Sexta-feira, Fevereiro 29, 2008
Cd da hora
Zélia Duncan, a cantora e compositora considerada uma das melhores da atualidade, com mais de 15 anos de carreira. São 16 faixas fantásticas, cerca de 55 minutos de duração, com a produção de Christian Oyens e Beto Villares, além de Bia Paes Leme, com quem Zélia dividiu a função no álbum Timoneiro, em comemoração aos 70 anos de Hermínio Bello de Carvalho. Destaque para as quatro canções de Itamar Assumpção (1949-2003): duas inéditas, "Vi, Não Vivi" (com música de Oyens) e "Tudo ou Nada" (com letra de Alice Ruiz), e regravações de duas obras-primas, "Milágrimas" (também letrada por Alice) e "Dor Elegante" (sobre poema de Paulo Leminski). Ouiés. Solda.Todo dia é dia de poeta
Oswaldiando meio a mirar o mar...
Tentativa antropofágica pós - pós: (pós o quê mesmo?)
Diagnosticada a regurgitação de pregos, pedras, placas
e parafernálias da evolução.
Devolução imediata!
A carne é triste.
Laís Romero
Tentativa antropofágica pós - pós: (pós o quê mesmo?)
Diagnosticada a regurgitação de pregos, pedras, placas
e parafernálias da evolução.
Devolução imediata!
A carne é triste.
Laís Romero
Todo dia é dia de poeta
Há poetas
que não escrevem odes
escrevem ódios É quando o tino
sai
pela culetra! Assionara Souza
que não escrevem odes
escrevem ódios É quando o tino
sai
pela culetra! Assionara Souza
Ibrahim Suelda - Calúnia Social
Dia 04/03 (terça-feira) a partir das 19h30. Festinha de aniversário do Benett e da Rafa. Vai ser no Capitu. Cerveja super gelada. A comida de lá é ótima, tem até brigadeiro e beijinho de panela. Capitu. Rua Doutor Goulin, 242, (perto do campo do Coxa), Alto da Gloria - Telefone: (41) 3077-7462. Uebas, ouiés e puizés! Solda.Todo dia é dia de poeta
Love minus zero/no limit My love, she speaks like silencewithout ideals or violence
she doesn't have to say she's faithful
yet she's true, like ice, like fire
people carry roses
make promises by the hours
my love, she laughs like the flowers
valentines can't buy her
In the dime stores and bus stations
people talk of situations
read books, repeat quotations
draw conclusions on the wall
some speak of the future
my love, she speaks softly
she knows there's no success like failure
and that failure's no success at all
people talk of situations
read books, repeat quotations
draw conclusions on the wall
some speak of the future
my love, she speaks softly
she knows there's no success like failure
and that failure's no success at all
The cloak and dagger dangles
madams light the candles
in ceremonies of the horsemen
even the pawn must hold a grudge
statues made of match sticks
crumble into one another
my love winks, she does not bother
she knows too much to argue or to judge
madams light the candles
in ceremonies of the horsemen
even the pawn must hold a grudge
statues made of match sticks
crumble into one another
my love winks, she does not bother
she knows too much to argue or to judge
The bridge at midnight trembles
the country doctor rambles
bankers' nieces seek perfection
expecting all the gifts that wise men bring
the wind howls like a hammer
the night blows cold and rainy
my love, she's like some raven
at my window with a broken wing
Bob Dylan
the country doctor rambles
bankers' nieces seek perfection
expecting all the gifts that wise men bring
the wind howls like a hammer
the night blows cold and rainy
my love, she's like some raven
at my window with a broken wing
Bob Dylan
Morre Buddy Miles
Foto El País.
Morreu na noite da última terça-feira o baterista norte-americano Buddy Miles, que fez parte da lendária Band of Gypsies, do guitarrista Jimi Hendrix. Ele tinha 60 anos e sofria de problemas cardíacos. Ele tocou com Stevie Wonder, Muddy Waters, Barry White, David Bowie, George Clinton, Santana e Bootsy Collins.
O músico passou um período na prisão no final da década de 70 e início de 80, por acusações relacionadas a drogas, mas voltou à música em 1986, com o grupo California Raisins.
Em 1994, voltou a trabalhar com Santana e criou uma nova versão da Buddy Miles Express.
O Estado do Paraná.
Foto sem crédito.
O prefeito Beto Richa continua em lua-de-mel com Curitiba, presume-se pelas pesquisas. Para evidenciar o idílio que se prolonga, a Prefeitura criou um programa romântico chamado “Banho de Lua”. Toda primeira noite de lua cheia do mês será realizada uma caminhada monitorada pelos parques da cidade. O primeiro “Banho de Lua” será no Parque Barigüi, dia 21 de março.
Não se sabe se o “Banho de Lua” vai contar com a presença de Gleisi Hoffmann de mãos dadas com o ministro Paulo Bernardo, seguidos de Rafael Greca e sua Margarita, fazendo troças, caminhando e cantando: Tomara que chova, 100 dias sem parar!
O que se espera é a trupe de Beto Richa entoando a popular canção que marcou a carreira de Ângela Maria: Lua que no céu flutua / Lua que nos dá luar / Lua, ó Lua / Não deixa ninguém te pisar / Todos eles estão errados / A lua é dos namorados.
******
Política à parte, a Lua sempre esteve presente nos costumes da humanidade, a encantar amantes apaixonados. Muito além da poesia e da literatura, a Lua sempre esteve relacionada a desequilíbrios emocionais, suicídios, comportamentos violentos, lobisomens, cachorros doidos e diversas criaturas do folclore. É comum enfermeiras e médicos acreditarem que mais mulheres dão à luz na lua cheia. Agricultores consultam a Lua antes de plantar ou podar. Nos salões de beleza muitos consultam o calendário antes de cortar o cabelo.
Será que esses mitos lunares resistem aos dados da ciência? A resposta pode ser encontrada no site da internet chamado “Projeto Ockham”.
www.projetoockham.rg/boatos_luacheia_1.html
******
O “Projeto Ockham” é formatos por cientista que têm o seguinte lema: “A verdade está lá fora... e ela é menos estranha do que você pensa”. Há muito os cientistas buscam correlações entre a lua cheia e o comportamento humano, que respondem dúvidas como essas: As maternidades são influenciadas pela Lua?
O físico brasileiro Fernando Lang da Silveira foi um dos que colocou o mito à prova, em seu trabalho “Marés, Fases da Lua e Bebês”, e concluiu: não há nenhuma relação entre a Lua cheia e o número de partos.
Loucos não são chamados de lunáticos à toa. É verdade o mito de que a lua cheia provoca maior atividade nos hospícios? O psicólogo canadense Ivan W. Kelly e seus colegas da Universidade de Saskatchewan investigaram em 1996 mais de 100 estudos relacionados ao efeito lunar e não encontraram nenhuma relação entre a lua cheia e algum comportamento que possa remotamente ser rotulado como lunático.
Os animais, que dizem mais irracionais que os homens, ficam eles insanos na Lua cheia? Não, segundo os pesquisadores Simoná Chapman e Stephená Morrell da Universidade de Sidney.
No campo, agricultores acreditam que as colheitas são mais abundantes se as sementes forem plantadas nas fases certas da Lua. Em muitas regiões os fazendeiros também consultam a Lua antes de podar plantas, colher maçãs, fertilizar o solo, cortar madeira, castrar animais, desmamar crianças e até assar bolos. O grupo Australian Skeptics colocou este mito à prova. Ao plantar sementes em luas “boas” e “ruins” os pesquisadores não encontraram nenhuma diferença significativa no tempo de germinação ou no peso dos vegetais colhidos.
