Cogito
eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.
Torquato Neto
Quinta-feira, Janeiro 31, 2008
fnac
Na FNAC, dia 31 de janeiro. Leitura da peça Picando uma cebola em chamas, de Manoel Carlos Karam, às 19:30h. Imperdível! Com Alan Raffo, Alexandre Nero, Diego Fortes, Sol Faganello e Tatiana Blum. Bate-papo com Beto Bruel, Bruno Karam, Paulo Sandrini e Márcio Mattana. Direção de Nadja Naira. Produção: Michelle Menezes. Uebas!Todo dia é dia de poeta - repeteco
o vício versa
versa até não querer mais
o vício versa
o vício faz viciar
o vício
espera o viciado nos versos
mais inesperados
nos inocentes
nos desesperados
nos puros
descomplicados
o vício espera na esquina
por todos os viciados
que insistem
em não se viciar
é inútil
o vício de fazer versos
é um vício de matar
fazer versos
que são de arrepiar
o vício também dispersa
mas aí
já é outra conversa solda
versa até não querer mais
o vício versa
o vício faz viciar
o vício
espera o viciado nos versos
mais inesperados
nos inocentes
nos desesperados
nos puros
descomplicados
o vício espera na esquina
por todos os viciados
que insistem
em não se viciar
é inútil
o vício de fazer versos
é um vício de matar
fazer versos
que são de arrepiar
o vício também dispersa
mas aí
já é outra conversa solda
Życzymy smacznego!
"Desejamos bom apetite" é a saudação mais ouvida nesta "quinta-feira gorda" na Polônia e em muitas cidades dos Estados Unidos, Canadá e em tantas outras concentrações de polacos em todo o mundo. Hoje, última quinta-feira antes do início da Quaresma é o "Dia do Sonho" , ou "Dzień Pączki". Também conhecido como “Tłusty czwartek”, ou “Fat Thursday". Hoje é dia de comer muitos "sonhos", embora a tradição polaca recomende comer 2 sonhos e meio e desejar felicidades e sorte a todos. Então corra à confeitaria mais próxima ou para a cozinha. A receita está aqui mesmo neste blog. Acesse o arquivo ao lado no dia 17 de janeiro ultimo.http://iarochinski.blogspot.com/2008/01/o-sonho-tambm-polaco.html
P.S. A pronúncia da saudação em
polaco é jitchimi smatchenégo.
Redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE - Universidade Federal de Pernambuco - (Recife), que venceu um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício.
O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.
Fantasia de curitibano

Ilustração do livro Onde me doem os Ossos,
de Ernani Buchmann.
Ó! Quanto riso, quanta alegria, neste Carnaval saia vestido a caráter: de curitibano fantasiado de curitibano. No Rio de Janeiro, Recife, Salvador, ou mesmo em Florianópolis, nossa fantasia vai brilhar em todo e qualquer salão. O curitibano segundo o próprio curitibano.
Basta vestir uma camisa listrada, uma galocha no pé e um guarda-chuva na mão, vai fazer o maior sucesso meu irmão! Se chover na Banda de Ipanema, melhor ainda: curitibano terá a coragem de puxar conversa sobre a condição do tempo com qualquer desconhecido folião: “Saudade da linda cor cinza do céu, a garoa do Parque Barigüi“. Se na Bahia fizer sol, chuva, frio e calor, tudo no mesmo dia, melhor não seria. No Rio de Janeiro, de Ipanema a São Conrado, as janelas do ônibus serão fechadas, independentemente se o dia está frio, chuvoso ou com aquele sol de desmanchar a maquiagem. Para remediar a ressaca numa manhã de Carnaval, o pierrô curitibano sai bem agasalhado e se despe ao longo do dia. Mesmo num sábado de carnaval, é hoje o dia para lavar e polir o carro, nem que chova canivete.
******
Com legítimo sotaque leitE quentE, o curitibano vai chamar salsicha de “vina”; o fusca de fuque e o semáforo de sinaleiro. Bolacha em vez de biscoito; bexiga no lugar de balão e setra em vez de estilingue. “Escute” diz ao telefone, e nomeia tudo pela marca ou grife: Kboa, Bombril, Royal, Armani, Zoomp, Chanel. Curitibano faz de conta que não tem sotaque nenhum, até debocha do sotaque de paulista, carioca, mineiro, gaúcho e morre de rir de “pé-vermelho”, acha que todo mundo deveria falar o puro leiTequenTÊz.
******
Em Florianópolis, a colombina curitibana ajeita o topete e toda dengosa diz que vai “pra praia”, sem especificar qual delas. Não sem antes fazer prancha no cabelo e caprichar na maquiagem para ir ao Jurerê Internacional. Não há comparação: “temporada” boa mesmo é em Guaratuba, mesmo que chova muito mais do que faça sol. Ai que saudade do “Oil Man” andando de sunga no calçadão de Caiobá; ai que vontade de comer cachorro-quente do Au-Au na Carlos de Carvalho; ai que desejo de um pastel com caldo de cana na feira-livre; ai que fastio de camarão de tanto comer; ai que nojo da areia; ai, que é melhor a piscina do Iate Clube.
