Sexta-feira, Novembro 30, 2007
Quinta-feira, Novembro 29, 2007
Terça-feira, Novembro 27, 2007
Uaus!
Domingo, Novembro 25, 2007
Não vemos mais, desde as altas fortificações da ilha de Sagres, os navios que antes singravam ao longe o eterno mar - azul feito a morte dos pássaros azuis cantada pelo velho aedo de Alexandria.
Ilha de grandes e lisas pedras incrustadas ao rochedo que alto se ergue e, detalhe essencial, florescido de musgos, numa profusão de cores, desassombrada. Do roxo ao vermelho-maravilha, passando pelo magenta e o lilás, os musgos ondulam, quase vivos, mexem-se e ondulam, agarrados ao solitário rochedo de Sagres.
A poucos é dado enxergar a ondulação dos musgos assim como igualmente a muito poucos é dado, desde a ilha de Sagres, ver os navios que não singram mais, ao longe, e o eterno mar que azul se repete, mesma a morte dos pássaros cantada pelo velho aedo de Alexandria.
E é justamente neste empenho em repetir-se - seja na ausência dos navios ou no movimento dos musgos, que se inventa, a cada dia, a cotidiana rotina da ilha de Sagres. Um milagre que ondulem os musgos e outro o de que continuem a singrar no horizonte os navios ora entrevistos desde a ilha de Sagres.
Em Sagres só enxergam os que mais vêem. Por isso mesmo exercitam o olhar com empenho digno apenas das águias, dos linces e dos tubarões, a crer nos zo-ofilistas que chegaram a visitar a ilha, ainda antes de El-Rey Dan Sebastião. Um curioso aprendizado do ver que torna, mesmo as coisas mais abstratas, em agudos objetos que se atiram à crosta da realidade com um ímpeto de flecha ou punhal. Ou nem que uma agulhada de amor atravessada no coração.
Ninguém chorou mais a ilha de Sagres do que os cegos ou os de fracos olhos que se recusavam a ver, por pura teimosia e irremovível desejo de não ver, sob nenhuma forma em que o ver consente e autoriza. Não que não existissem navios a singrar o mar de Sagres ou a bailarina ondulação dos musgos a andar rochedo e promontório. Fingir ali era indiscutível que fingiam; dúbio representava enxergá-los de tal forma que passassem a existir.
Ver era o desafio, e descobri-los, os musgos, nos interstícios das rochas, ou os sonolentos navios, ao largo do mar de Sagres, a cortar a água absoluta, também constituía a memória da ilha inscrita no arquipélago, terrível como lembrar o que já morreu.
Dadivosa, entanto, a lembrança que faz reaparecer os mortos, os navios e os musgos, no luciferino empreendimento que é, de Sagres, a sua maior ira de existir, pura ilha brotada do Oceano feito o cume de uma montanha submersa.
E não serão assim todas as ilhas? Duras flores de pedra nascidas das águas e, ao modo de Sagres, por exemplo, construída pela ondulação dos musgos e a visão de que por seus mares singrem os navios, que, nunca existindo, passaram a existir um dia, galés e velames, todas as naus de El Rey Dan Sebastião. Wilson Bueno [25/11/2007]O Estado do Paraná.
Fotografia
Dia 28, quarta feira próxima às 19:00h, o MON promove uma mesa redonda com nosso grande Milton Guran - organizador há vários anos do evento FotoRio, autor de vários livros, doutor em Antropologia pela École des Hautes Études em Sciences Sociales -, e Jean Luc Monterosso, diretor da Maison Européenne de la Photographie, ambos curadores da mostra fotográfica "Instantâneos da Felicidade", em exibição no Museu. Como as vagas são limitadas, o pessoal do Museu pede para confirmar a presença pelo telefone 3350-4469 ou pelos endereços solange@mon.org.br ou educativo@mon.org.br . João Urban.Un nuevo galardón para Crist
INCONFUNDIBLE. EL HUMOR DE CRIST - QUE FUE EVALUADO EN ITALIA POR UN JURADO PRESTIGIOSO- LLEGA A LOS LECTORES DE CLARIN TODOS LOS DIAS. EL DIBUJANTE YA GANO VARIOS PREMIOS EN SALONES INTERNACIONALES.
Un dibujo del humorista gráfico Cristóbal Reinoso (popularmente conocido como Crist) que se presentó en la "Décima edizione del Festival Internazionale di Humour Grafico Itinerante", en Italia, obtuvo el premio "Humoris Causa", el mayor galardón del Festival.
Crist, que publica su humor gráfico en Clarín desde 1973, presentó un dibujo de El "Che" Guevara con la camiseta de Maradona. Y su obra fue elegida entre dibujos de más de 250 autores provenientes de 48 países.