Por último, uma afirmação para provocar polêmica em Paranaguá: “As marés não são provocadas pela fase da Lua!” Impossível, devem exclamar os pescadores. “Sim!” respondem os cientistas: “As marés são mais fortes na Lua cheia e na lua nova, mas somente porque nestes períodos a lua e o Sol estão alinhados e a força gravitacional dos dois, exercida sobre os oceanos, se soma”.
******
É a voz da ciência: “Praticamente todos os mitos relacionados à Lua vêm de uma falácia, ou seja, de uma associação lógica que parece verdadeira, mas não é”.
Portanto, vamos ao “Banho de Lua”. E vamos caminhar sem medo de lobisomem, porque Ângela Maria tem a voz da razão: Todos eles estão errados / A lua é dos namorados.
Não se sabe se o “Banho de Lua” vai contar com a presença de Gleisi Hoffmann de mãos dadas com o ministro Paulo Bernardo, seguidos de Rafael Greca e sua Margarita, fazendo troças, caminhando e cantando: Tomara que chova, 100 dias sem parar!
O que se espera é a trupe de Beto Richa entoando a popular canção que marcou a carreira de Ângela Maria: Lua que no céu flutua / Lua que nos dá luar / Lua, ó Lua / Não deixa ninguém te pisar / Todos eles estão errados / A lua é dos namorados.
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Política à parte, a Lua sempre esteve presente nos costumes da humanidade, a encantar amantes apaixonados. Muito além da poesia e da literatura, a Lua sempre esteve relacionada a desequilíbrios emocionais, suicídios, comportamentos violentos, lobisomens, cachorros doidos e diversas criaturas do folclore. É comum enfermeiras e médicos acreditarem que mais mulheres dão à luz na lua cheia. Agricultores consultam a Lua antes de plantar ou podar. Nos salões de beleza muitos consultam o calendário antes de cortar o cabelo.
Será que esses mitos lunares resistem aos dados da ciência? A resposta pode ser encontrada no site da internet chamado “Projeto Ockham”.
www.projetoockham.rg/boatos_luacheia_1.html
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O “Projeto Ockham” é formatos por cientista que têm o seguinte lema: “A verdade está lá fora... e ela é menos estranha do que você pensa”. Há muito os cientistas buscam correlações entre a lua cheia e o comportamento humano, que respondem dúvidas como essas: As maternidades são influenciadas pela Lua?
O físico brasileiro Fernando Lang da Silveira foi um dos que colocou o mito à prova, em seu trabalho “Marés, Fases da Lua e Bebês”, e concluiu: não há nenhuma relação entre a Lua cheia e o número de partos.
Loucos não são chamados de lunáticos à toa. É verdade o mito de que a lua cheia provoca maior atividade nos hospícios? O psicólogo canadense Ivan W. Kelly e seus colegas da Universidade de Saskatchewan investigaram em 1996 mais de 100 estudos relacionados ao efeito lunar e não encontraram nenhuma relação entre a lua cheia e algum comportamento que possa remotamente ser rotulado como lunático.
Os animais, que dizem mais irracionais que os homens, ficam eles insanos na Lua cheia? Não, segundo os pesquisadores Simoná Chapman e Stephená Morrell da Universidade de Sidney.
No campo, agricultores acreditam que as colheitas são mais abundantes se as sementes forem plantadas nas fases certas da Lua. Em muitas regiões os fazendeiros também consultam a Lua antes de podar plantas, colher maçãs, fertilizar o solo, cortar madeira, castrar animais, desmamar crianças e até assar bolos. O grupo Australian Skeptics colocou este mito à prova. Ao plantar sementes em luas “boas” e “ruins” os pesquisadores não encontraram nenhuma diferença significativa no tempo de germinação ou no peso dos vegetais colhidos.
Por último, uma afirmação para provocar polêmica em Paranaguá: “As marés não são provocadas pela fase da Lua!” Impossível, devem exclamar os pescadores. “Sim!” respondem os cientistas: “As marés são mais fortes na Lua cheia e na lua nova, mas somente porque nestes períodos a lua e o Sol estão alinhados e a força gravitacional dos dois, exercida sobre os oceanos, se soma”.
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É a voz da ciência: “Praticamente todos os mitos relacionados à Lua vêm de uma falácia, ou seja, de uma associação lógica que parece verdadeira, mas não é”.
Portanto, vamos ao “Banho de Lua”. E vamos caminhar sem medo de lobisomem, porque Ângela Maria tem a voz da razão: Todos eles estão errados / A lua é dos namorados.
Dante Mendonça [29/02/2008]O Estado do Paraná.
Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008
Figuras de Curitiba
Estreou em Sinhá Moça Chorou, de Ernani Fornari, em 1952, para a sociedade Paranaense de Teatro. Odelair Rodrigues teve importante papel no movimento artístico teatral nos anos 50. Atuou com direção de Ary Fontoura e no extinto Teatro de Bolso, da Praça Rui Barbosa, em mais de uma dezena de peças. Integrou ainda a Cia. de Roberto Menghini, participando de inúmeros espetáculos.No Teatro de Comédia do Paraná atuou em O Consertador de Brinquedos (1966), O Patinho Preto (1967), O Contestado (1979) e Flô em Palácio de Urubus (1993), entre outras.
Trabalhou nestas e em outras montagens com a direção de Fernando Zeni, Lala Schneider e Edson Bueno.
Odelair Rodrigues ganhou diversos prêmios no decorrer de sua carreira: O Curumim 1966, por seu papel Mamãe Dolores em O Direito de Nascer; O Curumim 1969 - 5 Anos de TV Paraná - Canal 6; Melhores do Ano Comunicação da Cidade / Tele-atriz 1977; Troféu Melodia - Concurso Melhores do Rádio e TV do Paraná /Atriz de TV; Troféu Pinhão APAC 1985; Prêmio Talento do Paraná - Artes Cênicas 2000/ July & Burk; Troféu Gralha Azul 2000 - Menção Honrosa pelo pioneirismo na difusão do teatro no Paraná, pela formação de platéia e por sua brilhante carreira como atriz; Troféu Espaço Arte e Cultura Telepar/Brasil Telecom 2001 - 50 Anos de Vida Artística; e Prêmio Marista Expoarte 2001.
Em 2001, o diretor de teatro Marco Zeni, junto com Luiz Brambilla e Altamar César, homenageiam a atriz com a fundação do Espaço Cultural Odelair Rodrigues.
Bob Dylan e o México
Foto sem crédito.
Bob Dylan vai a São Paulo e Rio em poucos dias. Nesta terça (26/2) à noite, ele se apresentou no Auditório Nacional, na Cidade do México. Algumas impressões:
* É uma vergonha que uma cidade como São Paulo não abrigue algo como o Auditório Nacional. No imponente local, cabem quase 10 mil pessoas, sentadas confortavelmente, num espaço lindo e com acústica impecável. É dez vezes maior do que o Auditório Ibirapuera.
* Dylan fez show de quase duas horas. Nas três primeiras músicas, ele fica na guitarra; a partir daí, apenas no teclado. E não fala uma palavra com o público.
* Sua voz está cada vez mais rouca e mais fraca; em várias faixas, é atropelada por teclado e bateria.
* É notório que ele muda as versões das músicas nos shows. Mas não precisava machucar tanto coisas como "Blowin' In the Wind", que encerrou a apresentação.
