Segunda-feira, Agosto 31, 2009
Domingo, Agosto 30, 2009
Por que sumiu logo o Belchior?
Tanta gente para sumir sem deixar vestígio - o Brasil agradeceria. E vai sumir logo o Belchior, apenas um rapaz latino-americano do Ceará sem parentes importantes. Não fez mal a ninguém, só a quem passou cheques sem fundos. Podia sumir a trinca Sarney, Renan e Collor. Podia sumir o ex-Mercadante com seus arroubos varridos para baixo do bigode. Podia sumir Suplicy com sua cartolina vermelha de efeito retardado. Mas o único que não tem dinheiro no banco é Belchior. Ruth de Aquino, revista Época, 31/8/2009, nº 569.Fraga
Desenho de Tiago Recchia. para leminski (junho 1989) penso e surpreendo dentroesse peso suspenso
entre fuga e allegro entre risos e abismo
resgato fragmentos
e vestígios do vértigo (espreito, rima leonina,
as naus, bits e ítacas
de tuas russas cismas,
as lengua-lengas feras
de teus trobares raros) entre sóis e êsseoésses
miro etrelas-desastres
e desorientes ferozes
rumo ao ouro quase-Órion
de um perhappiness entre o novo e o velho
só vejo o vero fogo
que te tornou eterno só vestígios do vétigo
desde que o caos
deixou de ser acaso
Todo dia é dia
com quantos lábios se faz um beijo...
quantas bocas num lampejo de ventura
veludos afagam cantos e faces
ping pong de pura candura
entre curvas e volteios seios faceiros
aquecem a pira de inflamados devaneios
roda gigante do meu peito cambaleia pelo céu
a lua cheia entre nuvens
revela ondas nivela sombras
silhuetas estatuetas idas e vindas ao léu
São João del-Rei
A pacata cidade mineira de São João Del-Rei foi cenário do 3º. Felit, o festival literário que debateu os Anos Loucos, poesia e literatura malditas. Termina hoje. (Foto Toninho Vaz)
Os poetas Chacal e Alice Ruiz e o escritor Toninho Vaz se encontram nos bastidores para conversar sobre versos e reversos nos anos 60/70. (Foto Elvis, o segurança)
Chacal, o poeta da Nuvem Cigana e do CEP 20.000 faz leitura de poemas de Paulo Leminski para uma platéia atenta e participativa. Na primeira fila (a partir da esquerda) a escritora Branca de Paula, o jornalista Carlos Alenquer (de pernas cruzadas), Alice Ruiz e Marcelino Freire, que escolhem poemas para dizer. A sessão maldita que homenageava o bandido que sabia latim terminou depois de meia-noite, claro! (Foto Toninho Vaz).Elle Macpherson lleva a su perra a las pasarelas
Suele decirse que los perros terminan por parecerse a sus dueños y viceversa, pero en el caso de la ex modelo Elle Macpherson la semejanza con su mascota llega hasta tal punto que su perra, Belle, ha comenzado a abrirse camino en el mundo de la moda canina. La perra de cinco años mezcla de labrador y caniche se ha convertido en la protagonista de la temporada otoño-invierno la marca de la ropa para perros Dogside. Reuters.