El Festival es un evento que se presenta en forma itinerante en distintas Municipalidades (Comuni) de la Región Lazio. Esta edición, que se inauguró en julio en la Ciudad de Castelgandolfo y culminó en octubre en la ex iglesia San Nicola en la ciudad de Ariccia, fue visitada por 12 mil personas.
El dibujo de Crist fue evaluado por un jurado integrado por los dibujantes Altan (de los diarios L'espresso y La Repubblica), Sergio Staino (de Corriere della Sera y L'unita), Massimo Bucchi (de La Repubblica y Magazine Il Venerdi), Jose Palomo (de El Universal de México) y por el director del Festival, Julio Lubetkin. "Los humoristas gráficos y sus trabajos son divertidos pero también representan a la cultura, un evento cultural en un un mundo que parece girar en contra de las agujas del reloj", expresó Lubetkin.
Crist es santafesino y vive en Córdoba. Y no es la primera vez que es galardonado. Obtuvo premios en salones internacionales (Brasil, Italia, Bulgaria, Colombia). Y en el 2002 ganó el premio mayor del 1º Festival Internacional de Humor Gráfico e Historieta de la Pasión Riverplatense.
Clarín - Buenos Aires.
O caboclo Firmiano
Nos últimos dias, dois bravos paranaenses foram homenageados. O jurista René Ariel Dotti recebeu a medalha do Mérito Legislativo da Câmara dos Deputados, por suas contribuições para o País e para o Legislativo, e o deputado Gustavo Fruet foi distinguido como um dos cinco melhores parlamentares da República.Guga Fruet - piá curitibano que se divertia imprimindo folhetos políticos na garagem do pai, o também deputado e ex-prefeito Maurício Fruet - não só teve o reconhecimento por seu desempenho em Brasília, como também mereceu destaque na coluna de Ancelmo Góis, em O Globo.
“O Rio de... Gustavo Fruet”, conforme o prestigiado questionário do colunista, é este:
— Um carioca: “Oscar Niemeyer, que agora vai completar 100 anos”.
— Um amigo no Rio: “Eduardo de Araújo Jorge, um curitibano, mas que vem de uma família de cariocas e hoje mora no Jardim Botânico”.
— Um lugar para comer: “O Aprazível, em Santa Teresa, e o restaurante da Roberta Sudbrack, no Jardim Botânico”.
— Uma recordação: “Um Fla x Flu. Já assisti a dois. Gosto muito de futebol e fiz isso na época de estudante, ia de ônibus de Curitiba. Acho que, da mesma forma que um católico tem de ir a Roma, quem gosta de futebol tem de assistir a um Fla x Flu no Maracanã”.
— Uma vista do Rio: “A da Baía de Guanabara. Mas tem tanto lugar bonito no Rio que é difícil...”.
— Um programa no Rio: “Uma caminhada na praia. Só quem é curitibano sabe a importância disso”.
Por esta despretensiosa resposta, é possível entender porque Guga Fruet é tão estimado nas ruas, e nas urnas, de sua cidade natal: o curitibano sabe o quanto é prazeroso andar na areia quente do mar, depois passar um longo e tenebroso inverno pisando em falso nas calçadas frias de Curitiba.
***
A história não costuma contar pequenos grandes detalhes, mesmo assim arrisco dizer que o primeiro curitibano a caminhar na praia tinha o nome de Firmiano. Nativo dos pinheirais, Firmiano foi quem acompanhou o naturalista Saint-Hilaire, quando fizeram o trajeto de Pontal de Paranaguá até Caiobá em três carros de boi, como registrou Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853) na sua “Viagem pela Comarca de Curitiba”.
“Não havia no Pontal nem casas, nem vegetação; nada mais existia ali a não ser areia pura”, narrou Saint-Hilaire. “Carregaram a bagagem, e quando partimos o sol já se havia posto faz tempo. É hábito percorrer esta praia à noite, beirando o mar, porque os bois andam muito mais depressa no escuro do que à claridade do dia”.
Com o caboclo Firmiano pela primeira vez espalhando os pés na areia, Saint-Hilaire escrevia sentado na carroça: “Deitei-me, e em breve o marulho das ondas me fez adormecer, mas acordava de vez em quando e via, à luz do luar, que seguíamos por uma praia de areia pura, com as ondas vindo lamber de vez em quando as rodas dos carros”.
***
Depois de se despedir de Saint-Hilaire em Caiobá - nome derivado do guarani “cairoga”, “casa de macacos” -, Firmiano deve ter retornado a Curitiba extasiado, contando daquele paraíso serra abaixo:
— Uma caminhada de dia-noite na praia! Só quem pisa na areia do mar sabe a importância disso!
Aquele puro prazer de Firmiano foi contado de pai pra filho desde Saint-Hilaire, chegou aos imigrantes Bonatto e Fruet, os avós do Guga, subiu para Ponta Grossa e bateu nos campos de Guarapuava.