******
Mesmo no Rio de Janeiro, o carnavalesco curitibano é educado: anda com o bolso cheio de papéis e embalagens até encontrar uma lixeira: “Só mesmo quem não é curitibano joga lixo na rua!”. Respeita a fila do ônibus, do mercado, do banheiro, do elevador, do restaurante e a fila chique do Copacabana Palace para conseguir uma mesa. Como se estivesse no Batel, separa o “lixo que não é lixo”. Observa outros foliões como se fossem de outro planeta. Cumprimenta os vizinhos de camarote com breve “oi” e adora jogar confete em si mesmo: se perguntam, Curitiba é melhor do que as outras cidades em tudo: “A cidade só não é mais a mesma por causa da invasão do pessoal de outros estados!”. Freqüenta o Clube Curitibano, o Graciosa Contry Club, o Santa Mônica e a cada 15 dias e se esbalda no Forró Calamengau, do Ceará. Quando for a Curitiba “passa lá em casa!”, diz pro recém-amigo. Mas nunca dá o endereço.
******
Ó! Quanto riso, quanta alegria, mais de mil palhaços no salão! O verdadeiro folião curitibano ri de si mesmo ao perceber que a fantasia acima é a mais pura verdade.
Basta vestir uma camisa listrada, uma galocha no pé e um guarda-chuva na mão, vai fazer o maior sucesso meu irmão! Se chover na Banda de Ipanema, melhor ainda: curitibano terá a coragem de puxar conversa sobre a condição do tempo com qualquer desconhecido folião: “Saudade da linda cor cinza do céu, a garoa do Parque Barigüi“. Se na Bahia fizer sol, chuva, frio e calor, tudo no mesmo dia, melhor não seria. No Rio de Janeiro, de Ipanema a São Conrado, as janelas do ônibus serão fechadas, independentemente se o dia está frio, chuvoso ou com aquele sol de desmanchar a maquiagem. Para remediar a ressaca numa manhã de Carnaval, o pierrô curitibano sai bem agasalhado e se despe ao longo do dia. Mesmo num sábado de carnaval, é hoje o dia para lavar e polir o carro, nem que chova canivete.
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Com legítimo sotaque leitE quentE, o curitibano vai chamar salsicha de “vina”; o fusca de fuque e o semáforo de sinaleiro. Bolacha em vez de biscoito; bexiga no lugar de balão e setra em vez de estilingue. “Escute” diz ao telefone, e nomeia tudo pela marca ou grife: Kboa, Bombril, Royal, Armani, Zoomp, Chanel. Curitibano faz de conta que não tem sotaque nenhum, até debocha do sotaque de paulista, carioca, mineiro, gaúcho e morre de rir de “pé-vermelho”, acha que todo mundo deveria falar o puro leiTequenTÊz.
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Em Florianópolis, a colombina curitibana ajeita o topete e toda dengosa diz que vai “pra praia”, sem especificar qual delas. Não sem antes fazer prancha no cabelo e caprichar na maquiagem para ir ao Jurerê Internacional. Não há comparação: “temporada” boa mesmo é em Guaratuba, mesmo que chova muito mais do que faça sol. Ai que saudade do “Oil Man” andando de sunga no calçadão de Caiobá; ai que vontade de comer cachorro-quente do Au-Au na Carlos de Carvalho; ai que desejo de um pastel com caldo de cana na feira-livre; ai que fastio de camarão de tanto comer; ai que nojo da areia; ai, que é melhor a piscina do Iate Clube.
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Mesmo no Rio de Janeiro, o carnavalesco curitibano é educado: anda com o bolso cheio de papéis e embalagens até encontrar uma lixeira: “Só mesmo quem não é curitibano joga lixo na rua!”. Respeita a fila do ônibus, do mercado, do banheiro, do elevador, do restaurante e a fila chique do Copacabana Palace para conseguir uma mesa. Como se estivesse no Batel, separa o “lixo que não é lixo”. Observa outros foliões como se fossem de outro planeta. Cumprimenta os vizinhos de camarote com breve “oi” e adora jogar confete em si mesmo: se perguntam, Curitiba é melhor do que as outras cidades em tudo: “A cidade só não é mais a mesma por causa da invasão do pessoal de outros estados!”. Freqüenta o Clube Curitibano, o Graciosa Contry Club, o Santa Mônica e a cada 15 dias e se esbalda no Forró Calamengau, do Ceará. Quando for a Curitiba “passa lá em casa!”, diz pro recém-amigo. Mas nunca dá o endereço.
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Ó! Quanto riso, quanta alegria, mais de mil palhaços no salão! O verdadeiro folião curitibano ri de si mesmo ao perceber que a fantasia acima é a mais pura verdade.
Dante Mendonça [31/01/2008]O Estado do Paraná.