Foto sem crédito. vide bulatoda família curitibana tem um louquinho
trancado no porão (dalton trevisan)
diazepan insensatez rivotril haldol
neozine esquizofrenia serzone vertigem
aropax neurose melleril nora drenalina stelazine
vigabatrin depressão risperdal demência vozes
fantasmas propanolol medos
prozak alucinações socian cerebrastenia
letargia alienação mental psicopatia anafranil
raciocínio absurdo efexor cefaléia cansaço pavor
zoloft desconfiança ziprexa hostilidade
palmelor hiperprexia tegretol ansitec rigidez
hipotensão tontura carbolitium acatisia
edema periférico boca seca constipação
os pacientes alterados devem ser mantidos
fora do alcance das crianças (aos internos do hospital espírita
Padaria Espiritual
Quando você entrou em mim como
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou ser feliz direito
Porque o amor é uma coisa mais profunda
Aí um analista amigo meu disse que desse jeito
Não vou viver satisfeito
Porque o amor é uma coisa mais profunda
Deixando a profundidade de lado
Eu quero é ficar colado à pele dela noite e dia
Fazendo tudo de novo e dizendo sim à paixão
Eu quero gozar no seu céu, pode ser
Viver a divina comédia humana onde
Ora direis, ouvir estrelas, certo perdeste
Eu vos direi no entanto:
Enquanto houver espaço, corpo e tempo
Eu canto

Vital e sua moto mas que união felizCorria e viajava era sensacional
A vida em duas rodas era tudo que ele
Vital passou a se sentir total
3
— Pois não, caro Alexandre!
— Nova York só foi descobrir que não tinha um restaurante decente em 1825. Nessa época, o suíço e mercador de vinho Giovanni Delmonico juntou suas economias e se estabeleceu em Manhattan. Ele foi o primeiro a reagir a essa espantosa falta de restaurantes, mas de acordo com outros relatos, ele estava simplesmente se antecipando ao crescimento e à excelente oportunidade que surgia. Voltou para a Suíça para buscar seu irmão mais velho, Pietro, um pasteleiro de sucesso em Berna.
Sábado, Agosto 29, 2009
Nora Drenalina indica:
Não se trataria de perfeita e acabada absurdidade um prefácio para um livro desta dupla? Mas, por que, Dio Santo, ocupar inutilmente uma folha com desnecessárias palavras, se os dois já se apresentaram tão maravilhosamente no magnífico caderno "Curitiba de Nós"? E demasiado conhecidos e estimados os autores, porém só pressentidas as demoníacas artimanhas de que se valem esses dois para estilhaçarem os cérebros desprevenidos... A recriação de Poty, mestre da linha e do chiaroscuro, sobre as imagens-idéias das balas Zequinha não tem estruturalista que explique. E o texto de Valêncio Xavier, mestre da construção inquietante, sobre as recriações de Poty, ganha entretanto existência própria, à parte delas. Dito isto, vou contemplar a minha coleção de figurinhas, "encadernada" naquelas capinhas de papelão com tirantes de pano, que eu mesmo fiz. Francisco Bettega Neto. Capa e projeto gráfico de Moacyr Calesco, montagem e arte final: Dorival F. Alves, 1986, Studio R. Jrieger. Quem procurar, acha. Solda.O médico, o monstro e a vergonha feminina
De Castro Alves a Wilson Bueno
Acaba de ser publicada pela Oxford Press University, a mais importante editora universitária dos EUA, a mais completa e importante antologia editada até agora, em língua inglesa, sobre a literatura latino americana, cobrindo 500 anos de produção em língua portuguesa e espanhola. Do bruxo Francisco Madariaga a Cesar Vallejo, Octavio Paz e Jorge Luis Borges. O Paraná é mesmo a terra da literatura. Nada menos do que três paranaenses em grande destaque: Paulo Leminski (Catatau), Josely Vianna Baptista (Poetry) e Wilson Bueno (Paraguayan Sea). The Oxford Book of Latin American Poetry. Edited by Cecilia Vicuña and Ernesto Livon Grosman, 608 pages. Jun,2009. In Stock Price: $49.95. Dando a sexta-feira por finda, um fim de semana perfeito: Na praia.
Serra abaixo ou serra acima: Serra abaixo.
A mais bonita paisagem do Paraná: Ilha do Mel.
A mais bonita paisagem de Curitiba: Parque Tanguá.
Uma rua da cidade: Rua das Flores.
Um sábado de chuva: Filme e pipoca.
Um domingo de sol: Praia.
O que você não dispensa no inverno: Fondue e raclete.
O que você não dispensa em qualquer estação do ano: Viajar.
O que é muito bom fazer sozinho: Ler.