Dante Mendonça [25/11/2007]O Estado do Paraná.
Sábado, Novembro 24, 2007
Confira
Terça feira, dia 27 às 19,30 h, no espaço Frans Krajcberg, Jardim Botânico (atrás da estufa). Lançamento do "Livro Rios por onde Passo". Trabalho direcionado à educação ambiental, com texto da Teresa Urban e fotos encomendadas pela Mater Natura - produtora do projeto -, que fiz em uma viagem "às vísceras do Paraná". Um matinho aqui, outro ali, no meio de um descampado de pinus e soja. Além das minhas, também estão no livro e na exposição, várias fotografias feitas por caminhoneiros. João Urban.Todo dia é dia de poeta
Sexta-feira, Novembro 23, 2007
O Banho
Amigos, enfim estreamos o nosso “O Banho”, no Teatro Novelas Curitibanas. A peça mostra o banho em conotações rituais e metafóricas inesperadas. O espetáculo leva ao público o potencial simbólico de um simples banho. Um desejo de renovação ou até mesmo um ato mediador de vários planos da vida. De um simples ato cotidiano, sem significado para muitos, os atores compartilham esta intimidade num universo sensorial como num mergulho profundo da vida. Agora, para podermos amadurecer em nosso caminho, precisamos do seu olhar, do seu retorno sempre valioso para nós. Assista ao espetáculo e imprima sua opinião no blog: http://www.obanho.blogspot.com/ R. Pres. Carlos Cavalcanti, 1222.
Direção: Letícia Guimarães
Elenco: Fabiana Ferreira, Hélio de Aquino, Juliana
De 7 de novembro a 2 de dezembro.
Quarta a sábado às 21h
Domingo às 19h
Ingresso: uma lata de leite em pó.
De quinta a sábado, às 21h e domingo às 20h.
Teatro José Maria Santos
Rua 13 de maio, 655 fone: 3322.7150
Ingressos
Quinta:R$10,00 e R$5,00 [meia entrada]
Sexta, Sábado e Domingo: R$20,00 e R$10,00
Ouiés!
Editora da Casa e Livros e Livros convidam para café da manhã e lançamento de Livro, Segredo e Infâmia, de Júlia Studart. Dia 1º de dezembro, sábado, 10:30 da manhã na Livros e Livros do centro. Rua Jerônimo Coelho, 215, Florianópolis, SC. Informações: (48) 3028 6244. Curitiba, cidade sem portas
No debate entre seus cinco pré-candidatos, um tema causou perplexidade até na sauna do Country Club: o fechamento das fronteiras de Curitiba para os migrantes. Essa gente sem eira nem beira que tem o hábito de afanar relógios de grife nas esquinas do Batel.
O tema é polêmico. No entanto, o PMDB lançou uma questão que, cedo ou tarde, viria à tona nesta antiga Cidade sem portas, aquela Curitiba cantada em verso e prosa por Adherbal Fortes e Paulo Vítola no século passado, ao surgir do Teatro Paiol.
Mais que controvertida, a questão de barreiras para o acesso de migrantes à capital não ficou bem esclarecida pelos pré-candidatos do PMDB. Num esforço de reportagem, entrevistamos um dos aspirantes ao cargo de prefeito para nos esclarecer a postura do partido quanto à construção de muralhas na periferia de Curitiba. Por motivos óbvios, o candidato preferiu não se identificar.
Pergunta - A cidade está mesmo precisando de muros para estancar o avanço das migrações?
Candidato - Sem dúvida. Nas grandes cidades, a percepção das dificuldades apresenta tendências no sentido de transformar a manutenção dos relacionamentos verticais entre as hierarquias sociais.
Pergunta - Esta clausura urbana não pode causar mais revoltas sociais?
Candidato - É preciso enfatizar o peso destes problemas concernentes aos antagonismos sociais e urbanos. Não obstante, o diálogo entre os diferentes setores da sociedade evidencia a necessidade de revolucionar as alternativas.
Pergunta - Como é possível um partido que se diz de esquerda, e de origem popular, pregar um planejamento urbano que retorna à Idade Média?
Candidato - O novo modelo de estrutura urbana preconizado prepara-nos para enfrentar situações típicas de segmentos reacionários. O cuidado em identificar pontos críticos na consolidação dessa nova revolução urbana vai demonstrar mudanças das direções preferenciais no sentido do progresso.
Pergunta - O governador Roberto Requião já tomou conhecimento deste fosso urbano, provocado pelo estorvo de novos migrantes?
Candidato - Ainda não, mas podemos vislumbrar que a mobilidade das bases pode garantir a contribuição de segmentos importante nas futuras determinações partidárias. Neste sentido, a revolução do traçado urbano viria a ressaltar a relatividade do impacto na agilidade decisória do governador.
