siete años después. El Instituto de Arte de Maryland (Estados Unidos) la denominó "La más famosa fotografía e icono gráfico del mundo en el siglo XX". Es quizá además la imagen más reproducida en la historia, apareciendo en carteles, camisetas, obras de arte, y un largo etcétera. Expresa desde un símbolo universal de rebeldía -en todas sus interpretaciones- (sigue siendo un icono para la juventud no afiliada a las tendencias políticas principales) hasta una imagen "sexy".Deu no jornal - Folha de Londrina
Promessa São Judas não é fraco.
Vem atendendo religiosamente ao pedido desta coluna de não mais ter que responder processos na Justiça por conta das mal traçadas linhas. Lá se vão dois anos totalmente invicta. Além do apoio incondicional do Santo, políticos e afins também deram uma mãozinha: perderam a vergonha de ser o que realmente são.
Daltônicas.
De projeto inviável. Mais por necessidade do que por vaidade, o macho cinquentão marcou a cirurgia no nariz. E o amigo gaiato batizou a experiência de ''projeto Brad Pitt''.
Ruth Bolognese (Folha de Londrina) 27/06/2007
Lugar-comum
Foto de Palito
Estação ferroviária de Itararé.
Não é nem um retrato pendurado na parede
ainda, mas como dói! Soruda-san
Como dói viver em Curitiba
Foto sabe-se lá de quem!
Sábado de sol e calor, no domingo passado fomos vaguear na Baía de Paranaguá, com a promessa da moça do tempo de um dia ensolarado. Vento sul na popa, a frente fria se antecipou e nos deixou a ver navios. Sorte que o almoço na Caçarola do Joca, em Antonina, compensa qualquer falha da bela morena do tempo. Azar que subi a serra com um resfriado.
“Como dói viver em Curitiba”, dizia Temístocles Linhares(1905-1993). Curitibano, crítico literário do jornal O Estado de S. Paulo e autor, entre outros, da História crítica do romance brasileiro, o professor Temístocles deixou também para a posteridade o Diário de um crítico - Coleção Um Brasil Diferente, Imprensa Oficial -, suas memórias em seis volumes, 2.500 páginas impressas, correspondentes a 14 cadernos escritos à mão, com uma esferográfica preta, durante duas décadas e meia, de 1963 a 1982.
No dia 6 de fevereiro de 1982, aquele que foi um dos grandes amigos de Dalton Trevisan escreveu um tópico que parece ter sido escrito na segunda-feira passada - dia penumbrento, sem nenhuma réstia de sol.
“Nunca vi um mês de fevereiro como este. Não é são só os homens que andam de cabeça virada. Mas também o tempo. Fevereiro frio, mais parecendo inverno que verão. Hoje, por exemplo, para sair à rua, quem não quiser apanhar uma gripe deve envergar roupa de lã. Tal o mau tempo que faz: brusco, sem sol e sem nenhuma perspectiva de melhora. Esse mau tempo faz supor estarmos num país nórdico europeu, onde dificilmente o sol aparece.
Curitiba, que nunca primou por bom clima (será por causa da altitude?), está ficando muito civilizada, bem próxima do fog londrino. É uma contradição: civilizada sob esse aspecto negativo, para quem, como eu, gosta do sol, do calor procriador que nos faz pensar na vida e não na morte. Isso, de qualquer forma, explica ter havido aqui um movimento simbolista (produto nórdico por excelência), o mais importante do Brasil, porque o chamado decadentismo encontrou aqui o que lhe era essencial: o ambiente, o que hoje se chama de ecologia. A sua ecologia, portanto. Nesse sentido, Curitiba ainda continua a ser a cidade da neblina, da névoa, da alta capacidade evocativa, obrigando as pessoas a não sair de casa, aconchegadas ao fogo da lareira, coisa que não existe quase aqui, pois os arquitetos não pensaram neste detalhe, planejando construções mais de verão do que de inverno. Parecem ter sido partidários do frio e, então, dentro do raciocínio lógico, bem cartesiano, quanto mais frio as pessoas sentirem melhor. Para eles, chega a ser sinônimo de saúde. Erro crasso, uma vez que no frio é que se contraem as piores doenças, as de fundo respiratório, como a asma, a pneumonia aguda, a tuberculose, etc. Os resfriados são constantes e eles nos debilitam o organismo. Aqui é raro alguém chegar aos 80 anos, coisa hoje banal em outras cidades. É preciso ser de aço para agüentar esses dias penumbrentos, esse clima sem verão, sem sol, sem calor, sem vida. Ah! Como dói viver em Curitiba”.