* Dylan virou artista que faz cover de si mesmo. As faixas novas se arrastam; é nítida a falta de força dessas músicas recentes quando ouvidas lado a lado com clássicos como "Highway 61 Revisited" e "Like a Rolling Stone". E é nítido como esses clássicos nas versões atuais soam pálidos se comparados às versões originais.
* É uma vergonha que uma cidade como São Paulo não abrigue algo como o Auditório Nacional. No imponente local, cabem quase 10 mil pessoas, sentadas confortavelmente, num espaço lindo e com acústica impecável. É dez vezes maior do que o Auditório Ibirapuera.
* Dylan fez show de quase duas horas. Nas três primeiras músicas, ele fica na guitarra; a partir daí, apenas no teclado. E não fala uma palavra com o público.
* Sua voz está cada vez mais rouca e mais fraca; em várias faixas, é atropelada por teclado e bateria.
* É notório que ele muda as versões das músicas nos shows. Mas não precisava machucar tanto coisas como "Blowin' In the Wind", que encerrou a apresentação.
* Dylan virou artista que faz cover de si mesmo. As faixas novas se arrastam; é nítida a falta de força dessas músicas recentes quando ouvidas lado a lado com clássicos como "Highway 61 Revisited" e "Like a Rolling Stone". E é nítido como esses clássicos nas versões atuais soam pálidos se comparados às versões originais.
O setlist do show:
Rainy Day Women
It Ain't Me Babe
Watching the River Flow
Masters of War
The Levee's Gonna Break
Spirit on the Water
Things Have Changed
When the Deal Goes Down
High Water
Stuck Inside of Mobile With the Memphis Blues Again
Nettie Moore
Highway 61 Revisited
Workingman's Blues #2
Summer Days
Like a Rolling Stone
bis:
Thunder on the Mountain
Blowin' In the WindDo blog Ilustrada no Pop.
Os psicólogos não choram
Ranieri González e Gilda Elisa.
Foto de Chico Nogueira.
HOJE, PRÉ-ESTRÉIA PARA A CLASSE ARTÍSTICA E IMPRENSA , ÀS 21 HORAS. ESTRÉIA PARA O PÚBLICO EM GERAL - DIA 29 DE FEVEREIRO (SEXTA FEIRA), ÀS 21 HORAS. TEATRO LALA SCHNEIDER.
Ano das mulheres

Neste ano bissexto de 2008, uma boa notícia para Gleisi Hoffmann, candidata do PT à Prefeitura de Curitiba. Diz a lenda que este é o ano das mulheres. No século XII, na Escócia, eram as mulheres que tinham o direito de escolher quem desejassem para marido. Caso o preferido não concordasse com o casamento, era obrigado a pagar um dote considerável à donzela.Com a devida licença do marido e ministro Paulo Bernardo, podemos dizer que Gleisi Hoffmann pretende pedir a mão de Curitiba neste ano bissexto, repleto de mitos e tradições. Conforme os escoceses, é um direito. Basta se inscrever como candidata a esposa da cidade e sair por aí pedindo anuência aos pais da pretendida. Se os eleitores de Curitiba vão concordar com o casamento, é outra história. Quanto ao dote imposto por uma eventual recusa, não deve custar barato para os cofres polpudos do PT.
Desde já, bons augúrios à noiva e a aconselhamos a procurar os primeiros apoios entre os nascidos no dia 29 de fevereiro. Ewaldo Luiz M. Mehl é um deles: nasceu em Curitiba em 29 de fevereiro de 1956 e é o autor da única home-page sobre os nascidos nesta data no Brasil. Contatos com ele podem ser feitos pelo e-mail emehl@milenio.com.br.
“Há uma tendência de se achar que as pessoas que nascem no dia 29 de fevereiro só fazem aniversário a cada quatro anos explica Luiz Mehl no seu sítio da internet. Isso não é verdade, pois assim como as demais pessoas o ‘primeiro aniversário’ é calculado adicionando-se 365 dias à data de nascimento.
Ou seja, um bebê que nasceu no dia 29 de fevereiro de 1996 comemorou seu primeiro aniversário 365 dias depois que nasceu. Ou seja, no dia 28 de fevereiro de 1997. O mesmo ocorreu em 1998 e em 1999. Mas, a partir daí, novamente se faz como as outras pessoas: adiciona-se 366 dias, pois a ano seguinte será bissexto. O resultado será uma festa de aniversário de quatro anos no dia 29 de fevereiro de 2000. O raciocínio anterior é o que deve ser o adotado para uso legal ou então só obteríamos a licença para dirigir automóveis quando tivéssemos 72 anos de idade. É comum, no entanto, que os nascidos no dia 29 de fevereiro comemorem de modo especial o seu dia de nascimento a cada 4 anos e, por isso, são pessoas muito diferentes das demais. Eu, por exemplo, só tenho “10 anos” e já estou escrevendo essa página na internet.”
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Está na enciclopédia: o ano bissexto foi criado em 238 A.C., no antigo Egito, para compensar a diferença entre o calendário, com 365 dias e o ano solar, ou ano astronômico sazonal, com duração de 365 dias + 6 horas. Ano excepcional, é também carregado de superstições. Há quem acredite que o mundo acabaria às 15h de uma sexta-feira de ano bissexto; os filhos nascidos neste ano seriam mais problemáticos; além de acontecerem mais tragédias e catástrofes: a inauguração de Brasília, o golpe militar de 64, o massacre de Munique, o impeachment do Collor, o tsunami na Ásia e tantos outras desgraças.
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À Gleisi Hoffmann, pretendente ao dote de Curitiba, mais duas notícias. Uma boa, outra ruim. Nesta sexta-feira, 29, é dia de comer “nhoque”. Como receita a lenda, é preciso botar uma nota de um euro, de preferência, sob o prato e fazer um pedido. Que pode ser o trono de Beto Richa.
A notícia ruim é que o ano bissexto de 2008 não está sendo afortunado para as mulheres. Pelo menos nos Estados Unidos, Hillary Clinton não consegue marido entre os democratas. Todos os buquês de flores vão para Barack Obama. Dante Mendonça [28/02/2008]O Estado do Paraná.
Morre Buddy Milles, baterista de Jimi Hendrix
O clássico disco Band of Gypsys - 1970 - Jimi Hendrix – electric guitar, vocals - Billy Cox – bass guitar - Buddy Miles – drums, vocals. Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008
A educação através da arte
O projeto é coordenado por Fátima Ortiz,
diretora de teatro. Foto de Ciciro Back.
Descobrir uma nova forma de expressão. Soltar a emoção e se soltar. Isso é o que faz a educação através da arte. E é isso que 60 crianças farão, a partir da próxima semana, no projeto “Criança Encenação”. O trabalho está na terceira edição.
Começou em 2005, foi também realizado em 2006, mas, em 2007, teve que ser interrompido por falta de recursos. Este ano volta para mais uma vez incluir alunos da rede pública, de 9 a 12 anos.
O projeto faz parte do Pé no Palco Atividades Artísticas e é coordenado pela diretora Fátima Ortiz. Ela explica que se trata de um projeto de arte-educação, que tem como eixo o teatro. Porém, além da arte da encenação, as crianças aprendem expressão corporal, expressão plástica e sonora. “No primeiro semestre o que fazemos é sensibilizar as crianças para o convívio com a arte. No segundo semestre, já familiarizados, eles passam a montar espetáculos”, afirma.