Não vale uma lantejoula
Houve um tempo em que ocupei a diretoria executiva da Fundação Cultural, na segunda gestão de Jaime Lerner na prefeitura. Entre as incumbências do cargo estava a de gerenciar o carnaval, ainda que a cidade não tivesse grande intimidade com ele. O representante das escolas era conhecido como Afunfa, empresário do ramo da zoologia, como se diz nestes tempos de correção político-ideológica. Já na primeira reunião esclareceu que representava a Ligas das Escolas de Samba, nada tinha a ver com a Associação ou com a Federação. Pus-me pasmo. Eram não mais que seis ou sete escolas e já estavam divididas em três facções. Cheguei a achar que o carnaval curitibano era comunista: como se sabe, bastam dois militantes para haver dissidência na esquerda. Fato é que escrevi tempos depois uma crônica satirizando nosso carnaval. O que eu não sabia era que no meio há falta de humor. Fui atacado a umbigadas. Em um seminário no Solar do Barão, algumas baianas de ala me encurralaram a golpes de umbigo: “Não tem carnaval em Curitiba, é? Não tem, é?”. Escapei com alguma munição a mais no arsenal de ironias. O único bem-humorado da tropa era Glauco Souza Lobo, que – é pena, gosto muito dele - está fora dos trâmites foliônicos. Glauco chegou a envergar uma fantasia de Ernani Buchmann, vestido de preto, com grandes olheiras e imensos óculos. Fiquei lisonjeado. Com a publicação do livro Cidades e Chuteiras, em 1987, virei inimigo número um da carnavália, por dizer que os problemas do nosso carnaval começavam na dureza dos quadris e seguiam pelo nome das escolas de samba. A primeira delas chamava-se Não Agite – e que meu falecido amigo Luiz Fernando Arzua, um dos fundadores, não queira me assombrar por isso. É que, imagino, a essência do carnaval está na agitação, não na falta dela. Mas fazia sentido: o jornalista Valério Fabris, ao levar aos filhos à Marechal Deodoro, foi impedido de sambar na arquibancada. Um guarda alertou-o para o perigo de tamanha insanidade. Outra famosa escola local foi batizada como Acadêmicos da Sapolândia. É de imaginar que seus componentes fossem batráquios sambantes, rãs e pererecas incluídas Na década passada, fui com Fernando Ghignone, ex-secretário da Cultura, conferir o, me perdoem o exagero, movimento carnavalesco. Chovia. Juro, e já não exagero, que nas arquibancadas, entre a Barão do Rio Branco e a Marechal Floriano, havia um único sujeito, impedido de assistir ao funéreo espetáculo por estar possuído pelo sono dos ébrios. Do outro lado da rua, sob as marquises, abrigavam-se, talvez, cem pessoas. Eis que invade a Deodoro um bloco tido como Vai na Rolha. O carro alegórico era uma Kombi, sobre a qual amarraram o alto-falante. De dentro saltaram alguns sujeitos, garrafas na mão, a berrar seu samba-enredo para as friorentas testemunhas encasacadas: “Vai na rolha, o, vai na rolha, a”. Um fenômeno. Nos últimos anos mudaram a parafernália para o Centro Cívico. Lá continua a não significar coisa alguma. Melhor seria promover bailes populares nos bairros – Glauco Souza Lobo realizou alguns, ao assumir na gestão Maurício Fruet o mesmo cargo de diretor executivo da Fundação Cultural. Mas eram bailes na Marechal. Melhor se fossem na periferia, onde está a população que não tem meios de viajar durante o carnaval.A insistência em promover desfiles de escolas de samba traz um único resultado: o de atrapalhar o trânsito. O que se vê nos desfiles é indigência criativa. Nem animação existe, até porque o sistema de som insiste em executar – no sentido de sentenciar – músicas como A Jardineira e Me Dá um Dinheiro Aí, entre outros sucessos do tempo da Tia Ciata. Vejo apenas uma justificativa para que se invista nos nossos mambembes desfiles. O de favorecer a ficção como meio de expressão artística, porque aquilo que é tido como desfile de escola de samba, no sentido curitibano da expressão, não passa disso. Federico Fellini assinaria embaixo. Ernani Buchmann viveu em Recife e no Rio de Janeiro, cidades nas quais aprendeu a gostar de carnaval.Quarta-feira, Janeiro 30, 2008
Todo dia é dia de poeta
lá vamos eus passei do ponto
desci além do ônibus
passageiro do meu destino
carreguei malas no olho
nada quis além, só um bônus
para o corpo clandestino
Antono T. Wojciechowski,
do livro Ai dos que não são
Thadeu
Deu no jornal
Ontem, o Duce dedicou um dia inteiro a conferência, discursos, teses, debates e elucubrações. Depois, jantar com o ministro responsável pelas relações de Cuba com a América Latina. Intervalo apenas para inaugurar a praça Oscar Niemeyer, onde o Duce compareceu ao lado do Frei Beto. Fábio Campana (30/1/2008) O Estado do Paraná.Piratas de Paranaguá

Foto sem crédito.
Depois de outro tropeço judicial, foi adiada mais uma vez a licitação para a dragagem do Porto de Paranaguá. O superintendente Eduardo Requião não vai dormir direito neste Carnaval. Vai sonhar com piratas embaixo da cama, nos blocos de rua e, o que é mais assustador, nos corredores da administração. São os antigos piratas que voltam a assombrar o povo de Paranaguá.
Pirataria não é nenhuma novidade em nossas águas. No dia 8 de março de 1718, pescadores vindos da barra levaram ao capitão-mor uma notícia de arrepiar: um galeão espanhol perseguido por piratas se viu obrigado a arribar ao largo de Paranaguá para se proteger. A novidade correu a baía a bordo das pirogas e a população ficou alvoroçada: a entrada de embarcações estrangeiras nos portos da colônia era proibida pela Corte portuguesa.
Ermelino de Leão, no seu “Dicionário Histórico e Geográfico do Paraná”, nos conta que os castelhanos descreveram ao capitão-mor a pertinaz perseguição que tinham sofrido, solicitando o apoio dos parnanguaras para expelir o inimigo. Nada, porém, Paranaguá poderia fazer: nenhuma embarcação defendia a cidade e as armas que seus habitantes possuíam eram poucas e deficientes. Velhos, mulheres e crianças se refugiaram na igreja matriz, a orar pela intercessão da Virgem do Rosário.