Uma música para ouvir hoje: Charles Aznavour.
Outra para ouvir amanhã: Maria Bethânia.
Um instrumento musical para tocar numa balada de sábado: Violão.
Um livro na estante: Guia Michelin
Um livro na cabeceira: 1000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer
Um filme de ontem: Maria Antonieta.
Um filme de hoje: Era do Gelo III.
Um retrato na parede: Fotos de família
Um lugar para iniciar o fim de semana: Um bom restaurante.
Um acepipe de boteco: Piña colada.
O jantar no sábado: A dois.
O almoço de domingo: Com toda a galera.
Uma receita de estimação: Bobó de camarão.
Nenhum, pouco ou bastante alho: Bastante alho.
Uma sobremesa: Bombom de morango no prato.
Um copo para o espírito: Estudar Teologia Espírita.
Metade cheio, metade vazio: Metade cheio.
Saudades de um sábado qualquer: Pôr-do-sol.
Uma viagem: Sem destino.
Quem você convidaria para passar um fim de semana de sonho: O amor
Noite de domingo, o que lhe parece: Ótimo.
Há a perspectiva de segunda-feira, o que lhe dá preguiça: Trabalhar cedo.
O que assusta embaixo da cama: Nada.
Uma frase sobre Curitiba: Cidade Modelo. Dante Mendonça (29/8/200) O Estado do Paraná.
Sexta-feira, Agosto 28, 2009
Paródia
no me atendieron
pedi um Sal de Andrews
o Sonrisal
tomé um Calciogenol
irradiado por la Rádio Belgrano
fenomenal
una Emulsión de Scoth
sin bacalao y un pastel de carne
nel Oriental
comi um cachorro-quiente
mas mucho quiente
pele toda mi boca
quede piantao
sinuca
por que me puso a jugar
piruca
pelado voy a quedar
de porradas
sé que me quieres cubrir
só porque la otra noche
yo me fué
(aladonde?) en el Bar Rei do Siri
(tchan-tchan!) Mercer, Solda, Ernani Buchmann
e Chico Branco
Bisbilhotecando
Olá pessoal! Aproveitando o tempo bom, vamos fazer mais uma contação de histórias na pérgola da Praça da Espanha no próximo sábado dia 29/08, às 11h, com a Cia. Girolê desta vez. A ideia é continuar com as contações externas até o feriado. E a Bisbi fica aberta, como ponto de apoio e leitura, das 10h às 18h. E também neste sábado a Bisbilhoteca realiza um antigo projeto, dentro de outro com maior alcance ainda. Estaremos promovendo uma troca de livros usados dentro do Garage Kids, evento paralelo ao Garage Sale promovido pela Refinaria Promocional e pelo Era só o que FLTV. O Garage Sale é um Projeto de ação solidária sem fins lucrativos. Lá vocês encontrarão produtos novos e usados de todos e quaisquer tipos, que são vendidos, permutados, doados por conta e risco de cada participante. Se você tem algo que queira se desfazer, lá é o lugar! No Era só o que FLTV acontece o Garage Kids, das 14h às 18h, com workshop do artista João do Lixo. O ingresso é uma lata de leite em pó. Separem seus livrinhos usados e levem para trocar com outras famílias! Esperamos por vocês! Cláudia Serathiuk. Bisbilhoteca, Cultura Infanto-Juvenil. Alameda Dr. Carlos de Carvalho, 1166 loja A, Bigorrilho - Curitiba - PR. Fone: 11 3223-3038.2