De março a dezembro, todas as manhãs de segunda a quinta, as crianças terão aulas. Como diz Ortiz, não serão aulas tão formais quanto às das escolas, mas também requerem disciplina, além da liberdade de expressão. “Queremos estimular o gosto pela arte. Através das atividades a criança descobre uma nova forma de expressão. É um ambiente de trabalho, de atividades, de educação, mas com o diferencial da inclusão da emoção, do sentimento, da fala”, expõe a diretora.
Nessa atividade, de aprender arte, o mais importante não é tanto o resultado quanto o processo. “Todos os momentos são valorizados e os resultados são diferentes, conforme o perfil das turmas. Esse resultado é apresentado no final, com a encenação da peça”, comenta Fátima. Aprendizado para as crianças, assim como para a equipe de cinco professores de corpo, voz, artes plásticas e teatro. “A gente constrói uma relação muito rico com as crianças”, conclui.
Palco
O “Criança Encenação” será lançado no próximo dia 1, às 17h. O projeto é fruto de um dos três seguimentos do Pé no Palco, o ação e valores humanos. Além deste, o programa tem o curso livre de teatro e o círculo de encenação e pesquisa, com um repertório estável de quatro espetáculos. Como conta Fátima Ortiz, o trabalho começou em 1995. “Hoje esse trabalho é o projeto da minha vida. Criei de maneira despretensiosa e foi crescendo. Hoje tem força de uma prática muito viva e verdadeira. Estamos construindo um saber com a comunidade, através do teatro”, completa a diretora. Nájia Furlan [27/02/2008]O Estado do Paraná.
Começou em 2005, foi também realizado em 2006, mas, em 2007, teve que ser interrompido por falta de recursos. Este ano volta para mais uma vez incluir alunos da rede pública, de 9 a 12 anos.
O projeto faz parte do Pé no Palco Atividades Artísticas e é coordenado pela diretora Fátima Ortiz. Ela explica que se trata de um projeto de arte-educação, que tem como eixo o teatro. Porém, além da arte da encenação, as crianças aprendem expressão corporal, expressão plástica e sonora. “No primeiro semestre o que fazemos é sensibilizar as crianças para o convívio com a arte. No segundo semestre, já familiarizados, eles passam a montar espetáculos”, afirma.
De março a dezembro, todas as manhãs de segunda a quinta, as crianças terão aulas. Como diz Ortiz, não serão aulas tão formais quanto às das escolas, mas também requerem disciplina, além da liberdade de expressão. “Queremos estimular o gosto pela arte. Através das atividades a criança descobre uma nova forma de expressão. É um ambiente de trabalho, de atividades, de educação, mas com o diferencial da inclusão da emoção, do sentimento, da fala”, expõe a diretora.
Nessa atividade, de aprender arte, o mais importante não é tanto o resultado quanto o processo. “Todos os momentos são valorizados e os resultados são diferentes, conforme o perfil das turmas. Esse resultado é apresentado no final, com a encenação da peça”, comenta Fátima. Aprendizado para as crianças, assim como para a equipe de cinco professores de corpo, voz, artes plásticas e teatro. “A gente constrói uma relação muito rico com as crianças”, conclui.
Palco
O “Criança Encenação” será lançado no próximo dia 1, às 17h. O projeto é fruto de um dos três seguimentos do Pé no Palco, o ação e valores humanos. Além deste, o programa tem o curso livre de teatro e o círculo de encenação e pesquisa, com um repertório estável de quatro espetáculos. Como conta Fátima Ortiz, o trabalho começou em 1995. “Hoje esse trabalho é o projeto da minha vida. Criei de maneira despretensiosa e foi crescendo. Hoje tem força de uma prática muito viva e verdadeira. Estamos construindo um saber com a comunidade, através do teatro”, completa a diretora. Nájia Furlan [27/02/2008]O Estado do Paraná.
Mister Wong
A fonte era atrás da Igreja dos Lavados – e fiquei horas num êxtase, língua à brasa de coxas, andando, no pensamento, em torno do poço com erva da tempestade no céu da boca. Bebi aguardente, benzi pedras e gatos. Vi, pela primeira vez, o aspecto interior da fonte de água mineral que me envolve e me incita ao linho. Sonhei, chuva a chuva, o abismo em que me precipitei nulo. Escutei em meus tímpanos o bosque de uma voz que desfiava uma barca na correnteza.Retirei da sombra o meu vazio íntimo, meu ser colossal e banal ao mesmo tempo, e tirei-me a ferros das entranhas de mim mesmo. Devaneio entre o bairro de Água Branca e o bairro dos Paulas. Gozo antecipadamente o prazer de ir tocar as coxas de uma das três mulheres Araxá.
Uma hora estou aqui deitado nas folhas das folhas de relva, outra hora estou lá e pratico ablução com areia embaixo de um baobá, vendo os ângulos algumas vezes cáusticos do absurdum – bato o fino tambor: absurdum, absurdum, absurdum.
Tornamo-nos cadáveres, ainda que falsos, até atingirmos aquele ponto da ilusão em que a própria ilusão se destroça, onde já não distingüimos quem somos, de onde viemos, para onde vamos. Porque, de resto, o que fingimos é isto, fingimos estar vivos e somos cadáveres e não sabemos nunca a nossa origem primordial.
O único modo de estarmos de acordo com essa vidraça – ou a vida –, é estarmos em desacordo com nós próprios e com esses talhos fundos sobre a fauce, como feitos por dentes de garfo.
O absurdo é o divino e eu passo por entre lianas, alcanço o retábulo de pedra e nele adormeço. Acordo para estabelecer a seguinte teoria: o mar assina oráculo na carapaça da lagosta, depois age contra ela, para justificar o quanto é oco esse oráculo e ocas as nossas ações e as teorias que as vivificam.
Talhar uma tainha na nuvem, e logo em seguida soprar as nuvens e seguir por essas alturas.
Ter, nos gestos todos, jorro de água e, no pensamento, uma loja de cristais; gestos aquáticos e o inferno é esse gato persa que penetra surdamente na loja de cristais e os cristais – tensos todos – confidenciam que nem somos gato persa e talvez sejamos todos esse Mister Wong que tecla ao piano dois tufões.
Adquirir um livro para ler nas páginas desertas a pétala, o salmão e, se pétala de salmão é escama, também é selo de poesia. Ir a concertos para não escutar os cellos suntuosos de Brahms nem para ver o Mister Wong que sempre lá está (no auditório de um concerto, todo calvo é sempre o Mister Wong); dar longos passeios por cima das ondas, andar no bosque vazio por estar farto de andar no bosque vazio e ir passar domingos com a cabeça embaixo do travesseiro só porque ali o céu não nos aborrece.
Agora que me oprime a roda-de-ferro na fronte, aquela angústia antiga me conta que chovem fios de mel na carpa, por vezes bebo o andamento delas num aquário e respiro deitado numa das longas folhas da bananeira. E como, ao sair Mister Wong do casario, o vento verificasse que a garrafa de vinho ficou pela metade, o vento bateu com a cortina na garrafa, aliviou-a de repente de seu líqüido e o vento se afastou.
Fernando José Karl
À moda antiga
e Jeanine Campelli. Fotos de Alexandre
Gasparini.