O galeão espanhol, já esperando o assalto, fundeara atrás da Ilha da Cotinga e se apressava para resistir à abordagem. Era inevitável a derrota dos castelhanos. Não resistiriam aos numerosos bucaneiros que se aproximavam numa tenebrosa nau, com a caveira tremulando ao vento.
Então o milagre aconteceu, diz a lenda.
Quando o navio pirata dobrou a ponta da Cotinga, o céu cobriu-se de nuvens carregadas e o sol ocultou-se atrás da cortina negra, como que não querendo testemunhar a criminosa cena. Um trovão logo ribombou e um pé de vento caiu sobre a baía, encrespando as águas e jogando os piratas contra as lajes submersas. A nau corsária não resistiu ao embate e em poucos minutos o mar a tragava, deixando na superfície os mastros que assinalavam o sinistro.
No Deus nos acuda, alguns piratas conseguiram chegar a nado à vizinha ilha. Depois de salvos do naufrágio, alguns daqueles marujos viveram em Paranaguá durante algum tempo e um deles chegou a se casar com uma moça nativa. Enterrados os mortos, porém, um mistério despertou a ambição das autoridades: segundo os sobreviventes, o cofre da nau corsária com 200 mil cruzados repousava no fundo do mar.
Depois de algum tempo de busca - o tesouro resistia às tentativas de salvamento - João de Araújo da Silva e seus sócios conseguiram, enfim, resgatar a fortuna. Aberto o cofre, e após dado “sciencia do facto” ao governador, na partilha verificou-se que somente existiam no cofre 14 mil cruzados.
Do episódio, o historiador Ermelino de Leão chegou à seguinte conclusão: “Deshonestidade ou não, tudo induz a crer que a fantasia tinha augmentado o quantum do thesouro dos piratas e a ambição o tenha delapidado”.
***
Pirataria não é nenhuma novidade em nossas águas. No dia 8 de março de 1718, pescadores vindos da barra levaram ao capitão-mor uma notícia de arrepiar: um galeão espanhol perseguido por piratas se viu obrigado a arribar ao largo de Paranaguá para se proteger. A novidade correu a baía a bordo das pirogas e a população ficou alvoroçada: a entrada de embarcações estrangeiras nos portos da colônia era proibida pela Corte portuguesa.
Ermelino de Leão, no seu “Dicionário Histórico e Geográfico do Paraná”, nos conta que os castelhanos descreveram ao capitão-mor a pertinaz perseguição que tinham sofrido, solicitando o apoio dos parnanguaras para expelir o inimigo. Nada, porém, Paranaguá poderia fazer: nenhuma embarcação defendia a cidade e as armas que seus habitantes possuíam eram poucas e deficientes. Velhos, mulheres e crianças se refugiaram na igreja matriz, a orar pela intercessão da Virgem do Rosário.
O galeão espanhol, já esperando o assalto, fundeara atrás da Ilha da Cotinga e se apressava para resistir à abordagem. Era inevitável a derrota dos castelhanos. Não resistiriam aos numerosos bucaneiros que se aproximavam numa tenebrosa nau, com a caveira tremulando ao vento.
Então o milagre aconteceu, diz a lenda.
Quando o navio pirata dobrou a ponta da Cotinga, o céu cobriu-se de nuvens carregadas e o sol ocultou-se atrás da cortina negra, como que não querendo testemunhar a criminosa cena. Um trovão logo ribombou e um pé de vento caiu sobre a baía, encrespando as águas e jogando os piratas contra as lajes submersas. A nau corsária não resistiu ao embate e em poucos minutos o mar a tragava, deixando na superfície os mastros que assinalavam o sinistro.
No Deus nos acuda, alguns piratas conseguiram chegar a nado à vizinha ilha. Depois de salvos do naufrágio, alguns daqueles marujos viveram em Paranaguá durante algum tempo e um deles chegou a se casar com uma moça nativa. Enterrados os mortos, porém, um mistério despertou a ambição das autoridades: segundo os sobreviventes, o cofre da nau corsária com 200 mil cruzados repousava no fundo do mar.
Depois de algum tempo de busca - o tesouro resistia às tentativas de salvamento - João de Araújo da Silva e seus sócios conseguiram, enfim, resgatar a fortuna. Aberto o cofre, e após dado “sciencia do facto” ao governador, na partilha verificou-se que somente existiam no cofre 14 mil cruzados.
Do episódio, o historiador Ermelino de Leão chegou à seguinte conclusão: “Deshonestidade ou não, tudo induz a crer que a fantasia tinha augmentado o quantum do thesouro dos piratas e a ambição o tenha delapidado”.
***
Os documentos da época não registram. Diz a lenda que João de Araújo da Silva e seus sócios não participaram de nenhuma licitação para retirar o cofre do fundo do mar. Com licitação, o “quantum do thesouro” seria outro mistério no Porto de Paranaguá.
Dante Mendonça [30/01/2008]O Estado do Paraná
Terça-feira, Janeiro 29, 2008
Espelho tropical
Imagem do site da rede CNN International.
Vamos dizer que a situação dramática na China reflete a marcha dos acontecimentos onde o planeta Terra aparece como um judas em sábado de aleluia: dilacerada. Dia 29 de janeiro de 2008, em pleno verão carioca, confesso que dormi de edredon e camiseta de mangas compridas para me proteger do frio.