O 1º Primeiro Simpósio do Barreado não foi realizado em Porto de Cima por acaso. Pesou a história de Porto de Cima: do início do século XVII, na antiga Vila do Porto Real era feito o transbordo de cargas que vinham de Curitiba, pelo Caminho de Itupava, para as embarcações do Rio Nhundiaquara seguirem para Morretes, Antonina e Paranaguá. Dando por abertos os trabalhos com uma primeira rodada de pinga mineira (a de Morretes poderia influenciar a opinião dos debatedores), o presidente Vitamina iniciou o Simpósio com um histórico de sua própria lavra: — O Barreado nasceu em Morretes, Antonina ou Paranaguá? Senhores, a resposta para esta pergunta se perde no tempo. Portanto, estamos aqui reunidos para tentar recuperar o berço perdido. Nossa responsabilidade é grande, porque as divergências regionais conflitam-se também quanto a alguns insumos da sua composição. A versão mais difundida da sua história relaciona-se às festas do Entrudo, o atual Carnaval. O caiçara envolvia-se com a dança do fandango aguardando ansioso pelo Barreado, coroando o encerramento dos folguedos. O “Púcaro Caiçara” é uma mistura de carnes bovinas com temperos verdes acondicionados em uma panela de barro cuja tampa é barreada com uma miscelânea de farinha de mandioca, cinza e água, para impedir a saída do vapor. A seguir, coloca-se sob ou sobre o forno de lenha, que outrora também servia para “alumiar” os fandanguistas. A cocção deve durar até 24 horas, dependendo da intensidade e condições do calor. Na oportunidade do entrudo, com a panela enterrada e a fogueira em cima, esse processo poderia durar dois dias. Reza a tradição que a cerimônia de abrir a panela, quebrando o selo barreado, deve ser feita debaixo do espocar de grande foguetório. O caldo deve ser servido quente, em prato fundo, onde por primeiro se coloca a farinha de mandioca crua. O Barreado por cima e, com garfo ou colher, amassa-se até formar o pirão. Deve ser acompanhado de banana, mas aqui cabe uma outra controvérsia: Paranaguá prefere banana-maçã, Antonina banana-prata e Morretes banana-caturra. De minha, parte, para agradar gregos e troianos, aconselho a banana-terra cozida. Aqueles que professam a religião do Barreado de origem africana, como na feijoada, incluem também a laranja descascada. Uns dizem que sim, outros dizem que não, enfim, eu corto a banana-terra em duas ou três partes, colocada numa panela com água para ferver até inchar levemente, por cerca de 5 a 10 minutos. No arremate cai bem uma cerveja bem gelada. Se bem que nos últimos tempos tenho bebido apenas vinho. — Peço a palavra, presidente Vitamina! (solicitou o jornalista Aramis Millarch) Gostaria de um resumo da receita básica e seus insumos. — Pois não, insigne jornalista. Temperos: sal, vinagre, louro, cebola, alho, cominho e pimenta. E depois botaram também o tomate. Equipamentos básicos: panela de barro, concha, prato fundo, talher, folha de bananeira e barbante. Acompanhamentos: cerveja, batidas ou caipirinha, banana, farinha, mandioca crua, ou laranja descascada, palitos, copos e guardanapos. Neste ponto, o mediador Farofa intervém: — Senhor presidente, Rafael Greca de Macedo pede a palavra!— Obrigado, Farinha!
— Olha o respeito, Greca! Meu nome é Farofa!
— Perdão, senhor mediador! Antes do Vitamina detalhar a receita, seria importante um esclarecimento: vai ou não vai tomate no Barreado? O escritor Alexandre Dumas pede a palavra, silêncio no recinto:
— Quanto ao uso do tomate, gostaria de fazer um questionamento mais adiante.
— Será uma honra, monsieur Dumas! *** Neste domingo, a terceira ata do Simpósio do Barreado: a jornalista Rosy de Sá Cardoso levanta uma questão de ordem histórica (“O tomate no Barreado é uma heresia!”) e Alexandre Dumas explica porque o tomate não pode fazer parte do Barreado tradicional. Dante Mendonça (29/8/2009) O Estado do Paraná.