Quem disse que não se fazem mais bailes de Carnaval como antigamente? Pois em Curitiba, cidade onde sepultaram o Rei Momo, uma folia do tempo em que íamos aos bailes aconteceu na noite de sexta-feira passada, no Jockey Club. A folia fora de época foi em honra a Jeanine Lepca Campelli, doce criatura que reuniu novos e velhos amigos para comemorar seu 1.º cinqüentenário com alegria de viver. Jeanine Campelli realizou o sonho de organizar o seu próprio baile de Carnaval, daqueles a que já não vamos mais. A professora e tradutora juramentada de italiano fez a festa como deve ser, e agora não é mais. Com alegria de viver, do confete à orquestra do maestro Matoso, o repertório foi escolhido na sua mais perfeita tradição. Quanto riso, quanta alegria, eram mais de 200 convidados no salão: colombinas e pierrôs, piratas e marinheiros, dançarinas das arábias e marmanjos com a cabeleira do Zezé, até Marilyn Monroe, que caiu nos braços de um perfeito Adolf Hitler. Como nem tudo é permitido, só faltou lança-perfume no ar. Mas não faltou, para adoçar a festa dos foliões de todas as idades, a Sorveteria do Gaúcho. Muito menos o buffet da família Belloni. No salão Bento Munhoz da Rocha Netto, do Jockey, uma sentida ausência: o jornalista Laerzio Campelli, pai de Jeanine. Ex-secretário de Turismo e Divulgação do primeiro governo Ney Braga, Laerzio comemorava na Eternidade o baile da saudade que a filha aniversariante nos deu de presente. Dante Mendonça [27/02/2008]O Estado do Paraná.
Cuba, outro país, outro comandante
A revista Veja, outrora referência no jornalismo nacional e internacional, desistiu de contratar quem sabe escrever?
Na edição mais recente (nº 2049, de 27/2/2008), lê-se: "Em 1953, levado a julgamento pelo crime de ter enviado seus primeiros seguidores para um ataque suicida a um quartel, o jovem advogado Fidel Castro Ruz assumiu a própria defesa e o fez de forma magnífica. Antecipando a retórica magnética, grandiosa, arrogante mas farsesca que o caracterizaria pelo resto da vida política, disse aos juízes: 'A história me absolverá'."
A matéria apóia-se em tiques habituais de certos setores da imprensa e da mídia que, quando tratam de bandidos, facínoras e notórios corruptos, são de uma indulgência exemplar. Com efeito, conhecidos personagens, emblemas do tráfico de drogas, da contravenção e de diversos crimes financeiros tornados públicos, jamais foram tão vituperados como têm sido alguns estadistas e até figuras que já pertencem à História.
Problemas sérios
Uma revista da dimensão de Veja não pode ficar no diz-que-diz-que. Onde estão a documentação e as evidências que apóiam ilações tão esdrúxulas?
Na companhia de outros escritores brasileiros, que estiveram em Cuba em janeiro e fevereiro de 1985, fui recebido por Fidel Castro. O encontro deu-se por força do grande prestígio que Frei Betto tem, não apenas com as autoridades, mas com todos os que leram seu livro Fidel e a Religião, bestseller no Brasil e em Cuba, já publicado também em outros países.
Na volta daquela primeira viagem, a convite do então diretor de redação da Playboy, Mário Escobar de Andrade, apontamos alguns problemas sérios com os quais a população convivia em Cuba, em matéria escrita a seis mãos para a edição da Playboy de abril de 1985. Os outros dois autores foram o jornalista Fernando de Barros e a atriz Lucélia Santos.
Na volta daquela primeira viagem, a convite do então diretor de redação da Playboy, Mário Escobar de Andrade, apontamos alguns problemas sérios com os quais a população convivia em Cuba, em matéria escrita a seis mãos para a edição da Playboy de abril de 1985. Os outros dois autores foram o jornalista Fernando de Barros e a atriz Lucélia Santos.
Algumas diferenças Na época, calculei que o regime convivia com cerca de 500 mil dissidentes numa população de aproximadamente 10 milhões de habitantes. Oswaldo França Júnior, que integrava a delegação brasileira de escritores, com o apoio de algumas anotações que lhe cedi, escreveu um livro sobre aquela viagem, que recomendo: Recordações de amar em Cuba.
Voltei a Cuba em 2005. Nas duas vezes, encontrei autoridades, mas também andei pelas ruas, conversei com jovens, velhos, crianças. Li, vi, ouvi, senti, escrevi. Não me considero alinhado a regime algum e escrevo o que me apraz, seja canela ou sassafrás. Sei que leitores, divididos, apóiam ou rejeitam as matérias que escrevemos. É um direito deles. E é este direito que agora exerço ao ler a Veja. Mas com algumas diferenças e perguntas.
Os escritores José Saramago e Gabriel García Márquez, que receberam o Prêmio Nobel de Literatura, respeitadas as dimensões, naturalmente, têm de Cuba, da sociedade e de ícones da Revolução Cubana, como Fidel Castro e Che Guevara, um conceito muito semelhante ao revelado por vários escritores brasileiros. Indicadores de 1º mundo
Fidel Castro pode e deve ser criticado por seus defeitos, que os tem. Mas não por suas qualidades de bom orador - ele se iguala a um Cícero, a um Demócrito, como reconhecem até norte-americanos, inclusive funcionários da CIA - e de governante preocupado com o bem-estar do povo.
Fidel Castro pode e deve ser criticado por seus defeitos, que os tem. Mas não por suas qualidades de bom orador - ele se iguala a um Cícero, a um Demócrito, como reconhecem até norte-americanos, inclusive funcionários da CIA - e de governante preocupado com o bem-estar do povo.
Que outro presidente, ditador ou que designação tenham os governantes dos países emergentes ou pobres, pode receber o papa - como fez Fidel Castro, quando João Paulo II visitou Cuba - e saudá-lo assim: "Santidade, esta noite muitas crianças dormirão nas ruas, nenhuma delas é cubana"?
Esta é uma das marcas principais da "tenebrosa herança" que Fidel Castro deixa: as crianças não estão na rua, estão na escola. E os indicadores de mortalidade infantil, saúde, educação e cultura continuam de primeiro mundo, apesar do embargo dos EUA, que parece eterno e Veja não critica. Deonísio da Silva, Observatório da Imprensa.