Nunca antes nada parecido. Neste momento, mais de 500 mil chineses se aglomeram nos portões das estações de fuga, acuados pela nevasca e falta de abastecimento: não há mais o que comer nas províncias afetadas pelo caos, onde o trânsito está interrompido.. mais de 70 milhões de pessoas afetadas...
Algo me faz pensar sobre o nosso destino, o destino de um povo tropical que ainda não percebeu o quanto a natureza está a seu favor. Por eliminação, como território de origem, nossos dramas (nacionais) costumam estar ligados MUITO mais aos homens do que à natureza.
Toninho Vaz, de olho na CNN
Toninho Vaz, de olho na CNN
O cartão da igualdade social
O Cartão Corporativo é um crédito que ministros e secretários do governo dos pobres, o do presidente Lula, têm. Basta passar o cartão e gastar quanto quiser, sem ter que dar satisfação aos ricos e muito menos aos desfavorecidos. Só em 2007, o Lula, sua esposa, e seus pobres assessores, gastaram em viagens,bebedeiras e comilanças, mais de 76 milhões de reais. É o programa Fome Zero chegando no palácio. É hora do revanche minha gente! Ministro e secretário algum passará fome neste governo. A recordista em viagens foi aquela que disse para relaxar e gozar. A Marta Suplici. A sexóloga. Só poderia ser, para gozar com a desgraça alheia. Já a discreta recordista em gastos, foi a Matilde Ribeiro. Aquela senhora, desprovida de sofisticação intelectual, que em 2007 disse ser normal que negros não gostem dos brancos. Pelo visto, ela não gosta de pobre. Logo a Ministra da Igualdade Racial. Pasmem, da "IGUALDADE!". Fugiu da imprensa. Não deu satisfação ao povo brasileiro. Atitude parecida com a da ex-diretora da ANAC que com seu charuto cubano, à moda socialista, não compareceu a três audiências públicas em que ela deveria prestar contas por sua incompetência aérea. Vamos brindar, viajar, comer, e fumar um charuto. Um "viva!!!" à pobreza que alimenta este governo.
www.obugio.blogspot.com
O Luiz Carlos não tira o dele da Retta
Foto sem crédito.
Feira do Poeta , dia 17 de outubro na Fundação
Cultural. Performance "Os sentimentos do A".
Todo dia é dia de poeta - Rainer Maria Rilke
Morgue Estão prontos, ali, como a esperar
que um gesto só, ainda que tardio,
possa reconciliar com tanto frio
os corpos e um ao outro harmonizar;
como se algo faltasse para o fim.
Que nome no seu bolso já vazio
há por achar? Alguém procura, enfim,
enxugar dos seus lábios o fastio:
em vão; eles só ficam mais polidos.
A barba está mais dura, todavia
ficou mais limpa ao toque do vigia,
para não repugnar o circunstante.
Os olhos, sob a pálpebra, invertidos,
olham só para dentro, doravante. (Tradução: Augusto de Campos)
que um gesto só, ainda que tardio,
possa reconciliar com tanto frio
os corpos e um ao outro harmonizar;
como se algo faltasse para o fim.
Que nome no seu bolso já vazio
há por achar? Alguém procura, enfim,
enxugar dos seus lábios o fastio:
em vão; eles só ficam mais polidos.
A barba está mais dura, todavia
ficou mais limpa ao toque do vigia,
para não repugnar o circunstante.
Os olhos, sob a pálpebra, invertidos,
olham só para dentro, doravante. (Tradução: Augusto de Campos)
O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você. Mário Quintana.
A mulher acessa um chat, quando alguém pergunta:
— Quer conversar?
— Você é homem ou mulher?
— Você quer ou não quer conversar?
— Depende. Você é homem ou mulher?
— Adivinhe.
— Me diz 5 marcas de cervejas.
— Brahma, Kaiser, Skol, Ántártica, Bohemia.
—Ótimo. Agora me diz 5 marcas de preservativos.
— Jontex, Prosex... Hum... Tá difícil.
— É. Você é homem...
— Sou sim. mas como descobriu?
— Fácil. Bebe mais do que transa.
Naomi contra la discriminación
Foto sem crédito.
La modelo británica Naomi Campbell ha pedido al sector de la moda que apueste más por la presencia de mujeres negras sobre la pasarela, como señal en contra de la discriminación. Campbell, de 37 años, lanzó esta petición en la conferencia de prensa de presentación de la Fashion Week de Berlín, en compañía de su colega alemana Eva Padberg. El País.
O Nordeste é o meu país

Ilustração de Fernando VilelaEm 1989, quando Fernando Collor de Mello foi eleito presidente da República, surgiu em Curitiba um protesto que se alastrou pelos três estados sulinos: era o movimento “O Sul é o Meu País”.
O que devia ser considerado uma galhofa restrita às mesas do Bar Botafogo, nas Mercês, a frase “O Sul é o Meu País” foi impressa em adesivos e ganhou bandeira nas mãos de um grupo radical no Rio Grande do Sul, com adeptos na serra catarinense e, principalmente, no sudoeste do Paraná.
Inconformados com a eleição do alagoano, os separatistas do Sul só não sabiam que a cisão já tinha precedente no Nordeste, na letra de uma canção-manifesto datada de 1984. O autor é o pernambucano Ivanildo Vila Nova, repentista que reviveu em versos um velho sentimento libertário de sua gente. Desde a chegada de D. João VI, movimentos separatistas foram reprimidos violentamente e alguns de seus líderes executados.