Hoje

Caros amigos, no proximo sábado, dia 29, as 16h, pequena mostra do processo de trabalho do Projeto 70 - uma pesquisa sobre o período da Ditadura no Brasil e suas ressonâncias atuais, compartilhando algumas cenas, videos e opiniões sobre ditaduras, liberdades e utopias. E a partir das 18h, um bate papo com a historiadora Maria Aparecida de Aquino numa abordagem crítica da História do Brasil e com os conselheiros da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Vanda Oliveira e Prudente Mello, a partir do tema (Im)Punidades. Apareçam para mais este encontro. Será um prazer recebê-los. Gracias, Nena Inoue.
Pra ninguém esquecer, jamais!
Fraga
Outro dia quase fiz uma asneira. Pensei em alguns muares e nas subcondições em que vivem. Aí imaginei fazer uma asneira das grandes, em que coubessem vários asnos. Pensei em tudo: listei o material necessário para a asneira, elaborei um croquis em perspectiva e incluí até uma estimativa de custos. Logo vi que a minha asneira seria das maiores. A começar que sua estrutura não ia caber na planta baixa do meu apartamento. E ia dar um trabalhão levar as toras de eucalipto até o andar alto onde moro. Mão-de-obra também não está fácil: apesar de tanta gente fazer asneira hoje em dia, eu queria uma bem feita, sob medida para a sala, onde os asnos se sentissem em casa. Outro dos problemas foi que o condomínio reagiu mal à minha asneira. Impediu que os três animais subissem no elevador (eles também empacaram na escadaria de entrada). Foi tanta complicação por causa de uma asneira que tive de desistir. Como sou teimoso, logo planejei outra coisa, uma besteira completa. Para meia dúzia de bestas. Eu ficaria na saleta e elas seriam instaladas na sala, que teria a asneira adaptada ao formato de besteira, adequado ao porte dos bichos. De novo minha iniciativa foi mal compreendida pelo síndico, que vetou a entrada da manjedoura, sacos de capim e a vinda de um ferreiro vez em quando. Diacho. Será que daria para construir no quarto da empregada um minúsculo sistema hospitalar, para cuidar de mulas com tendões inflamados? Eu não sou dos que não se importam que a mula manque. Gritaria geral da vizinhança. Recuei, estrategicamente. Resolvi que devia diversificar. Em vez de muares, podia tratar bem de equinos, que são mais queridos. Numa área livre da cobertura do prédio, eu faria um telhado para tirar os cavalos da chuva. Inventivo e entusiasmado, ainda imaginei uma calha para coletar os aguaceiros e assim ter uma cisterna sempre cheia para lavar a égua. Mas aí os condôminos todos se opuseram, decerto preocupados com infiltrações. Me deram um ultimato: ou eu parava com asneiras e besteiras ou me expulsavam dali. Com essa última rejeição de um projeto de carinho e cuidados com animais, parei pra refletir. Pensei na piscina pouco utilizada do playground. Bastava uma rampa de acesso e seria tão mais prático dar com os burros nágua. Será que dessa vez topariam? Afinal, não seria nenhuma asneira ou besteira. Apenas uma burrada.