O homem e o tempo continuam de cabeça virada. Já nos acostumamos a ver um inverno como este. Ontem, terça-feira, o sol voltou a aparecer, a temperatura estava em elevação.
Aquele clima nórdico de segunda-feira, de 24 penumbrentas horas, foi como se o inverno nos tivesse deixado um recado, em tom de ameaça:
— Não esqueçam de mim! Eu ainda existo!
— Não esqueçam de mim! Eu ainda existo!
Dante Mendonça [27/06/2007] O Estado do Paraná
Terça-feira, Junho 26, 2007
Coincidências coincidentes
Esperou sentado durante horas num móvel de madeira onde cabiam várias pessoas e não foi atendido pelo sujeito que prometeu-lhe uma infusão de ervas. Tomou um chá de banco. Pediu transferência no quartel, manifestando seu interesse por atividade mais sedentária na guarnição, porém teve sua solicitação indeferida. Marchou. Estava a fim de lançar um novo ritmo e o líder da turma o impediu, impondo o compasso do passado que tanto detestava. Dançou conforme a música. Seus argumentos a respeito da validade dos métodos antigos de educação à base de castigos foram inferiores ao do velho professor. Deu a mão à palmatória. Ao jurar para o companheiro de viagem que não retornaria ao ponto de partida daquela peregrinação, não sabia que a estrada tinha fim. Voltou atrás. Afirmou ser bom em metáforas até mesmo montado em eqüinos sem suspeitar que as figuras de linguagem espantariam o animal. Caiu do cavalo. Se surpreendeu na hora em que pediu dinheiro emprestado para comprar uma pulseira nova pro seu cebolão e o agiota exigiu o relógio em garantia. Ficou empenhado. Acho que não perderia a calma ao disputar com uma criança habilidosa aquele joguinho de tirar um pauzinho sem mexer nos demais. Envaretou. Imaginou, para pôr fim à sua castidade, obter, de graça, todos os prazeres que uma prostituta podia lhe proporcionar. Pagou os pecados. Foi um susto quando o otorrinolaringologista lhe disse que a deficiência funcional das suas glândulas salivares era definitiva. Engoliu em seco.
Deu no jornal - Folha de Londrina
Daltônicas.
De questão de classe. No condomínio de apartamentos é tudo muito transparente: se a filha da zeladora se torna modelo os moradores vibram. Se o dono da cobertura compra carro novo, os empregados vibram. O que não se perdoa, de jeito nenhum, é o sucesso entre os próprios pares. Aí, a inveja campeia. Ruth Bolognese (26/06/2007)
Segunda-feira, Junho 25, 2007
Foi assim
Foto Cristina Lacerda (editora Record)Menestréis e seresteiros tentam se organizar para a leitura de poemas de Paulo Leminski, no lançamento do meu livro O Bandido que sabia latim, em 2002. A partir da esquerda, Pedro Bial, Claufe Rodrigues, Jorge Mautner e Wally Salomão (falecido em 2003); eu estou na supervisão. Foi na livraria Argumento, no Leblon, em noite memorável. (Todos manipulam o livro branco da ZAP, emprestado da minha coleção particular).
Toninho Vaz, de Santa Teresa
Toninho Vaz, de Santa Teresa
Ela.
A maior cartunista paranaense, única do Paraná a fazer o Plim-plim da Globo. Autora de Amely, a boneca inflável, em exposição no Solar do Barão. Falei e disse.
























































































































































