A dissidência voltou à tona com o livro 1808, de Laurentino Gomes, depois de uma entrevista em Recife de Evaldo Cabral de Mello, 72 anos, um dos maiores historiadores do Brasil, que minimizou a importância de dom João VI para a unidade nacional com esta frase: “Talvez fosse melhor que o Brasil fosse menor e tivesse acabado a escravidão mais cedo e realizado reformas que até hoje adia”.
A letra separatista fez sucesso no Nordeste, na voz da cantora paraibana Elba Ramalho. Vale para brincar no Carnaval.
NORDESTE INDEPENDENTE
Já que existe no Sul esse conceito / Que o Nordeste é ruim, seco e ingrato / Já que existe a separação de fato / É preciso torná-la de direito / Quando um dia qualquer isso for feito / Todos dois vão lucrar imensamente / Começando uma vida diferente / De que a gente até hoje tem vivido / Imagine o Brasil ser dividido / E o Nordeste ficar independente
******
Dividido a partir de Salvador / O Nordeste seria outro país / Vigoroso, leal, rico e feliz / Sem dever a ninguém no exterior / Jangadeiro seria senador / O cansado de roça era suplente / Cantador de viola o presidente / E o vaqueiro era o líder do partido / Imagine o Brasil ser dividido / E o nordeste ficar independente
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Em Recife o distrito industrial / O idioma ia ser nordestinense / A bandeira de renda cearense / Asa Branca era o hino nacional / O folheto era o símbolo oficial / A moeda, o tostão de antigamente / Conselheiro seria o inconfidente / Lampião, o herói inesquecido / Imagine o Brasil ser dividido / E o Nordeste ficar independente
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O Brasil ia ter de importar / Do nordeste algodão, cana, caju / Carnaúba, laranja, babaçu / Abacaxi e o sal de cozinhar / O arroz, o agave do luar / A cebola, o petróleo, o aguardente / O Nordeste é auto-suficiente / O seu lucro seria garantido / Imagine o Brasil ser dividido / E o Nordeste ficar independente
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Povo do meu Brasil / Políticos brasileiros / Não pensem que vocês nos enganam / Porque nosso povo não é besta.
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Se o Nordeste ganhasse independência, aqui no Paraná grande parte dos nossos vultos históricos passaria a ter dupla cidadania, como tantos outros personagens contemporâneos. A começar pela família Requião de Mello e Silva, cujos antepassados nasceram nos domínios de Lampião. Dante Mendonça [29/01/2008]O Estado do Paraná.
O que devia ser considerado uma galhofa restrita às mesas do Bar Botafogo, nas Mercês, a frase “O Sul é o Meu País” foi impressa em adesivos e ganhou bandeira nas mãos de um grupo radical no Rio Grande do Sul, com adeptos na serra catarinense e, principalmente, no sudoeste do Paraná.
Inconformados com a eleição do alagoano, os separatistas do Sul só não sabiam que a cisão já tinha precedente no Nordeste, na letra de uma canção-manifesto datada de 1984. O autor é o pernambucano Ivanildo Vila Nova, repentista que reviveu em versos um velho sentimento libertário de sua gente. Desde a chegada de D. João VI, movimentos separatistas foram reprimidos violentamente e alguns de seus líderes executados.
A dissidência voltou à tona com o livro 1808, de Laurentino Gomes, depois de uma entrevista em Recife de Evaldo Cabral de Mello, 72 anos, um dos maiores historiadores do Brasil, que minimizou a importância de dom João VI para a unidade nacional com esta frase: “Talvez fosse melhor que o Brasil fosse menor e tivesse acabado a escravidão mais cedo e realizado reformas que até hoje adia”.
A letra separatista fez sucesso no Nordeste, na voz da cantora paraibana Elba Ramalho. Vale para brincar no Carnaval.
NORDESTE INDEPENDENTE
Já que existe no Sul esse conceito / Que o Nordeste é ruim, seco e ingrato / Já que existe a separação de fato / É preciso torná-la de direito / Quando um dia qualquer isso for feito / Todos dois vão lucrar imensamente / Começando uma vida diferente / De que a gente até hoje tem vivido / Imagine o Brasil ser dividido / E o Nordeste ficar independente
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Dividido a partir de Salvador / O Nordeste seria outro país / Vigoroso, leal, rico e feliz / Sem dever a ninguém no exterior / Jangadeiro seria senador / O cansado de roça era suplente / Cantador de viola o presidente / E o vaqueiro era o líder do partido / Imagine o Brasil ser dividido / E o nordeste ficar independente
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Em Recife o distrito industrial / O idioma ia ser nordestinense / A bandeira de renda cearense / Asa Branca era o hino nacional / O folheto era o símbolo oficial / A moeda, o tostão de antigamente / Conselheiro seria o inconfidente / Lampião, o herói inesquecido / Imagine o Brasil ser dividido / E o Nordeste ficar independente
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O Brasil ia ter de importar / Do nordeste algodão, cana, caju / Carnaúba, laranja, babaçu / Abacaxi e o sal de cozinhar / O arroz, o agave do luar / A cebola, o petróleo, o aguardente / O Nordeste é auto-suficiente / O seu lucro seria garantido / Imagine o Brasil ser dividido / E o Nordeste ficar independente
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Povo do meu Brasil / Políticos brasileiros / Não pensem que vocês nos enganam / Porque nosso povo não é besta.