Os sonhos podem ser úteis para se descobrir sintomas de doenças, diz o jornal. Foi o suficiente para que desistisse de ler o resto da notícia. Vai que meus sonhos revelem o que até eu mesmo tenho vergonha de saber. A origem das minhas unhas encravadas, por exemplo. Quem sonha que afia cascos sofrerá de problemas nas unhas, dirá o especialista. Saberei reconhecer a sabedoria do diagnóstico, não fosse tão óbvio quanto mentiroso, posto que jamais sonhei com cascos, incluindo os de cerveja e os de navios. Meus sonhos são recorrentes e de outra natureza. Devem revelar doenças do espírito, menos que do corpo. Certa mania de grandeza, como a que me fez sonhar estar em campo no jogo Brasil x Itália, na Copa de 82. Faltavam alguns segundos, a seleção cobraria escanteio. De paletó e gravata, saído da tribuna de honra, meti-me na área italiana. Pulei, fui ao décimo andar, cabeceei para empatarmos o jogo. O doutor vai me tomar por mitômano incorrigível. Engano dele. O sonho teve motivações altruístas: pretendia apenas acabar com a tristeza imensa impingida por Paolo Rossi aos habitantes do planeta, noves fora os italianos. Um escritor sonhou coisa parecida, levando um pé a desviar a bola chutada pelo atacante uruguaio na Copa de 50. Vamos considerá-los, tais sonhos, da espécie dos justiceiros, a pretender ajeitar a ordem das coisas de acordo com a visão dos seus, digamos, proprietários. Sei lá que diabos estaria eu fazendo em uma tribuna de honra, muito menos trajando terno e, ainda assim, ágil como jamais fui. Só o fato de que algo deveria ser feito para não se conviver com tamanha desgraça. Não contarei ao Freud nativo – que, de resto, não irá mesmo me interrogar – que sonho com meu pai, demitido desta vida há décadas. São sonhos motivados pela saudade, que não parece doença, senão virtude. O mais dramático deles levou-me a encontrar o velho vindo de bicicleta, portando elegante chapéu cinza, de feltro. Topamos ao atravessar a rua na esquina do velho prédio do Correio. Paramos. Reclamei da ausência: ele ainda não havia ido lá em casa conhecer minha mulher, seus netos. Se foi gentil, deixou poucas esperanças. Disse que a vida andava difícil, iria aparecer quando desse. Engrenou os pés nos pedais, sumiu por trás do prédio da universidade. Fiquei ali tentando evitar que as lágrimas caíssem. Esforço inútil, vi depois, tanto estava molhado meu travesseiro. Sofro também dos sonhos humilhantes, responsáveis por denotar a inferioridade que insisto em ocultar dos outros, embora jamais tenha conseguido escondê-la de mim mesmo. Exemplo é o sonho no qual assumo pequena função em um teatro. Espécie de capataz, feitor burocrático responsável por transformar em inferno a vida de todos. Sou, então, uma pessoa triste, a fazer algo contrário ao meu caráter. O problema é que tenho filhos pequenos, preciso ganhar os trocados que se exige. Assim invado o palco enquanto o diretor de cena ensaia a peça. Em voz baixa, inaudível aos atores, peço a ele que limite o ensaio para que possamos trocar as lâmpadas do proscêndio. Lâmpadas de onde, grita ele, conhecido pelo gênio irascível. Do proscêndio, repito. Há risco de incênio. O diretor repete minhas palavras. Os atores riem, alguns têm lágrimas nos olhos. Lâmpadas do proscêndio, risco de incênio. Descubro que troco as palavras, não conheço as expressões do teatro. Quero explicar que sou mero funcionário, pai de família incompetente que estudou para ser advogado, está ali por ter faltado a semestres inteiros de aulas. Nada disso consigo falar, as palavras somem. O diretor berra se sei onde fica o urdimento. Tenho dúvidas. Ele sugere: na coxia? Escuto mais risadas, há quem se torça de tanto rir. Como um bovino, balanço a cabeça, concordo. Ele pisca para o grupo: sim, na coxia, junto do poço da orquestra. Bumbos batem, todos pisam com força, há uma gritaria infernal: nunca se ouviu nada tão engraçado. Em seguida são quatro horas da madrugada e sigo escutando as risadas. Fico feliz em ser apenas um cronista que não pretende fazer carreira no teatro. Um filho choraminga no berço. Levanto para ver se está molhado, dou-lhe a chupeta, volto a deitar. Até o amanhecer espero não dormir de novo. Com essas teorias que inventam hoje em dia não se pode mais sonhar em paz. Ernani Buchmann.Quinta-feira, Agosto 27, 2009