Pergunta - Na próxima segunda-feira, dia 26, está programado um novo debate entre os pré-candidatos do PMDB. O fechamento das fronteiras de Curitiba será novamente discutido?
Candidato - Com certeza, o modelo de ocupação racional do tecido fundiário participativo será abordado. Assim como serão discutidos os assentamentos físicos estruturais e seus prognósticos periféricos estruturais.
Quinta-feira, Novembro 22, 2007
A cadeira do pensamento para um pênis pensador
Dizem as feministas, de sapato alto, que na escola do evolucionismo social, o homem do futuro usará a cabeça do pescoço, como castigo sociológico, por ter usado no passado, contra as mulheres, apenas a cabeça do pau. Enquanto isto, este pequeno homem do presente, aguarda encolhido no purgatório. Ali sentado com Rodin, sem nenhuma glande e cabeça.Aviso aos navegantes
(Trecho do prefácio do livro em processo Por trás das cortinas - a história da Atlântida Cinematográfica, de Toninho Vaz)
Deu no jornal
Papai-coruja
Luiz Melo e os Rettamozos. Foto de Lina Faria. Quarta-feira, Novembro 21, 2007
Deu no jornal
Dicas de Chico Nogueira
O espetáculo "O Banho", apresentando um novo olhar para o ato corriqueiro praticado diariamente. A peça levanta questões como o desejo de renovação, transparecendo valores, comportamentos, moralidade, desejos, lembranças e prazeres. A partir de um ato cotidiano, sem significado para muitos, os atores Grupo Teatral do Abração, com direção de Letícia Guimarães, transformam a intimidade de um banho num mergulho profundo na vida. Serviço - Teatro Novelas Curitibanas (Rua Carlos Cavalcanti, 1.222). Ingresso: uma lata de leite em pó. Sessões de quarta-feira a sábado, às 21h, e aos domingos, às 19h.
A tempestade lá fora aviva tudo o que se move: árvores vergadas ao chão. Schopenhauer ancora a barca Nautikon a um tronco de carvalho e retorna ao Hotel Sunset Boulevard, senta no parapeito do terraço que dá para o mar grosso e franze a testa. O médico lhe deu a notícia dolorosa: só dois dias de vida.Lythia, abalada com o câncer do marido, deita sob o guarda-sol para descansar um pouco. Ela, após alguns minutos, lembra a Schopenhauer que não somos nada, nunca fomos nada, e que, apesar disso, podemos guardar na memória todos os jarros de luz que o sol esqueceu à porta dos amantes.
Schopenhauer retorna à varanda desse hotel, à visão do mar. Esqueceu o costume de fazer discursos e, afastando com o gesto a mosca, volta a encarar sem esforço as ondas de salgada branca espuma, as ondas que se destroçam na pedra feito louças. Schopenhauer medita e decide: vai dar um passeio pelo bosque vazio nos arredores da Pacific Coast Highway e assassinar, com soco no ouvido, uma freira carmelita.
No meio do bosque vazio, nessa pacata Vila de Torre Escura, Schopenhauer encontra a freira. Quando ia desferir o soco, ela reage:
— Agora não; você está muito cansado –, e crava um peixe nos ombros de Schopenhauer; um peixe que se debate de forma violenta.
— Você conhece esse peixe? – pergunta a carmelita.
Schopenhauer responde que não. O arpão de um raio acerta a nuca de Schopenhauer, que não morre, antes mistura vocábulos próprios e alheios, paisagens de toda sorte, a tal ponto que ele pergunta a si mesmo como é que um homem, que ia morrer dali a dois dias, podia tratar tão friamente uma freira carmelita, a ponto de querer assassiná-la com soco no ouvido?
Sim, Schopenhauer retorna ao Hotel e encontra Lythia que, ainda sob o guarda-sol, folheia o Livro dos Mortos — o Bardo Todol — que diz que, alguns dias após a morte, tudo em nós vira vento e a primeira coisa que vemos é um cavalo, também de vento, e Lythia percebe que o Schopenhauer que se aproxima não conseguiu matar a freira carmelita e ainda trouxe um peixe cravado nos ombros, um peixe que não pára de se mexer.
Schopenhauer pergunta:
— Quanto tempo estás ao sol, Lythia?
Lythia responde, espreguiçando-se:
— Há milênios, milênios.
Uma sombra desce, então, ao rosto de Schopenhauer sempre que recorda o prognóstico do médico que lhe disse:
— Só dois dias de vida, meu senhor, só dois dias.
Fernando José Karl.









































































































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