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Se o Nordeste ganhasse independência, aqui no Paraná grande parte dos nossos vultos históricos passaria a ter dupla cidadania, como tantos outros personagens contemporâneos. A começar pela família Requião de Mello e Silva, cujos antepassados nasceram nos domínios de Lampião. Dante Mendonça [29/01/2008]O Estado do Paraná.
Segunda-feira, Janeiro 28, 2008
Na Livraria da Travessa

Foto sem crédito.
Os cartunistas Nico e Ziraldo, no lançamento
do "Almanaque do Ziraldo". Uebas!
Ele morreu em 88, mas ninguém esquece Fradins, Graúna...
Foto sem crédito.
Já foi decretado: 2008 será o Ano Henfil. A morte do grande cartunista brasileiro (1944- 1988) fez 20 anos no dia 4 e o volume de homenagens está à sua altura. Seu filho, Ivan Cosenza de Souza, prepara uma antologia de charges e planeja exposições pelo Brasil. O jovem cartunista Márcio Malta, que começou a desenhar inspirado nele, se ocupa de outra publicação: uma biografia, que terá como foco principal a atuação política do criador da Graúna, dos Fradins e do Ubaldo, o Paranóico.
Outro livro, Balaio Mineiro: Memória de Uma Família Brasileira, este de Wanda Figueiredo, irmã do homenageado, conta a história do fantástico clã, passando por seus três filhos ilustres: Henfil, o sociólogo Betinho e o músico Chico Mário. O lançamento deve ser nos próximos meses. Sobre o trio, também sairá, em abril, o DVD de Três Irmãos de Sangue (Biscoito Fino), o premiado documentário de Ângela Patrícia Reiniger que trata da luta deles por justiça social e também contra a aids (contraída pelos três, hemofílicos, em transfusões de sangue).
Desde 1992 guardião do acervo do pai, Ivan, que tem 38 anos, é filho único de Henfil e trabalha como produtor cultural, guarda em casa, no Rio, mais de 15 mil originais. Desses arquivos sairão as charges que irão compor a antologia, prevista para o meio do ano (a edição será da Nova Fronteira). Ele pretende ainda remontar a exposição de desenhos que percorreu os Centros Culturais Banco do Brasil do Rio, São Paulo e Brasília entre 2005 e 2006, com o nome de Henfil do Brasil.
O sucesso foi enorme, lembra Ivan. Agora, ele quer levar a todo o País o traço e o humor do pai, que tanto sucesso fizeram no Pasquim e nos principais jornais e revistas brasileiros, nas décadas de 60, 70 e 80. "Nas exposições, vi gente que estava nascendo ou nem tinha nascido quando ele morreu. Um garoto de 14 anos apareceu com uma bolsa cheia de recortes que ele colecionav", diz o filho de Henfil, que na terça esteve em São Paulo para o lançamento da revista Henfil, Filho do Brasil, editada pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.
Márcio Malta, conhecido como Nico, foi um garoto como este de que Ivan fala. Em 1988, tinha apenas 6 anos, mas já virou fã dos personagens criados por Henfil. E aos b, um professor de desenho lhe disse que seu traço era semelhante ao do mestre.
Outro livro, Balaio Mineiro: Memória de Uma Família Brasileira, este de Wanda Figueiredo, irmã do homenageado, conta a história do fantástico clã, passando por seus três filhos ilustres: Henfil, o sociólogo Betinho e o músico Chico Mário. O lançamento deve ser nos próximos meses. Sobre o trio, também sairá, em abril, o DVD de Três Irmãos de Sangue (Biscoito Fino), o premiado documentário de Ângela Patrícia Reiniger que trata da luta deles por justiça social e também contra a aids (contraída pelos três, hemofílicos, em transfusões de sangue).
Desde 1992 guardião do acervo do pai, Ivan, que tem 38 anos, é filho único de Henfil e trabalha como produtor cultural, guarda em casa, no Rio, mais de 15 mil originais. Desses arquivos sairão as charges que irão compor a antologia, prevista para o meio do ano (a edição será da Nova Fronteira). Ele pretende ainda remontar a exposição de desenhos que percorreu os Centros Culturais Banco do Brasil do Rio, São Paulo e Brasília entre 2005 e 2006, com o nome de Henfil do Brasil.
O sucesso foi enorme, lembra Ivan. Agora, ele quer levar a todo o País o traço e o humor do pai, que tanto sucesso fizeram no Pasquim e nos principais jornais e revistas brasileiros, nas décadas de 60, 70 e 80. "Nas exposições, vi gente que estava nascendo ou nem tinha nascido quando ele morreu. Um garoto de 14 anos apareceu com uma bolsa cheia de recortes que ele colecionav", diz o filho de Henfil, que na terça esteve em São Paulo para o lançamento da revista Henfil, Filho do Brasil, editada pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.
Márcio Malta, conhecido como Nico, foi um garoto como este de que Ivan fala. Em 1988, tinha apenas 6 anos, mas já virou fã dos personagens criados por Henfil. E aos b, um professor de desenho lhe disse que seu traço era semelhante ao do mestre.
Hoje, Nico se intitula "estudioso e fã" de Henfil, a quem considera "pai de uma geração de cartunistas". "O traço dele é simples; o humor, refinado e popular; a mensagem, objetiva. Ele inventou uma forma de dizer tudo que queria, mesmo não podendo (por causa da ditadura militar)", elogia o jovem, que é sociólogo.
Seu livro, Henfil, o Humor Subversivo - uma edição de bolso que será vendida a preço popular -, deve estar nas ruas em abril (a editora é a Expressão Popular). "Quero levar o Henfil aos jovens, que não conseguiram acompanhar sua carreira."