Lindsay no quiere hombres cerca
La actriz estadounidense Lindsay Lohan ha viajado a Cerdeña acompañada por la DJ Samantha Ronson y ambas acudieron a uno de los clubes más exclusivos de la isla italiana, el Fiat Playa, donde la intérprete exigió que todos los hombres abandonaran el espacio privado del local por esa noche, según el diario electrónico Affaritaliani.it. Lohan también exigió ser solo atendida por el personal femenino de la discoteca. AP.Estante
“O Polivalente Que Não Sabia de Nada” Nunca dê ouvidos às orelhas de livros. Elas são tragédias individuais, fofocas bem intencionadas que acabam vestindo a rigor quem está pelado. Este livro pretende - o que já é um sintoma - mostrar ao público a inutilidade que está presente na obra do autor, num painel rico em esboços de arquétipos para a nossa perspectiva em que ainda predomina a tradição ocidental, num continente efetivamente mestiço de cultura. É a grande tragédia que invade nossas estantes. Aos poetas interessa a poesia. A poesia é necessária, embora o povo, na sua humildade peculiar, ainda prefira arroz com feijão. Ou o feijão com arroz da poesia. Nascido em 1968 na pacata cidade de Piraí do Sul, no Paraná, Hilton Baudelaire só percebeu a gravidade do fato ao cometer, aos seis anos de idade, o primeiro soneto. Único sobrevivente do grupo de paranistas que renovou a poesia e deus às letras nacionais nomes como Périplo Republicano e Sofisma Carvalhaes, só agora tem a petulância de vir a público e mostrar o seu repugnante lirismo incontido. “Para Viver Um Grande Almoço”, por isso mesmo, só interessa aos poetas. E aos que ainda não almoçaram. Solda.Noite de reggae acústico no Jokers
Projeto Acústico Mundo Livre. Apresentação das bandas Rudah e Virtude Rasta. Sexta-feira, dia 28, às 22 horas, no Jokers (Rua São Francisco, 164, Centro Histórico) Entrada livre até às 21 horas. Após R$10. Discotecagem DJ Ronypek. Reservas fones 41- 3324 2351 ou 3013 5164.
Rodrigo Browne: 41 9145 7027
Bárbara Magalhães: 41 33637759
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Afinal, o Barreado nasceu em Morretes, Antonina ou Paranaguá? Para tentar resolver de uma vez por todas esse entrevero que vem atravessando séculos, foi realizado em Porto de Cima, no pé da Serra do Mar, o 1º Simpósio da Origem do Barreado. A questão de gênese do “púcaro caiçara” (segundo a paleografia litorânea do historiador Henrique Paulo Schmidlin, o Vitamina) vem dos tempos em que Auguste de Saint-Hilaire percorreu o Paraná Serra Acima Serra Abaixo. Muito bem recebido na Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, ao se despedir para tomar o rumo da Graciosa o naturalista francês pediu, a um dos anfitriões, a indicação de alguma pousada que servisse alguma comida típica do litoral. Depois de cumular com gentilezas, fazendo questão absoluta de receber o viajante para comer todos os dias em sua casa, o capitão-mór da Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais recomendou:— Já trabalhei numa pousada em Morretes. Sei a receita do Barreado, só não sei quem fez primeiro. Esse Barreado tem briga parecida lá em Guarapuava: uns dizem que o arroz carreteiro foi inventado pelos índios do Uruguai, outros dizem que veio da Espanha, na panela do cacique Cabeza de Vaca. Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha, essa guerra entre Morretes, Antonina e Paranaguá não vai acabar nunca. No Paraná, assim como Serra Acima as mágoas acumuladas não conseguem pacificar Pica-paus e Maragatos, Serra Abaixo a origem do Barreado precisou de um grande simpósio para buscar, por meio de algumas pistas do passado, certas verdades nas estórias contadas no presente.
Quarta-feira, Agosto 26, 2009
Estante

a beata foi à boatecaiu no barato do abate
dançou com Linda Blair
cuspindo suco de abacate
dai rolou um boato
que virou fato
fatidicamente
subsequente
o boato matou a beata
numa praça suja da Lapa
Poema coletivo do grupo Ellas & Os MOnstros.










































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