Poty, belo e faceiro, nas águas da Guanabara. Do Rio de Janeiro, enfim, uma boa notícia. A Mangueira (Estação Primeira) vai anunciar seu enredo para 2009: “Darcy Ribeiro, o guerreiro sonhador”. O acerto foi fechado na última sexta-feira, nos revela em primeira mão o escritor Toninho Vaz. Mangueira, teu cenário é uma beleza, no entanto, o que essa boa nova interessa a nós outros curitibanos?
A Estação Primeira vai sair na Sapucaí com uma ala curitibana, cantando o samba enredo da verde e rosa no mais que perfeito sotaque leitE quentE. Morador ilustre de Santa Tereza, bairro carioca pertinho do céu, o curitibano Toninho Vaz está exultante, conforme escreveu para o blog do Solda: “Perceberam a dimensão da encrenca? Vamos criar a ala Poty Lazzarotto e oferecer a idéia para diretoria da escola. Foi Poty quem primeiro ilustrou o romance Maíra, o mais famoso entre todos da obra do Imperador de MOC (assim chamado o município de Montes Claros, MG, onde Darcy nasceu). Se a gente não tiver esta idéia antes, alguém pode tê-la depois. Ou o Poty vai passar despercebido. É, também, uma oportunidade para nos divertir na avenida. As águas vão rolar, e o Mazzinha vai ser nosso diretor de harmonia. Para quem nunca viveu a experiência de desfilar pela Mangueira ou qualquer outra escola carioca de porte magnífico, posso garantir que se parece com um ato religioso, um mantra espiritual e pagão para o resto de nossas vidas”.
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“A oportunidade que vocês aguardavam há anos vai acontecer no próximo Carnaval”, nos convoca Toninho Vaz. E a rara oportunidade não será desperdiçada, respondemos daqui, porque verás que os filhos de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais não fogem da folia.
Curitibanos, à concentração. Em fevereiro, se o Carnaval não vem a Curitiba, Curitiba vai ao Carnaval carioca para saudar Darcy Ribeiro, o guerreiro sonhador, com a fantasia de Napoleon Potyguara Lazzarotto. Aos primeiros a se inscreverem na Ala do Poty, o escritor Toninho Vaz promete não deixar ninguém ao relento: “A idéia é alugar uma casa, aqui em Santa Teresa, com cinco quartos e jogar vocês dentro uma semana antes da folia (tem que freqüentar pelo menos os três últimos ensaios). Quem preferir ficar em hotel, pode fazê-lo”.
Desde já, Ernani Buchmann (com a devida licença de Glauco Souza Lobo) está escalado para a Ala do Poty, para provar que até o mais ferrenho dos adversários do Carnaval curitibano não resiste ao chamado da Mangueira. Ao escritor Wilson Bueno, carioca honorário do Beco das Garrafas, caberá abrir o desfile fantasiado de polaco da Barreirinha.
Dalton Trevisan, amigo de mocidade e de noites frias de Poty Lazzarotto, vai, enfim, se despedir de Curitiba e tomar o rumo do Rio de Janeiro, para gorjear nos braços de uma corruíra da Mangueira: “ó supremo desfrute / em Curitiba é que não dá / não permita Deus que eu morra / sem que daqui me vá / nunca mais aviste os pinheiros / onde já não canta o sabiá”.
Paulinho Vítola, o menestrel das araucárias, terá o seu “Dia de Arlequim” (ou “Dia de Poty”) na Praça da Apoteose: “Quantos sorrisos vêm nascendo lá do alto / Trazendo o céu de lua cheia pro asfalto / O Rancho abriu-se em flores coloridas / Vestindo a calçada de cores / enchendo de encanto a avenida”. E saudando o passista, a pastora, a cabrocha e o palhaço, Paulo Vítola vai encerrar o desfile com o feitiço de seus versos: “Se a avenida tem fim não faz mal / Tem fim a vida e o Carnaval / Vou machucar o meu tamborim / Que hoje é o meu dia de arlequim.
Dante Mendonça [30/04/2008]O Estado do Paraná.