É curiosa a atualidade do discurso de Henfil. As tirinhas - que saíram durante anos no Estado, o último jornal a publicá-lo em vida - estão nas páginas de O Globo há cinco anos e as únicas correções feitas (por Ivan) são em nomes de instituições ou de moedas que não existem mais. Era Henfil visionário ou foi o Brasil que não mudou?
"Eu vejo algumas notícias e penso em charges que meu pai fez que cabem direitinho", diverte-se Ivan, enquanto mostra, numa pasta, quadrinhos que tratam de corrupção, desigualdades sociais, febre amarela... "Tem gente que vê publicado e manda e-mail elogiando, sem saber que ele morreu há 20 anos. Eu agradeço e explico a situação", diz o produtor cultural.
Seu livro, Henfil, o Humor Subversivo - uma edição de bolso que será vendida a preço popular -, deve estar nas ruas em abril (a editora é a Expressão Popular). "Quero levar o Henfil aos jovens, que não conseguiram acompanhar sua carreira."
É curiosa a atualidade do discurso de Henfil. As tirinhas - que saíram durante anos no Estado, o último jornal a publicá-lo em vida - estão nas páginas de O Globo há cinco anos e as únicas correções feitas (por Ivan) são em nomes de instituições ou de moedas que não existem mais. Era Henfil visionário ou foi o Brasil que não mudou?
"Eu vejo algumas notícias e penso em charges que meu pai fez que cabem direitinho", diverte-se Ivan, enquanto mostra, numa pasta, quadrinhos que tratam de corrupção, desigualdades sociais, febre amarela... "Tem gente que vê publicado e manda e-mail elogiando, sem saber que ele morreu há 20 anos. Eu agradeço e explico a situação", diz o produtor cultural.
Roberta Pennafort/ O Estadão.
Filho de Marlon Brando morre aos 49 anos em Los Angeles
Foto sem crédito.
LOS ANGELES (Reuters) - Christian Brando, o filho mais velho do ícone de Hollywood Marlon Brando e que virou notícia na década de 1990 por matar o namorado de sua irmã, morreu no sábado aos 49 anos, informou seu advogado.
Brando, filho do ator vencedor do Oscar e da atriz galesa Anna Kashfi, morreu no sábado de complicações de pneumonia, afirmou o advogado Bruce Margolin.
Ele estava hospitalizado no Centro Médico Presbiteriano de Hollywood desde 11 de janeiro com pneumonia e sua ex-mulher, Deborah, disse ao site da revista People que ele estava em coma e precisava do auxílio de respiradores. Representantes do hospital não quiseram fazer comentários.
Brando atirou e matou Dag Drollet no dia 16 de maio de 1990, depois que sua irmã Cheyenne lhe disse que o namorado de 26 anos havia batido nela. A prisão dele virou manchete internacional, e depois Marlon Brando fez um apelo emocionado por leniência em nome de seu filho mais velho em corte da Califórnia. Christian Brando admitiu a culpa e foi sentenciado a 10 anos de prisão. Ele ficou quase cinco anos atrás das grades até ser libertado.
Ele disse ao Los Angeles Times em uma entrevista em 1991 que nunca teve a intenção de matar Drollet, mas que a arma disparou acidentalmente enquanto os dois brigavam. "Eu apenas sentei e assisti à vida esvair daquele rapaz", disse Brando ao jornal. Cheyenne cometeu suicídio em 1995, aos 25 anos, enforcando-se na casa da mãe no Tahiti.
Marlon Brando, considerado um dos maiores atores de sua geração, ganhou o Oscar por "Sindicato de Ladrões" e "O Poderoso Chefão". Ele morreu em 2004 aos 80 anos.
Brando, filho do ator vencedor do Oscar e da atriz galesa Anna Kashfi, morreu no sábado de complicações de pneumonia, afirmou o advogado Bruce Margolin.
Ele estava hospitalizado no Centro Médico Presbiteriano de Hollywood desde 11 de janeiro com pneumonia e sua ex-mulher, Deborah, disse ao site da revista People que ele estava em coma e precisava do auxílio de respiradores. Representantes do hospital não quiseram fazer comentários.
Brando atirou e matou Dag Drollet no dia 16 de maio de 1990, depois que sua irmã Cheyenne lhe disse que o namorado de 26 anos havia batido nela. A prisão dele virou manchete internacional, e depois Marlon Brando fez um apelo emocionado por leniência em nome de seu filho mais velho em corte da Califórnia. Christian Brando admitiu a culpa e foi sentenciado a 10 anos de prisão. Ele ficou quase cinco anos atrás das grades até ser libertado.
Ele disse ao Los Angeles Times em uma entrevista em 1991 que nunca teve a intenção de matar Drollet, mas que a arma disparou acidentalmente enquanto os dois brigavam. "Eu apenas sentei e assisti à vida esvair daquele rapaz", disse Brando ao jornal. Cheyenne cometeu suicídio em 1995, aos 25 anos, enforcando-se na casa da mãe no Tahiti.
Marlon Brando, considerado um dos maiores atores de sua geração, ganhou o Oscar por "Sindicato de Ladrões" e "O Poderoso Chefão". Ele morreu em 2004 aos 80 anos.
Há 2 espécies de chatos: os chatos propriamente ditos e ... os amigos, que são os nossos chatos prediletos. Mário Quintana.





















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