Terça-feira, Fevereiro 26, 2008
Dançando nas estrelas
O bailarino curitibano Luciano Lazzaroto, em cartaz no espetáculo Phantom – The Las Vegas Spectacular, no Cassino Venetian, pode estar perto de se transformar numa estrela internacional. Os empresários da companhia, ligados à cadeia West Broadway, entusiasmados com o talento do rapaz – que os americanos chamam de Luke – querem investir na sua carreira. Uma agência de Las Vegas, a Kirvin Doak, está trabalhando para criar um lastro publicitário de reconhecimento à carreira do jovem bailarino, que antes era solista da companhia San Francisco Ballet, na Califórnia. Para quem não liga o nome à pessoa, Luciano é filho de um taxista de Curitiba e ex-aluno da Petit Ballet, tradicional escolinha da professora Rita de Cássia. Num dia qualquer de 1997, ele arrumou as malas e foi tentar a sorte em Nova York. Escolheu fazer aplicação (teste) para algumas companhias e acabou escolhido como aluno residente na New York City School of Ballet, passando então a morar no anexo do Lincoln Center, no coração cultural da Big Apple. Tinha apenas 18 anos. (Na época fiz uma reportagem sobre ele para O Globo, que mereceu capa do Segundo Caderno, com uma foto gigante feita no Central Park e outras tantas mostrando o cotidiano dele na escola.) Dois anos depois, com o inglês na ponta da linha, desenvoltura para circular sem excitação na fogueira das vaidades, Luciano decidiu morar em San Francisco, onde chegou à condição de solista e, nos anos seguintes, das companhias oficiais de Cincinnati, Connecticut e Lousville. Em Chicago, seu trabalho no clássico West Side Story mereceu elogios que iriam definir sua carreira. Agora Luciano reaparece como o personagem Slave Master do musical Phantom, de Andrew Lloyd-Weber, que se prepara para comemorar dois anos em cartaz no cassino de Las Vegas. Toninho Vaz, de Santa Teresa.Todo dia é dia de poeta
desdizeres (criames letrais)
***a solidão é o estúdio da alma***silêncio é o nome do anjo visitador que edita a solidão humana***a poesia é a música que estravasa a solidão de existir pelo solo do silêncio***o poeta é um ledor de si mesmo, mundos e fungos, ícaros e ácaros; telúrico e numinoso - a mesma face-divã contra todas as moedas de trocas, divisões e posses***escrever é um exercício de libertação***o poeta escreve por musica invisível***a produção poética tem livre arbítrio, quase que fio-terra em chorumes***o céu e o inferno tentam ser o palco do poetar***a guerra é dentro***escrever é tentar colocar lucidez neural no self***escrever é uma tentativa arquitetural de construir um novo céu e uma noiva guelra***o céu pode ser aqui, como o céu pode esperar***poeta tem medo de sobreviver***quem não chora não ama***paredes ensinam o artista a pesquisar e adquirir técnicas de vôos***todo artista toca seu Deus quando cria***a poesia não admite uniforme, antes, busca o refino que faz a alma-nau respirar luz dentro da luz***a poesia pode ser craca de dois gumes, essa é a idéia***poemas povoam o desmundo letral do escritor***escrever às vezes é estar no colo de Deus***o poetar como oficio de marreta na bigorna liga o poeta a musica orquestral da natureza-mãe***poeta vive melhor na noite, o breu branco, quando pode enxergar no ex-claro***vidas são livros abertas aos deuses do caos***algumas páginas fechadas são lidas nas entrelinhas***poetas solam a sua solidão em contato com o noturnal***a solidão-albatroz do poeta, vigia-o para salvá-lo do ser de si***escrever é pôr pingos em dáblios***o poeta escreve incertezas por linhas de rupturas inférteis*** Silas Corrêa Leite
Onde os fracos não têm vez
Foto sem credito.
Com a confirmação de Raúl Castro, de 76 anos, como o novo presidente de Cuba, algumas reformas serão implantadas com a aposentadoria de Fidel Castro: os discursos serão um pouco mais curtos, os cubanos poderão hospedar-se em hotéis para turistas e, afora navios, lanchas e veleiros, todos vão poder comprar e vender automóveis.
Na reunião da Assembléia Nacional, Raúl Castro anunciou reformas na estrutura do Estado, modernização na economia e a troca do alfaiate oficial, como bem observou o advogado Rogério Distefano: “O primeiro, urgentíssimo e inadiável ajuste que Raúl Castro deve fazer para modernizar Cuba é importar alfaiates ou mandar os alfaiates cubanos para um curso no Exterior. Confiram as fotos de posse, o novo presidente do Conselho de Estado saudando o povo: terno muito grande, dois números acima do figurino, mangas tão largas que cabem ali punhos e bíceps de boxeadores cubanos repatriados; sem falar na camisa com colarinho de palhaço, quatro números acima”.
***
O atento Rogério Distefano só não mencionou que a fatiota de Raúl Castro está assim folgada porque a herdou do irmão comandante, que, por sua vez, recebeu o figurino de Rubén Fulgêncio Batista y Zaldivar, no dia 1º de janeiro de 1959. Fidel Castro e Fulgêncio Batista tinham medidas semelhantes: os dois eram socialistas e chegaram ao poder liderando revoluções. Fulgêncio Batista tomou o poder em 1933, na Revolução dos Sargentos. Em 1940, eleito presidente, deu novo golpe apoiado pelo Partido Comunista Cubano.
Fidel fez uso do mesmo modelito e chegou ao poder em 1959, liderando um grupo de revolucionários. Gostou tanto que só trocou a guayabera pelo pijama 49 anos depois, porque a velha farda já não lhe cabia mais. Mas por garantia deixou um irmão para tomar conta do guarda-roupa.
***
A história é do tempo que Fidel Castro ainda jogava, bebia e pescava com Hemingway, mas há quem afirme que aconteceu agora, minutos depois da posse do irmão: fazia um calor de mil demônios num daqueles ônibus cubanos que são chamados de “camelos”, não cabia mais uma alma naquele amasso socialista de gentes e suor tropical. De repente, um velho com aspecto de louco, ou de alcoólatra, gritou a plenos pulmões:
— Quero ver todos os soldados gringos pendurados!
Os passageiros olharam para ele em silêncio. O velho sorriu e voltou à carga:
— Pendurados em seus pára-quedas, sobre La Habana!
E os passageiros voltaram a cantar um bolero de Ibrahim Ferrer.
***
O cubano é um povo de bom humor, especialmente quando longe dos discursos do comandante. O escritor José Latour é um deles. Nasceu e viveu em Cuba durante 65 anos e atualmente mora no Canadá com a família. Em 2005, Latour foi entrevistado pela jornalista Cora Rónai: “Não há nações perfeitas disse o escritor. Em toda parte há crime, corrupção e outras doenças sociais. A grande questão é descobrir com quanta imperfeição se pode viver”.
Um trecho da entrevista: “Inúmeros intelectuais mundo afora têm essa visão de Davi e Golias da ilha. O que eles não sabem é que o minúsculo Davi da cena mundial transforma-se num Golias impiedoso nos bastidores, uma criatura que mandou fuzilar milhares de adversários e sentenciou centenas de dissidentes pacíficos a longas penas em prisões infectas, o mais longe possível de onde vivem seus parentes e amigos, pelo “crime” de pedir eleições livres, um sistema político multipartidário, uma imprensa sem censura. O que me deixa perplexo é que todos esses intelectuais exigem para si mesmos os direitos e liberdades que a ditadura cubana nega ao povo. Eles criticam abertamente seus governos, denunciam abusos de poder e corrupção, participam de movimentos e passeatas contra o governo. Ninguém em Cuba pode fazer nada disso. Uma das grandes ironias da política cubana é que o primeiro homem que pegou em armas para lutar contra a ditadura tornou-se, ele próprio, um ditador em grande estilo. E não, não há ditadura “boa” ou “do bem”.
Na reunião da Assembléia Nacional, Raúl Castro anunciou reformas na estrutura do Estado, modernização na economia e a troca do alfaiate oficial, como bem observou o advogado Rogério Distefano: “O primeiro, urgentíssimo e inadiável ajuste que Raúl Castro deve fazer para modernizar Cuba é importar alfaiates ou mandar os alfaiates cubanos para um curso no Exterior. Confiram as fotos de posse, o novo presidente do Conselho de Estado saudando o povo: terno muito grande, dois números acima do figurino, mangas tão largas que cabem ali punhos e bíceps de boxeadores cubanos repatriados; sem falar na camisa com colarinho de palhaço, quatro números acima”.
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O atento Rogério Distefano só não mencionou que a fatiota de Raúl Castro está assim folgada porque a herdou do irmão comandante, que, por sua vez, recebeu o figurino de Rubén Fulgêncio Batista y Zaldivar, no dia 1º de janeiro de 1959. Fidel Castro e Fulgêncio Batista tinham medidas semelhantes: os dois eram socialistas e chegaram ao poder liderando revoluções. Fulgêncio Batista tomou o poder em 1933, na Revolução dos Sargentos. Em 1940, eleito presidente, deu novo golpe apoiado pelo Partido Comunista Cubano.
Fidel fez uso do mesmo modelito e chegou ao poder em 1959, liderando um grupo de revolucionários. Gostou tanto que só trocou a guayabera pelo pijama 49 anos depois, porque a velha farda já não lhe cabia mais. Mas por garantia deixou um irmão para tomar conta do guarda-roupa.
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A história é do tempo que Fidel Castro ainda jogava, bebia e pescava com Hemingway, mas há quem afirme que aconteceu agora, minutos depois da posse do irmão: fazia um calor de mil demônios num daqueles ônibus cubanos que são chamados de “camelos”, não cabia mais uma alma naquele amasso socialista de gentes e suor tropical. De repente, um velho com aspecto de louco, ou de alcoólatra, gritou a plenos pulmões:
— Quero ver todos os soldados gringos pendurados!
Os passageiros olharam para ele em silêncio. O velho sorriu e voltou à carga:
— Pendurados em seus pára-quedas, sobre La Habana!
E os passageiros voltaram a cantar um bolero de Ibrahim Ferrer.
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O cubano é um povo de bom humor, especialmente quando longe dos discursos do comandante. O escritor José Latour é um deles. Nasceu e viveu em Cuba durante 65 anos e atualmente mora no Canadá com a família. Em 2005, Latour foi entrevistado pela jornalista Cora Rónai: “Não há nações perfeitas disse o escritor. Em toda parte há crime, corrupção e outras doenças sociais. A grande questão é descobrir com quanta imperfeição se pode viver”.
Um trecho da entrevista: “Inúmeros intelectuais mundo afora têm essa visão de Davi e Golias da ilha. O que eles não sabem é que o minúsculo Davi da cena mundial transforma-se num Golias impiedoso nos bastidores, uma criatura que mandou fuzilar milhares de adversários e sentenciou centenas de dissidentes pacíficos a longas penas em prisões infectas, o mais longe possível de onde vivem seus parentes e amigos, pelo “crime” de pedir eleições livres, um sistema político multipartidário, uma imprensa sem censura. O que me deixa perplexo é que todos esses intelectuais exigem para si mesmos os direitos e liberdades que a ditadura cubana nega ao povo. Eles criticam abertamente seus governos, denunciam abusos de poder e corrupção, participam de movimentos e passeatas contra o governo. Ninguém em Cuba pode fazer nada disso. Uma das grandes ironias da política cubana é que o primeiro homem que pegou em armas para lutar contra a ditadura tornou-se, ele próprio, um ditador em grande estilo. E não, não há ditadura “boa” ou “do bem”.
Dante Mendonça [26/02/2008]O Estado do Paraná.
Figuras de Curitiba
Antonio Carlos Kraide – 1945/1983 - paulista de Piracicaba, veio para Curitiba estudar Direito na Universidade Católica. Iniciou sua carreira de ator em 1969, atuando em Romão e Julinha (1969), montagem do Teatro de Comédia do Paraná, dirigida por Armando Maranhão.Diplomado em Arte Dramática pelo Curso Permanente de Teatro - CPT em 1970, dirigiu no decorrer de sua carreira mais de vinte espetáculos. Paralelamente teve intensa atividade como ator, produtor e professor. Durante dois anos lecionou no CPT e ministrou vários cursos no interior do Paraná.
Em 1978 recebeu o Troféu Gralha Azul de melhor direção por Curitiba Velha de Guerra, além de dois prêmios do SNT nesse mesmo ano.
Em 1988, a Fundação Cultural de Curitiba confere ao Teatro do Centro Cultural Portão, o nome de Teatro Antonio Carlos Kraide.
Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008
Advogado & BOPE
Divulgação.
Um advogado dirigia distraído quando, num sinal PARE, passa sem parar, mesmo em frente à uma viatura do BOPE. Mais adiante, ao ser mandado parar, toma uma atitude de espertalhão...
Policial - Boa tarde. Documento do carro e habilitação.
Advogado - Mas por que, policial?
Policial - Não parou no sinal de PARE ali atrás.
Advogado - Eu diminuí, e como não vinha ninguém...
Policial - Exato. Documentos do carro e habilitação.
Advogado - Você sabe qual é a diferença jurídica entre diminuir e parar?
Policial -A diferença é que a lei diz que num sinal de PARE deve parar completamente. Documento e habilitação.
Advogado - Ouça policial, eu sou advogado e sei de suas limitações na interpretação de texto de lei, proponho-lhe o seguinte: se você conseguir me explicar a diferença legal entre diminuir e parar eu lhe dou os documentos e você pode me multar. Senão, vou embora sem multa.
Policial - Muito bem, aceito. Pode fazer o favor de sair do veículo, Sr. advogado?
O advogado desce e é então que os integrantes do BOPE baixam o cacete, é porrada pra tudo quanto é lado, tapa, botinada, cassetete, cotovelada, etc. O advogado grita por socorro, e pede pra pararem pelo amor de Deus.
E o policial pergunta:
- Quer que a gente pare ou só diminua?
Policial - Boa tarde. Documento do carro e habilitação.
Advogado - Mas por que, policial?
Policial - Não parou no sinal de PARE ali atrás.
Advogado - Eu diminuí, e como não vinha ninguém...
Policial - Exato. Documentos do carro e habilitação.
Advogado - Você sabe qual é a diferença jurídica entre diminuir e parar?
Policial -A diferença é que a lei diz que num sinal de PARE deve parar completamente. Documento e habilitação.
Advogado - Ouça policial, eu sou advogado e sei de suas limitações na interpretação de texto de lei, proponho-lhe o seguinte: se você conseguir me explicar a diferença legal entre diminuir e parar eu lhe dou os documentos e você pode me multar. Senão, vou embora sem multa.
Policial - Muito bem, aceito. Pode fazer o favor de sair do veículo, Sr. advogado?
O advogado desce e é então que os integrantes do BOPE baixam o cacete, é porrada pra tudo quanto é lado, tapa, botinada, cassetete, cotovelada, etc. O advogado grita por socorro, e pede pra pararem pelo amor de Deus.
E o policial pergunta:
- Quer que a gente pare ou só diminua?
Todo dia é dia de poeta
no batuque do coração rimo rindo
rimo porque sim
rimo indo e vindo
quanto mais rimo melhor
rimo sim e daí?
vivo porque rimo
se rimo amanhã saberei
rimo sempre
rimo uma eternidade
rimo porque morri
confesso que rimei
rimo porque em verdade
em verdade eu sei
que mesmo naquele dia
se a rima me faltar
rimarei roberto prado
rimo porque sim
rimo indo e vindo
quanto mais rimo melhor
rimo sim e daí?
vivo porque rimo
se rimo amanhã saberei
rimo sempre
rimo uma eternidade
rimo porque morri
confesso que rimei
rimo porque em verdade
em verdade eu sei
que mesmo naquele dia
se a rima me faltar
rimarei roberto prado
Os psicólogos não choram
Foto de Chico Nogueira.
PRÉ-ESTRÉIA PARA A CLASSE ARTÍSTICA E IMPRENSA - DIA 28 DE FEVEREIRO (QUINTA-FEIRA), ÀS 21 HORAS. ESTRÉIA PARA O PÚBLICO EM GERAL - DIA 29 DE FEVEREIRO (SEXTA FEIRA), ÀS 21 HORAS. TEATRO LALA SCHNEIDER.
Todo dia é dia de poeta
Voltar para casa
É hora de voltar para casa
E eu já não sei o que é casa
É hora mas eu não sei o que isso quer dizer
Apenas sinto; e o sentir é o instinto de um velho cavalo selvagem
É hora de voltar para casa
O que quer que seja que Casa significa
Talvez signifique terra-casa; a minha morte
E eu sinto o cheiro da raiz me chamando para adubá-la
É hora de voltar para casa
(Sou bananeira que já deu goiaba)
A casa é um todo no inacessível chão
A poeira da estrela no universo será um ponto de luz na distância
Da imensidão(...)
É hora de voltar para casa
Tudo é lar: até o átomo o é
E dentro do nada eu comporei a viagem na alma de todos os caminhos
Pois sei que eu mesmo estou com esse pé na luz
A luz da volta
Para a lágrima inicial de mim
Licor de Ausência Silas Corrêa Leite
É hora de voltar para casa
E eu já não sei o que é casa
É hora mas eu não sei o que isso quer dizer
Apenas sinto; e o sentir é o instinto de um velho cavalo selvagem
É hora de voltar para casa
O que quer que seja que Casa significa
Talvez signifique terra-casa; a minha morte
E eu sinto o cheiro da raiz me chamando para adubá-la
É hora de voltar para casa
(Sou bananeira que já deu goiaba)
A casa é um todo no inacessível chão
A poeira da estrela no universo será um ponto de luz na distância
Da imensidão(...)
É hora de voltar para casa
Tudo é lar: até o átomo o é
E dentro do nada eu comporei a viagem na alma de todos os caminhos
Pois sei que eu mesmo estou com esse pé na luz
A luz da volta
Para a lágrima inicial de mim
Licor de Ausência Silas Corrêa Leite
No tempo do pincenê
Acabei de ler a biografia de Marcel Proust escrita pelo americano Edmund White para a coleção Life, da Penguin Books (1999). Algumas considerações para pautar possíveis interessados no assunto:M.P. (este o nome do livro) beira a erudição em suas 150 páginas de síntese e economia verbal – que o mercado americano chama de “short form” – quando outras biografias de Proust não se fizeram com menos de 300/400 páginas e muitas histórias paralelas. Aqui não se oferece entrevistas com personagens vivos ou mortos, apenas consultas a outras biografias e uma interpretação pessoal dos acontecimentos. É como se o autor conhecesse tanto seu personagem que decidisse nos contar tudo de forma sucinta e organizada, sem gordurinhas. E, para manter a linha, White escolheu apenas as melhores partes da vida do controverso autor. Em síntese, está tudo aqui: a infância na família classe média – surpreendemente normal para quem teve uma mãe judia e um pai cristão; os fracassos literários (o primeiro livro, Plesures and days, esperou dois anos na mesa do editor até ser impresso); a preocupação com a imagem de dandi e homossexual – que levaria à exasperação o assumido André Gide, que o acusava de cometer “crime de lesa verdade”; e, finalmente, a consagração antes da morte aos 51 anos, quando sua obra já estava consumada e seu esforço em escrever (e reescrever) Em busca do tempo perdido conferia-lhe o status de gênio da literatura.
Leitura ideal para conhecer o mundo antes da internet.
Toninho Vaz, de Santa Teresa.
Domingo, Fevereiro 24, 2008
O selo do Lula
Lula queria um selo com sua foto para marcar o aniversário de seu governo.Duda Mendonça achou boa a idéia e executou o projeto. Lula aprovou e mandou a ECT fazer 10 milhões de selos. Quando o selo foi para as ruas, Lula ficou radiante!Mas, em poucos dias, ficou furioso ao ouvir reclamações de que o selo não aderia aos envelopes. Imediatamente, convocou os responsáveis pela confecção e emissão do selo com sua imagem, ordenando que investigassem rigorosamente o assunto. Comissões pra lá, grupos, subgrupos e equipes aos montes pesquisaram as agências dos Correios de todo o país, ouviram usuários, balconistas etc...e, finalmente, desvendaram o que estava ocorrendo.
O relatório, com mais de mil páginas, entregue um mês depois, dizia, na sua conclusão: "Não há nada de errado com a qualidade dos selos. O problema é que o povo está cuspindo do lado errado!"
Um mestre popular
Visitei, na semana, no Museu Oscar Niemeyer, que está, como de costume, com uma bela agenda de exposições, a mostra do impagável J.Borges, 73 anos, artista popular pernambucano, considerado por muitos o “imperador do cordel e da xilogravura”. Comovente o poeta primitivo que munido de buril e uma placa de madeira alcança inenarráveis culminâncias.Sou suspeito para tratar o tema. Filho de lavradores do interior paranaense, a primeira leitura que fiz na vida, logo após de alfabetizado, foi a de um dos mais sofisticados livretos de cordel do Brasil - o mágico A história do pavão Misterioso.
De autoria desconhecida é um clássico do gênero. Desnecessário lembrar o impacto da fábula lida, pelo menino, numa viagem de trem, os olhos cheios de paisagem.
Ainda que não tenha me iniciado na grande arte da leitura, a exemplo da maioria dos velhos e novos meninos urbanos, com Monteiro Lobato, o cordel, senhores, me deu, sem erro, régua e compasso. Descobri então, muito cedo, naquela lenda de origens medievais, que a literatura pode ser, e é, antes de tudo, ofício encantatório, bruxedo, feitiçaria.
Pois J. Borges me levou a revisitar essas regiões quase esquecidas da memória, ali onde um risonho sol pode fazer as vezes da cabeça de um jumento ou onde um porco e uma mulher se abraçam numa dança que ainda põe como pares, o sapo e o jabuti, o coelho e o cachorro, a cobra e o lagarto, a onça e o tatu. Tudo isso numa festa memorável destinada a celebrar o aniversário do macaco.
Ah, o macaco!...
Numa viagem ao Nordeste, para conferência sobre meus livros, tive a honra de contar, na platéia, com João Feliciano, famoso cordelista paraibano. Mais de 80 anos, os cabelos ralos, óculos fundo de garrafa, levou-me de presente uma meia dúzia de instigantes livretos e, claro, uma garrafa de cachaça “amansa corno”...
Quando perguntei a Feliciano do que, a rigor, vivia, me respondeu, grave e enérgico, que criara onze filhos, e “nenhum que ténha déséncaminhado na vida”, com as mãos que Deus lhe deu... E fez questão de mostrá-las, grossas e grandes, calejadas pelas ferramentas que a xilogravura exige. De cidade, em cidade, um nômade de Deus e do Padim Ciço, a levar, no bornal cheio, seus versos em perfeitas rimas de martelo agalopado...
Nada diferente de J. Borges, um mestre em toda extensão da palavra, também ele chefe de enorme clã e que ora nas paredes do MON exibe jóias de burilada beleza, cantares que remontam aos cavaleiros da Távola Redonda. Mas contam uma história essencialmente brasileira - de A Chegada da Prostituta no Céu ao raconto de Lampião no Inferno; do Encontro de Pinto do Monteiro com Zé Limeira até a Mulher que Botou o Diabo na Garrafa. Edificante que um museu sofisticado, como o Oscar Niemeyer, abrigue, ao lado de Maria Bonomi e Kurt Schwitters, a graça singela e não menos requintada de J. Borges, poeta de simplezas que chegam às raias do sublime. Wilson Bueno [24/02/2008]O Estado do Paraná.


























































































































































































